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Cuidado com os e-mails e ICQs apressadinhos

20 de março de 2002, 0:00

Você escreve dezenas de mensagens todo dia e se não for cuidadoso pode arrumar inimigos e encrencas. Conselho de amigo: não seja afobado e leia com calma antes de apertar o botão de enviar.

Por Nenhum

Carlos Nepomuceno

Pelo ICQ, uma amiga manda uma foto e afirma: Sei que você não gostou do meu novo corte de cabelo. ;(. Eu apreciei, mas na pressa, respondo: Não gostei! O que eu queria ter dito era: Não, gostei. Faltou a vírgula. Até explicar….

Vivemos diariamente um grande paradoxo na internet: escrever cada vez mais rápido e evitar que pressão rime com imperfeição. O que fazer? Mágica?

A palavra escrita é traiçoeira e tem suas armadilhas. Ela é diferente do telefone – sem grampo naturalmente – ou do papo no escritório. Tudo vai para o poste digital, via e–mail ou ICQ. Como no jogo do bicho, vale o que está escrito.

Como ser veloz em uma atividade que exige um tempo para eliminar as concordâncias, as discrepâncias, as entrelinhas, os possíveis erros de interpretação? Vejam mais um “causo”.

Trabalhava em uma organização na qual existia uma lista de discussão interna de mais de 250 pessoas. Uma colega se despede de todos pelo fórum, pois ia para um novo emprego.

A outra responde, dedica boa sorte e critica um colega de trabalho que tinha consertado um equipamento em sua casa. Nada grave, não fosse ter remetido o comentário para todos da lista – um verdadeiro King_Kong.com.

Pequenos truques. Adotei algumas receitas contra os problemas graves e os micos. Criei um modelo para todas as mensagens repetitivas com explicações sobre determinado assunto. Nas diferentes situações, altero detalhes e acrescento o nome para a pessoa a quem me dirijo.

Na pressa, não falha: a missiva virtual sai impecável. Tento evitar mensagens longas. Quando o assunto é extenso e exige muitos parágrafos, penso seriamente em um telefonema ou numa conversa pessoal.

Quando não é possível, deixo o e–mail assentar, como um bolo, de um dia para outro. Nada como uma noite de sono para reler, revisar e ponderar sobre um texto.

Alerta máximo: não respondo nunca por escrito no calor dos sentimentos.

Uso muito raramente o “responder para todos” ou “reply to all”. Observo para quem foi endereçada a cópia da mensagem recebida e pondero se a minha resposta deve seguir para todos ou se devo me restringir a essa ou àquela pessoa.

Nunca mando uma carta eletrônica sem dar uma última espiada no destinatário e adoto um corretor ortográfico associado ao programa de correio.

Observo, por fim, se não existem trechos de mensagens anteriores, que devem ser evitados.

Acho que a filosofia do slow–e–mail é algo que deve ser cultivada. Parecida com a que surgiu na Itália, recentemente, slow food: nada de comer depressa, o charme é o tempo para degustar.

Assim, um resumo da novela seria: tente ser prático nos e–mails rotineiros e capriche nos que exigem carinho e atenção. Não descarte o telefone e os contatos pessoais.

Não existe nada pior do que enviar uma missiva na pressa e se arrepender pelo caminho.

Aquela sensação horrível de correr com o mouse para tentar evitar o disparo do correio eletrônico e olhar, desanimado, aquele aviso implacável na tela: Mensagem enviada com sucesso! [Webinsider]

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