As tarefas do designer desenvolvedor
01 de março de 2002, 0:00Profissionais e clientes ainda não têm muito claro o perfil e as atribuições do webdesigner. O que ele precisa saber, o que deve fazer? Sugerimos então um roteiro básico para o processo de desenvolvimento web.
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Quem acompanha listas de discussão de designers pode observar que ainda existem muitas dúvidas sobre o que seriam as tarefas deste profissional. É interessante perceber que normalmente os questionamentos começam com o tema regulamentação da profissão, mas esta é ooooutra história, a ser discutida uma outra hora.
Vamos falar do que faz o designer de mídias interativas. Mais precisamente, o webdesigner. Quais são as tarefas deste profissional, que começou atuando na área fazendo barba, cabelo e bigode?
Não faz muito tempo os desenvolvedores web faziam de tudo um pouco. Eram programadores que acabavam fazendo o webdesign do site ou designers que acabavam por aprender HTML, script, ASP, CGI etc. e vendiam o pacote completo para os clientes. Estes, obviamente, adoravam ter tudo prontinho sem muito trabalho e, principalmente, gastando pouquinho.
Mas isso foi o início, quando a mídia surgiu como um livro de páginas em branco que precisavam ser preenchidas rapidamente, antes que alguém roubasse aquela brilhante idéia. Não dava tempo para testar nada. Ninguém entendia nada desse novo mundo mesmo, tudo era complicado e tão esquisito que mais uma esquisitice não faria diferença: as pessoas acabariam aprendendo a usar aquilo.
Assim foram praticamente cinco anos de vida. A internet amadureceu e trouxe para o mundo uma idéia completamente nova e extremamente útil. O problema era que a idéia parecia muito melhor do que a experiência propriamente dita.
Daí alguém se lembrou que há muito já se pesquisa sobre Interação Homem–Computador, na verdade desde que o maior dos computadores existe. Lembraram–se do usuário, aquele cara que usa a internet. Antes de pôr em prática uma idéia brilhante, ficou claro que é preciso conhecer bem o tema. E também entender a visão do usuário, perguntar a ele, criar protótipos e testá–los. Enfim, desenvolver um produto que seja a cara de quem usa.
Com isso o trabalho de desenvolvimento de websites se tornou bem mais complexo, envolvendo vários profissionais, várias etapas e um prazo bem mais longo para execução. O designer não precisa mais ser um programador e um programador não deve mais se achar um cara capaz de fazer design (uma carinha bonitinha).
Mas então como deve ser e o que deve fazer o designer de mídias interativas? Antes de mais nada, ele precisa de três características básicas:
1. Foco profissional. O designer é um profissional que estuda um problema para solucioná–lo da melhor maneira possível na forma de um produto (do ponto de vista de quem usa). O uso deve ser visto como uma meta. Vários aspectos se relacionam com esse objetivo, dependendo da especialização do designer – produto, gráfico ou mídias interativas.
2. Aprofundamento na mídia escolhida. O designer deve conhecer profundamente a especialidade que escolheu. Isso significa entender várias coisas que cercam, sem ter que botar a mão na massa em tudo. Significa também pesquisar, acompanhar, ler, navegar e entender muito bem como a mídia funciona para poder sempre tirar o melhor proveito e/ou descobrir/inventar soluções novas.
3. Relacionamento. O designer deve entender que se ele é peça–chave no processo, de forma alguma é a única. Saber se relacionar com os outros profissionais envolvidos nas várias etapas, sugerindo, participando, acompanhando, norteando e gerando soluções é o grande diferencial.
Pois bem, a partir desta visão macro começaremos a detalhar o trabalho de desenvolvimento web. Com a participação de algumas pessoas das listas de discussão WDDesign e WDUse, além de leitores, vamos fazer um levantamento do processo.
Conceitualização. Antes de iniciar qualquer rabisco, definir qualquer estratégia, sistema ou edição, precisamos conhecer muito bem o produto e a empresa em questão. Isso é unânime. Todos os profissionais que se pronunciaram neste aspecto foram categóricos: é importantíssimo entender e analisar muito bem o negócio do qual estamos tratando para pautar as etapas do trabalho.
Alguns consideram esta uma tarefa do atendimento ou do profissional de marketing que irá desenvolver o modelo de negócio. Sem dúvida, atendimento e marketing fazem parte da equipe e essas atribuições devem ser coordenadas por estas pessoas. Mas é fundamental a participação do designer para trazer a brasa pra sardinha dele, questionar coisas específicas, entender os motivos e ir além do que parece necessário.
Foi o caso, por exemplo, de uma experiência em parceria com uma empresa de desenvolvimento de sistemas. A participação desta designer aqui na etapa de análise acabou por nortear o trabalho do ponto de vista do sistema (como deveria ser estruturado o banco, como interfacear etc.) e, principalmente do usuário. É muito interessante perceber que essa preocupação é uma característica profissional nossa, designers.
Esta etapa inicial de análise é fundamentalmente uma forma de extrair da empresa (das pessoas que trabalham nela – especialistas ou não, dos manuais de uso etc.) informações que para eles parecem óbvias e portanto nunca são enumeradas. As informações podem variar conforme o business, mas passam pela definição do foco da empresa (ou produto em questão). Também importam os conceitos nos quais a empresa se apoia e a relação entre eles. A forma como a empresa acha que as pessoas (público–alvo) a enxergam e como gostaria que fosse essa percepção.
Essa etapa de análise não se faz em um único dia. O tema deverá ser aprofundado na medida do contato com essa realidade. Devemos estar preparados para escutar frases sem sentido e comentários irrelevantes. Devemos sentar ao lado de pessoas – especialistas em atividades distintas – e acompanhar o seu trabalho. Interrogar, classificar cada etapa, questionar os motivos, relacionar fatos, enfim, esgotar o conhecimento.
O resultado disso tudo geralmente é um calhamaço com material fornecido pela empresa, dados levantados, entrevistas compiladas, gráficos e tabelas. Com isso em mãos já é possível saber exatamente o que fazer (isso é extremamente importante) com o usuário/público–alvo (que nem sempre é um internauta). O que perguntar a ele, de que forma extrair dele o gostaria que fosse o produto. Mas isso já é outro assunto…
Até a próxima
[Webinsider]

