Dica para o desenvolvedor: pense ECMAScript
11 de março de 2002, 0:00Com os fundamentos da linguagem ECMAScript, base do Javascript e ActionScript do Flash, é possível construir soluções que rompem as barreiras do browser e chegam a dispositivos sem fio com um baixo custo de adaptação.
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A ECMA é uma associação internacional voltada para a padronização de informação e sistemas de comunicação. É constituída por grandes nomes da indústria como a IBM, Alcatel, Intel, Compaq, Microsoft, Philips, entre outras. Seu principal objetivo é o desenvolvimento e publicação de especificações e padrões a serem seguidos pela indústria em geral. Para a web, um importante documento gerado pelo ECMA tem o nome de ECMA–262.
Este documento introduz uma linguagem de script chamada ECMAScript, que é base de implementação para várias linguagens de script, incluindo o famoso Javascript.
Inicialmente introduzido pela Netscape, o Javascript atingiu enorme sucesso na web por permitir que dados fossem processados também no próprio browser do usuário, não somente no servidor. Possibilitou a implementação de algoritmos client–side de validação de dados e da elaboração de sites mais dinâmicos, com recursos interativos, menus, posicionamento de camadas na tela, jogos e outros recursos.
O projeto do Javascript ficou tão bom que com o tempo a Netscape passou a bola para o ECMA cuidar da padronização da linguagem. O W3C (World Wide Web Consortium) ficou com a padronização do DOM (Document Object Model), que descreve os objetos do ambiente do Javascript. Hoje o ECMAScript rompeu a barreira dos browsers. Passou a ser utilizado em outros dispositivos, desde telefones celulares até handhelds. Tornou–se uma linguagem de scripting para propósitos gerais e tem uso crescente na indústria.
O ECMAScript e suas linguagens derivadas permitem a aplicação dos paradigmas da programação Orientada a Objetos, facilitando a modelagem e reaproveitamento dos programas. As características são inerentes também ao Javascript e ao ActionScript, que foi introduzido pela Macromedia e é utilizado como linguagem padrão de script dentro do Macromedia Flash a partir da versão 5. O ActionScript vem ganhando bastante popularidade no mercado e tende a ficar mais forte com o lançamento das novas versões do Flash.
Duas vertentes. Hoje temos no mercado web um dualismo entre as principais vertentes de desenvolvimento de aplicações em ambientes baseados no ECMAScript. A primeira são os profissionais especializados em desenvolvimento na plataforma Javascript/DHTML, tecnologia que roda na maioria dos browsers sem necessidade de plugin adicional.
A segunda são os profissionais especializados no desenvolvimento de scripts dentro do ActionScript, para o Flash da Macromedia.
Na teoria, esta fronteira poderia ser rompida a partir do momento em que ambos lidam praticamente com a mesma linguagem, pois seguem rigorosamente as especificações sintáticas, léxicas e semânticas do ECMAScript. O que muda são apenas os objetos de interação da linguagem com o ambiente. É possível, utilizando metodologia de desenvolvimento Orientada a Objetos, produzir a inteligência de aplicações que funcionam nas duas plataformas.
Basta apenas separar o trabalho de inteligência da camada de interface da solução, como vem sendo feito há algum tempo no Java, da Sun Microsystems. Para tornar portável uma aplicação, basta que esta seja bem modelada, e que para cada ambiente onde o código vai ser utilizado, seja reconstruída somente a camada de interface, com um custo bem mais baixo do que reescrever toda a aplicação.
Esta camada de interface é que vai realizar a interação; por exemplo, saber que dentro do DHTML/Javascript vai acessar um Layer, e dentro do Actionscript vai acessar um MovieClip. Para a inteligência de uma aplicação de uso geral bem modelada, pouco importa se está rodando dentro de um ou de outro ambiente, tudo no final das contas é baseado nos padrões do ECMAScript.
A partir desses dados, podemos introduzir o desenvolvedor ECMAScript, que nada mais é que um profissional que prepara soluções para plataformas baseadas na tecnologia, independente do ambiente alvo.
Depois de obter um profundo conhecimento dentro do ECMAScript, basta apenas aprender a arquitetura e peculiaridades do modelo de objetos do ambiente alvo (seja Javascript ou ActionScript). A afirmação acima pode assustar muita gente, mas pode ser provada que funciona da forma mais simples: construindo programas portáveis. A resistência maior não tem embasamento técnico, é apenas conceitual.
Ainda é necessário que as pessoas consigam separar a linguagem de script e o ambiente de aplicação. Dentro do Javascript, o ambiente é representado pelo Document Object Model e no ActionScript os objetos estão disponibilizados na forma de Movies (MovieClips). Isso ainda dá muito pano pra manga: somente depois de muita teimosia e de experiência com diversos ambientes, o desenvolvedor acaba percebendo o teor de verdade das afirmações acima.
O profissional especializado em ECMAScript possui uma maior qualificação e poderá acabar com uma segmentação cara e desnecessária dentro do mercado. Quando se trata de aplicações críticas, onde é necessário um alto grau de robustez, é hora de passar a bola para programadores de verdade cuidarem do desenvolvimento da parte client–side dos projetos.
O principal é entender que estudar o ECMAScript é como beber água de uma fonte mais limpa. É como ouvir os Beatles para entender melhor o rock. A boa notícia é que o corpo de profissionais está evoluindo junto com o mercado e as faculdades de computação continuamente estão soltando gente que pode ser capacitada para desenvolver soluções nessas plataformas.
Apesar de não estarem ensinando a linguagem propriamente dita, estão ensinando conceitos de programação, principalmente orientação a objeto, que é de essencial entendimento para aplicação dessas metodologias. Parece que o desenvolvedor de aplicações client–side (Javascript ou Actionscript) está ganhando o merecido respeito da turma mais tradicional, de desenvolvimento server–side.
Afinal, é o especialista em soluções ECMAScript quem pode fazer a ponte definitiva do povo dos bancos de dados com o pessoal de criação e design. Então, vale dar uma passada pelo site da ECMA ou acessar direto ao ECMAScript Language Specification, que é o documento que originou essa conversa toda, clicando aqui. Bons estudos, bom divertimento! [Webinsider]
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1° Bruno Ribeiro Data: 13/11/2006 às 7:13 am
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É muito interessante ver que existe uma forte preocupação na padronização de linguagens como o JavaScript. Acredito que uma das maiores dificuldades hoje no desenvolvimento web seja a falta de padrões, essencialmente na disputa entre os navegadores.