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Tecnologia nacional de busca? Só em nichos.

09 de janeiro de 2002, 0:00

É muito caro manter um servidor para investigações genéricas nas páginas da internet, por isso Globo e UOL usam o Google debaixo de suas marcas Zoom e Radar. Para os brasileiros, só dá para competir em especialidades.

Por Nenhum

Carlos Nepomuceno

A Globo.com adiou, mas lançou finalmente na semana retrasada o Zoom – novo site de pesquisa em páginas brasileiras.

O portal adotou a tecnologia do Google, empresa americana líder de mercado na área de buscas. A Globo seguiu os passos da UOL, que também optou por esta alternativa no Radar UOL.

Assim, entramos 2002 com os dois importantes portais do País a se render ao poder do Google e abandonar os projetos tecnológicos próprios na área de pesquisa global na web.

Pergunta–se, então: se pesquisarmos no Radar UOL ou no Zoom teremos mais sucesso, do que se na consulta direta no Google, em português, por exemplo?

E a resposta é não! A página do Google no nosso idioma oferece o mesmo resultado.

A busca no Radar UOL é feita sem filtros. Ou seja, a resposta é exatamente igual ao do Google e abrange sites internacionais. A do Zoom é feita com os seguintes parâmetros: só visualiza páginas em português e com os domínios brasileiros (.BR).

O objetivo de ambos, na verdade, não é o de oferecer algo a mais, mas manter os seus visitantes dentro das respectivas fronteiras.

O Radar UOL já oferece recursos de pesquisa avançada, mas ainda com algumas opções a menos, em relação ao Google. E o Zoom diz que vai oferecer.

A Globo.com usou também a tecnologia desenvolvida pelo Radix no Zoom para criar diretórios em áreas de conhecimento, uma alternativa interessante, apesar de ainda contar com poucos sites e ainda não estar totalmente integrado aos resultados.

Para os internautas, que necessitam de uma busca mais detalhada, recomenda–se continuar a ir direto ao Google.

A outra questão que se coloca: se dois principais portais brasileiros resolveram não mais investir em tecnologia para buscas genéricas, quem poderá fazê–lo?

Temos, na verdade, que nos render à realidade. Não adianta trabalhar em apenas um país e indexar tudo que ali existe, como fez o Radar UOL e a própria Globo, por exemplo, antes de adotarem o Google.

Fórmula de sucesso de um buscador. Esse é um primeiro passo, mas a diferença entre um buscador e outro está no algoritmo, que vai comparar a pergunta do usuário com a base de dados recolhida pelos robôs e oferecer, pela relevância, os melhores resultados, com a menor redundância possível, em segundos.

Eis a fórmula de sucesso do Google, aliada à grande competência financeira e de marketing, de abrangência planetária.

O que se pode prever nessa área? A união ou o fechamento de vários mecanismos de busca internacionais. E para os nacionais? Entrar em nichos que dificilmente serão atingidos, a médio prazo, pelos competidores estrangeiros, como o Radix, Miner e o Buscapé têm feito.

A conclusão: é muito caro manter um servidor para investigações genéricas nas páginas da internet!

Assim, com uma certa nostalgia, podemos perguntar neste ano que começa: para onde foi a tecnologia nacional de busca genérica que estava aqui? E a realidade responde: o Google comeu! [Webinsider]

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