Sobre a não regulamentação
21 de abril de 2002, 0:00A idéia de regulamentar uma webprofissão não entende o que define este profissional.
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Poderíamos entrar em uma discussão bastante adivinhativa sobre qual será o futuro do profissional que trabalha com a web, se no futuro a web continuará existindo como um meio independente (eu acredito que não), se ela se fundirá com outras mídias e chamaremos tudo isso simplesmente de mídia interativa.
Mas prefiro pensar especificamente sobre a questão da formação do profissional de web e sobre sua conseqüente regulamentação.
Depois de discutir o tema por mais de quatro anos com milhares de profissionais espalhados por todo o Brasil através das listas WD e da antiga Associação Nacional dos Profissionais de Mídias Interativas (Promit), posso dizer de que há um consenso, bastante generalizado entre essa comunidade, que diz que o trabalho com a web é, na realidade, uma especialização de uma profissão já existente e não uma profissão em si.
Por esse consenso, podemos dizer que não existe portanto webprogramador, mas o programador que trabalha com a web. Não temos de forma alguma o webdesigner, mas o designer que trabalha com a web. E webmaster, nunca conseguimos entender o que seria, pois a definição é muito vaga.
A discussão já foi muitas vezes para o lado da formação acadêmica. Se seria ou não necessário cursar uma universidade para ser um programador. Se precisava ou não ir para a faculdade para ser designer. Não se chegou a nenhuma conclusão, a não ser que há profissionais brilhantes que não cursaram a universidade e profissionais brilhantes que têm o seu diploma de 3º grau.
E neste momento, depois de tanta reflexão, vemos novamente o aparecimento de um movimento que busca regulamentar uma profissão que entendemos como uma
especialização de outras profissões e isso me preocupa.
Não sou contra uma entidade que lute pelos direitos daqueles que trabalham com este meio. Se fosse assim, não teria estado à frente da Promit durante tanto tempo, trabalhando junto a dezenas de outras pessoas justamente por este propósito. Mas posso dizer, justamente por ter estado lá, que webdesign, webmaster ou webqualquer coisa por si só são especializações, e não profissões. Por isso não vejo sentido na sua regulamentação.
Acho que seria bastante útil, para início de conversa, retomar a discussão da formação destes profissionais, dos currículos das escolas, cursos técnicos, seqüenciais e de 3º grau destas ‘atividades’ ou ‘profissões’, antes que se fale em regulamentação. Regulamentar o quê? Quem? Quais os critérios para a admissão? Como separar um profissional de um amador? Como proteger o mercado dos curiosos? Como estabelecer valores e formatos de cobrança?
A turma da Promit e das listas WD vem discutindo o tema desde o começo de 1997. Tem bastante histórias para contar neste caminho e com certeza muito que acrescentar. Estamos à disposição da Abraweb. [Webinsider]
