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Crawford Killian e a diferença em webwriting

02 de maio de 2002, 0:00

O autor de Writing for the Web vem ao Brasil para cursos sobre a redação para a web e diz que há sim alguma diferença entre o webwriter e o redator jornalista.

Por Nenhum

Paulo Rebêlo

Todo profissional que trabalha com internet, sobretudo na área de design, já ouviu falar de Jakob Nielsen, o respeitado (e às vezes rejeitado) especialista em usabilidade aplicada aos sites. Enquanto o termo usabilidade ganha força (ou entra na moda, depende do ponto de vista), o termo webwriting segue caminho parecido porque gera ou identificação ou rejeição entre redatores.

Uma facção de profissionais prega a quase–filosofia de que webwriting não é “simplesmente” a redação para a web, mas muito mais do que isso; outra acredita que webwriting é apenas um nome pomposo para definir a adaptação de textos para a mídia online ou, em linguagem rasteira, os conceitos básicos da boa redação jornalística.

O canadense Crawford Killian é tido por muitos como o nome do webwriting –– ou da redação para a web. Escritor e professor em Vancouver, além de estudioso da sociedade da informação, o autor do livro–bíblia “Writing for the Web” explica que há diferenças entre o jornalista tradicional e o webwriter –– este tendo uma gama de recursos para interagir com os leitores e exigir mais do próprio texto.

Em contagem regressiva para ministrar um curso intensivo de webwriting no Brasil, no dias 14 e 15 de setembro, ele nos concedeu a seguinte entrevista:

Webinsider – Muitas discussões e debates sobre a redação para a web tem ocorrido no Brasil, entre profissionais de comunicação. Muitos definem o webwriter como aquele que escreve para a mídia online, adaptado a ela. O senhor concorda com o título de “webwriter” ou é apenas um nome bonito para definir o jornalista que trabalha na/para a web?

Crawford Killian – O webwriter pode ser jornalista, mas também pode ser um entusiasta, um especialista em comunicação corporativa, um marqueteiro, um artista, um editor, um educador, um bibliotecário. Como a redação para a web é uma habilidade especializada, ela se divide em muitas sub–especialidades, a depender da necessidade.

– Quais são as diferenças entre o webwriter e o jornalista tradicional que trabalha com/para a web?

– O jornalista tenta manter–se atualizado em relação a eventos e acontecimentos, de forma a publicar/reportar enquanto o assunto ainda é notícia. O webwriter também pode fazer a mesma coisa, indo mais além: precisa tentar escrever sobre tópicos que não são notícias.

Jornalistas e webwriters compartilham muitas habilidades e valores. Por exemplo, a notícia tradicional costuma ser escrita no estilo “pirâmide invertida”, com a informação mais importante na chamada/subtítulo e no primeiro parágrafo. Um texto para a web é basicamente igual, pela mesma razão: leitores de jornais e leitores de sites tendem a escanear as chamadas, olhando para aquelas que mais interessam. Temos que dar a informação básica no início. Jornalistas e webwriters têm a mesma concisão de valores. Se os webwriters podem cortar cem palavras em uma reportagem de 500, certamente eles o farão.

– Então o jornalista precisa de especializações específicas para escrever na mídia online ou, digamos assim, tornar–se um webwriter?

– Sim. Apesar de jornais e websites terem muito em comum, o webwriter/ webjornalista precisa dar aos leitores uma visão geral da história, talvez com muitos entretítulos e dividindo a matéria em blocos para se ler em qualquer seqüência, de acordo com os interesses pessoais dos leitores; e não do veículo. O webjornalista também precisa ter condições de oferecer matérias relacionadas e incentivar a interação entre os leitores como, por exemplo, dizer logo qual é o e–mail dele e, se possível, o e–mail dos personagens/protagonistas da notícia para que os leitores possam interagir. Ou então criando um link para o leitor deixar um comentário público. Quer dizer, o webjornalista não pode apenas pensar em sua própria matéria/notícia, mas na interação com o leitor.

– Muitos, não necessariamente jornalistas, se intitulam webwriters. Não deixa de existir um certo ar de pompa em titular–se um webwriter, talvez por ser novidade à maioria ou apenas diferente. O que faz um bom webjornalista/webwriter?

– Primeiro, a perícia na linguagem. Nada de firulas e rebusques, mas apenas a linguagem objetiva, direta, que o leitor possa entender na primeira vez. Segundo, um grande respeito ao leitor, de modo a fazer com que os interesses e as necessidades dele tomem as rédeas da matéria, seja na forma de tópicos, estilo de apresentação ou diagramação. Terceiro, é preciso uma boa história. O webjornalista precisa estar incentivado e ao mesmo tempo surpreendido com o que ele está dizendo ao leitor. E, por fim, o webjornalista precisar ser humilde o suficiente para aprender com os próprios erros e encarar as críticas dos leitores como algo saudável.

– O senhor acredita que essas regras de webwriting podem ser aplicadas e teriam os mesmos efeitos internacionalmente? Em um país como o Brasil, por exemplo.

– Talvez em outros idiomas e culturas, as pessoas leiam textos na web de um jeito diferente daquele adotado na Europa e nas Américas. Ao menos em idiomas europeus, acredito que todos leiam os textos na web de um jeito parecido: mais devagar do que um texto impresso e escaneando o texto em vez de ler linha por linha. Todo mundo que usa computador tende a esperar uma surpresa, uma recompensa, uma imagem, algo diferente. O texto para a web deve surpreender e recompensar o leitor. Evidente que, quando recebemos a mesma “recompensa” repetidamente, ela já não mais surpreende. Então o webwriter precisa procurar sempre novas maneiras de surpreender o leitor, mas não em um sentido negativo. Muitas vezes, a grande surpresa e recompensa é apenas entender e gostar do texto, aprender algo com ele. Enquanto estivermos aprendendo coisas novas, o texto para a web sempre nos surpreenderá. [Webinsider]

Nota da redação: mais informações sobre o curso que Crawford Killian irá ministrar no Brasil: projectotao@projectotao.com.br e (11) 3875–0846, 3873–4722

Sobre o autor

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  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

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