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Imagine voltar à máquina de escrever…

30 de março de 2002, 0:00

O redator de hoje conta com um arsenal de recursos, além do copy paste: software que digita e lê depois, corretor ortográfico, manual de redação e formas de detectar palavras repetidas, crases e acentos errados.

Por Nenhum

Carlos Nepomuceno

Balzac era um escritor voraz e preciosista. Os editores se arrepiavam quando o nosso amigo visitava as gráficas, pois adorava fazer mudanças, rabiscar nas margens brancas do papel, bagunçar as provas prontas para a impressão. Veja um manuscrito dele na foto.

Na verdade, foram poucos, mesmo os gênios, que conseguiram escrever aos borbotões sem uma boa e demorada revisão. Hoje, colocamos tudo no micro e vamos pensar depois. É uma nova forma de redigir. Querendo, ou não, somos escravos do revisor ortográfico do
computador.

Veja meu caso. Apelo, por exemplo, para um verdadeiro arsenal de aplicativos para produzir meus artigos.

Uso, entre eles, a nova versão 9.0 do ViaVoice da IBM. O programa, além de digitar o que você fala, pode ler tudo depois. Eu uso apenas a funcionalidade da leitura. Promovo diversas até chegar a uma final, que eu tenha escutado por completo e não alterado absolutamente nada.

Com o auxílio dessa voz externa, consigo um grande apoio para eliminar os erros de concordância e as palavras repetidas.

O ViaVoice, entretanto, pede muita memória e, por causa disso, derruba a máquina de quando em quando. (Eu tenho 376Mb de RAM e ainda não posso dizer se com a 9.0 esse problema foi minimizado). E mais: custa R$ 200,00, o que não seria tão barato para usá–lo parcialmente. (O ditado é indicado para quem produz grandes escritos com freqüência).

Comecei a testar semana passada o Cyber Buddy, um software gratuito, menos pesado, que também lê em português. (Veja ao lado onde baixar. Depois de instalar, clique com o botão direito do mouse sobre o boneco verde abusadinho e escolha “Options” e depois “Character e Speech Option”. Selecione, ali, uma voz masculina ou feminina em português.)

Há uma grande diferença no resultado final entre um documento lido pelo micro para um outro revisado com os olhos ou relido em voz alta. Outros aliados:

Revisões ortográficas. Faço inúmeras, usando a tecla “F7″ do Word, pois pode parecer incrível: mudamos um parágrafo e novos deslizes aparecem do nada.

Repetições de termos. No Word 2000, marque um termo muito repetido no trabalho, clique no botão direito do mouse e aponte para “Sinônimos”. Use também o
novo CD do dicionário Houaiss, que apresenta, dependendo da palavra, diversas opções de termos similares.

Crases. Também no Word realizo uma busca no texto para ^wa^w (acento
circunflexo + w + a + acento circunflexo + w) e checo uma a uma todas as letras “a” e “as” para verificar se esqueci alguma crase.

Dúvidas genéricas. Consulto o Manual do Estadão (ao lado).

Ou seja, hoje, o ato de escrever está completamente inserido nesse conjunto de recursos.
Imaginem se caíssemos em uma ilha deserta, apenas com várias resmas de papel e uma máquina de escrever mecânica. Certamente, ao sentarmos na pedra, debaixo do coqueiro para produzirmos a primeira carta de socorro, perguntaríamos aos nossos perdidos botões: –
Afinal de contas, onde estão mesmo os comandos para copiar e colar? [Webinsider]

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