Germes: o inimigo dentro de nós
29 de maio de 2002, 0:00Livro conta a história por trás do programa de guerra bacteriológica dos Estados Unidos, desde a Segunda Guerra Mundial até pouco antes dos atentados de 11 de setembro.
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A recente assinatura do acordo para redução do arsenal nuclear de Rússia e Estados Unidos – que prevê a eliminação de dois terços das ogivas dos dois países nos próximos anos – deve ter feito muita gente em todo o mundo suspirar de alívio.
Afinal, não é de hoje que essa questão assombra a humanidade. Após a dissolução da União Soviética, em 1989, o rápido desmantelamento da burocracia pós–stalinista levou à perda de controle do armamento nuclear soviético. O caos que se seguiu fez a paranóia nuclear aumentar desde então, e, se cumprido, esse acordo poderá representar uma redução considerável do risco de guerra por bombardeiro atômico.
Mas, antes de comemorarmos, vale a pena fazer uma pergunta: será que os Estados Unidos pensam em tomar a mesma atitude em relação ao seu arsenal bacteriológico? Tudo indica que não, a julgar pelas informações que estão em Germes (Ediouro).
Escrito por Judith Miller, Stephen Engelberg e William Broad, jornalistas do The New York Times, este livro conta toda a história por trás do programa de guerra bacteriológica dos Estados Unidos, desde a Segunda Guerra Mundial até pouco antes dos atentados de 11 de setembro.
O livro começa contando a história de como alguns membros da seita do guru Bhagwan Shree Rajneesh (atualmente conhecido como Osho) envenenaram, através de bactérias, a comida dos habitantes de uma cidade vizinha a Wasco, no estado americano do Oregon, onde a seita tinha uma comunidade.
A conclusão a que chegam os autores é que os americanos não têm o menor preparo em caso de um ataque biológico maciço por parte de uma nação inimiga ou de um grupo terrorista.
A seguir, somos apresentados aos esforços de pesquisa americana nessa área, que remontam ao início da década de 1950, em Fort Detrick, Maryland. Esforços que incluem convencer os militares de que uma guerra biológica seria potencialmente mais fatal que uma nuclear, e contra a qual os americanos não teriam defesa.
É um trabalho ingrato e extremamente mais complexo do que construir um arsenal de mísseis e ogivas nucleares. Segundo Bill Patrick, bioquímico que trabalhou em Fort Detrick desde o começo de suas operações, são necessários dezoito meses para desenvolver um agente capaz de ser utilizado em armamento e dez anos para desenvolver uma vacina adequada contra ele.
Se nas décadas de 1950 e 1960 o perigo de uma guerra biológica era descartado como irreal pelos militares americanos (eram tempos de paranóia nuclear, não nos esqueçamos), a guerra do Vietnam abriu novas possibilidades nas mentes dos militares para o emprego de armas químicas e biológicas.
Mas foi só em 1991, na Guerra do Golfo, que a possibilidade se tornou real, quando foi descoberto que Saddam Hussein tinha condições de efetuar um ataque com bactérias às tropas americanas estacionadas no Golfo Pérsico. Alguns anos depois, quando a seita Verdade Suprema envenenou o metrô de Tóquio com gás sarim, o governo americano decidiu intensificar o estudo e a produção de agentes biológicos para guerra, além de esforços de vacinação da população americana.
Germes não podia ter sido lançado em dia mais pertinente nos Estados Unidos: o dia dos ataques. Outra grande ironia do livro – e bem mais adequada devido ao tema – é que Judith Miller foi uma das jornalistas que receberam envelopes contendo pó branco pouco depois dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono. No caso dela, o pó era inofensivo.
No entanto, é preciso ler esse livro com um pé atrás. Afinal, por mais isentos que os autores possam tentar ser, eles são americanos. E americanos patriotas, que, se não procuram justificar inteiramente as ações de seu país em termos de esforço de guerra bacteriológica, demonizam os adversários de seu país (Iraque e a ex–União Soviética) por terem desenvolvido programas de pesquisas para uma guerra ofensiva. Ficamos com a impressão de que os EUA, coitados, queriam apenas se defender.
Infelizmente, ao se mostrarem preocupados com possíveis ataques bacteriológicos de Saddam Hussein, os autores não lembram de situações em que os americanos não esperaram ser atacados para cometer atrocidades, como os bombardeiros cirúrgicos a Badgá, que mataram civis, e os bombardeios de aldeias vietnamitas com napalm durante a Guerra do Vietnã.
E, ao observarem repetidas vezes o não–cumprimento, por parte da ex–URSS, do acordo antiguerra bacteriológica firmado no início da década de 1970, esquecem convenientemente acordos como o Protocolo de Kyoto, que Bill Clinton se recusou a assinar para não deter o progresso americano… mesmo significando com isso que a emissão de gases poluentes na atmosfera terrestre está se aproximando do insustentável, e que os EUA são a principal nação poluidora do mundo.
A nós, pobres mortais que ainda temos muito o que temer em termos de sobras de guerra (tanto nuclear quanto bacteriológica), fica apenas uma pergunta: há alguém realmente inocente nessa história toda? [Webinsider]
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1° paloma Data: 11/03/2008 às 7:50 pm
Atividade:
Cidade: recife
naum gostei achei uma m esse site kkkkk