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28 de fevereiro de 2002, 0:00Vantagem de morar nos EUA é poder assinar a Wired bem baratinho... só que a revista não chega.
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Sabe aqueles cartõezinhos de assinatura que vem no meio das revistas? Isso! Aqueles que ficam caindo no chão quando estamos na banca folheando um ou outro título para ver se tem algo de bom e nos deixam p da vida… pois bem, na Wired esses cartõezinhos têm aquele colorido “cítrico” cyber–cool e sempre me causaram uma certa fascinação…
Quando morava em SP chegava a pagar R$ 25,00 na banca às vezes por uma revista, tinha as edições mensais num esquema de coleção mesmo, quase como uma enciclopédia exibida na prateleira do escritório, aquela fileira de tombos coloridos dava um orgulho danado e impressionava qualquer visitante.
O cartãozinho indicava que uma assinatura da revista nos EUA custava U$ 12 por ano! Isso mesmo, U$ 1 por edição mensal da revista que eu mais curtia. “Se eu morasse nos EUA eu assinaria quatro vezes a Wired!”, pensava em meus delírios causados pelo alto preço pago nas bancas brasileiras. Alguns anos depois, a Wired já não é mais aquele ícone dos tempos do nascimento da internet comercial, deixei de comprá–la religiosamente e cá estou eu morando em Boston. Resolvi assinar a revista mesmo assim, só para realizar o desejo reprimido de aproveitar uma assinatura anual da revista por U$ 12.
Preenchi o cartão com um certo prazer, anexei o cheque de U$ 12.00 e enviei o envelope para a Wired pelo correio em setembro do ano passado (2001). Algumas semanas se passaram, eu já podia ver nas prateleiras das livrarias a edição de outubro, mas pelo correio recebi a edição de setembro.
Tudo bem vai, let’s give Wired a chance, talvez tenha entrado atrasado no banco de dados deles (existe isso em assinaturas de revistas?). Mais dois dias se passaram e recebo outro exemplar… Opa! Novamente a edição de setembro, agora tenho duas revistas iguais! Uau, nunca tive duas Wireds iguais! Pude até deixar uma permanentemente no banheiro e outra na sala, para me dar ou luxo de não ter que “misturar ambientes”.
Já no final de outubro, com a edição de novembro nas bancas, recebo pelo correio a edição de outubro. E, dois dias depois, recebo a duplicata de outubro! Caramba, pensei eu, será que esse lance vai ser assim até o fim da assinatura?
Não, não seria assim… depois da segunda dobradinha, não recebi mais nenhuma edição. Durante todo mês de janeiro enviei mensagens para o subscription@wired.com sem obter uma simples resposta. O telefone 1–800–SO–WIRED me deixou 1–800–SO–PISSED! Nunca conseguia falar, sempre ocupado. Finalmente no começo de fevereiro consegui completar uma ligação:
– no wired since november, what happened? my address is bla, bla, bla…
– sir, we have an information that your address has changed
Detalhe: não mudei de endereço…
– no, nope, nananinanope
– we are sorry, bla, bla, bla..
Minha assinatura seria estendida até novembro desse ano e receberia a edição de fevereiro “in a couple of weeks”… hmmmmm, quando um americano diz a você “in a couple of” qualquer coisa, fique preocupado… é uma quantia indefinida, indeterminada, imprevisível… “The restaurant is a
couple of blocks from here…”, prepare–se para andar quilômetros… Acho que a Wired poderia escrever “a couple of articles”, daqueles bem descolados, sobre como funcionam os centros de controle de assinatura ultra–computadorizados que eles não devem ter…
Até hoje aguardo a edição de fevereiro e espero para ver as novas surpresas que me aguardam nesse episódio para poder escrever a parte 2 da saga “Wired: Grande Boston” [Webinsider]

