Novos mercados para o profissional Flash
26 de outubro de 2001, 0:00Novas potencialidades do Flash na parte de back–end de soluções resolvem problemas práticos importantes, capazes de fazer a diferença na criação. Designers e programadores se aproximam.
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Estamos presenciando nos últimos tempos outro tipo de gente trabalhar com o Flash. São profissionais de back–end, com amplo conhecimento de programação tradicional e banco de dados, alguns também experientes no ambiente internet e tecnologias relacionadas.
Estes profissionais já começam a apresentar propostas bem mais ousadas, levando para o ambiente interativo do Flash a sua experiência em desenvolvimento de sistemas em outras plataformas.
Ao incorporar o ActionScript, o Flash passou a contar com uma linguagem de scripting poderosa, padronizada pelo ECMA, muito parecida com o JavaScript no que diz respeito a aspectos sintáticos e semânticos. Uma linguagem com alta capacidade de escrita, que herdou muito da estrutura da linguagem C e algumas grandes sacadas já implementadas também dentro do JavaScript.
Quem já trabalhou em outros ambientes de programação, sabe que a parte de scripts da versão 4 do Flash apresentava grandes deficiências, principalmente a ausência do "Expert Mode" para edição dos códigos de uma aplicação.
Quase ninguém, fora o Joshua Davis, tinha paciência de ficar clicando sem parar para conseguir escrever um programa. O interpretador de ActionScript do Flash 5 ainda conta com problemas do ponto de vista de características comuns à linguagens de scripting, todavia evoluiu bastante, eliminando as barreiras que impediam os desenvolvedores mais tradicionais de migrarem para a plataforma.
Uma potencialidade altamente produtiva, mas nem tanto utilizada, são os recursos de orientação a objetos dentro do ActionScript. Junto com a gerência de eventos do Flash, é possível produzir códigos mais compactos, com alto poder de reutilização.
O poder de abstração que pode ser conseguido dentro do ActionScript é semelhante ao que se consegue com o JavaScript. Apesar que nessa comparação o ActionScript leva muita vantagem: no JavaScript existem vários tipos de objetos com o qual o desenvolvedor interage (objetos de formulário, layers, imagens, o objeto document, o objeto window, e por aí vai). O Flash ganha em muito, pois tudo o que se interage via script é MovieClip, Frame ou Botão.
A natureza do Flash, em seu trabalho com Instâncias, é Orientada a Objeto. O trabalho dentro do ActionScript, quando escrito com criação de classes, métodos e assinatura de propriedades para interação com os objetos do Flash, produz soluções com um altíssimo grau de qualidade, performance e facilidade de manutenção.
Quem já ouviu falar do sucesso do DynLayer dentro do DHTML, pode se preparar, porque dá para fazer bibliotecas muito mais legais e muito mais emocionantes dentro do Flash, tudo por causa da Orientação a Objeto e da simplicitade global do ambiente. E o melhor: o trabalho sujo de fazer as coisas funcionarem em todos os browsers, a gente deixa pra Macromedia.
Integração ao XML. Outro fator que está fazendo "o povo da programação" ficar cada vez mais receptivo ao Flash são os recursos de integração ao XML. O Flash arrebenta mais uma vez e introduz um objeto XML para aplicações state–less (aplicação com conexão semelhante à utilizada pelo browser ao exibir uma página) e um objeto semelhante para aplicações state–full (aplicação com conexão via socket e conexão permanente com o servidor).
A parte de suporte a XML state–less pode ser utilizada com sucesso em projetos de sites comuns/ambientes de publishing, e principalmente em sistemas de e–commerce com visual e arquitetura de informação mais agressivos.
A parte de suporte state–full pode ser utilizada para criação de produtos com maior grau de conectividade, como projetos de chat ou instant–message, podendo agregar ainda as potencialidades multimídia do Flash a este tipo de solução. O DOM (Document Object Model) do objeto XML do Flash é semelhante ao DOM padrão do XML especificado pelo W3C. Em suma: a estrutura do objeto de interação com XML é semelhante à que você pode usar com o JavaScript (sem uso do Flash) no seu browser. A Macromedia não está reinventando a roda e insere cada vez mais os padrões normatizados da internet nos seus produtos.
Aplicações práticas. Falamos muito até agora de recursos, mas neca de aplicações práticas disso tudo. Será que vale a pena investir uma grana para contratar um cara que só faz back–end de projetos em Flash para minha equipe? Pois bem, vamos citar algumas coisas que podem render bons prêmios para seus trabalhos e satisfação para seus clientes, nivelando por baixo… a seguir:
Lembra aquele banner que o seu diretor de criação fez e o cliente adorou a idéia, só que na hora de implementar ele ficou muito além dos 12 kb? Se você substitui as animações dentro do Flash feitas no modo tradicional para gerenciá–las via ActionScript, vão existir casos em que a redução de tamanho da peça vai ser tão absurdo, que o tamanho final do arquivo do banner vai se limitar ao peso dos objetos de imagem e os vetores na tela.
Aí o cara pega os 15 kb da sua peça que estava muito grande e transforma em 5 kb. Sobram aí 7 kb só para você melhorar a qualidade daquela foto que custou uma nota no ImageBank para ser usada dentro de um espaço ridículo de 468×60.
Ou então deixa esses 7 kb como estão e coloca o seu banner numa página bem acessada do UOL. Você vai ver sua animação rodando muito antes do resto do site, e com performance de animação muito melhor.
Mais um case "frio" de aplicação: olhe aquele cliente que é super receptivo à parte de multimídia e adoraria ter um site todo em Flash, mas quer também uma interface administrativa para estar fazendo atualização dos dados do site. Esse é o exemplo de aplicação mais constante, todavia o mais simples de ser feito. Com o mesmo custo de produção de um site tradicional, pode–se fazer sistema de publishing do tipo "WebEditor" e colocar para funcionar sem muita dificuldade.
Para quem trabalha com campanhas, então agora vai um case quente mesmo: uma boa estrutura de back–end por trás de uma campanha bem bolada pode trazer ótimos resultados. Quem não se lembra daquela campanha do filme da BrasilTelecom, feita pela AgênciaClick? Lá o visitante pode montar o seu próprio filme institucional, baseado na campanha offline, e enviar para um amigo. Resultado sensacional, ótima audiência da campanha, retorno muito rápido, valor institucional imensurável para o cliente. Tudo em Flash. Emocionante e interativo o resultado, e aquilo é só o começo. Bastam apenas boas idéias, boas referências e boa capacidade técnica para quem sabe até trazer um Cyber de Cannes pra dentro do seu escritório. Possibilidades quase infinitas!
Contratando. É necessário tomar cuidado com os chamados micreiros na hora de contratar um profissional pensando neste perfil. A não ser que o cara queira mesmo aprender, é interessante que o candidato tenha um bom conhecimento da arquitetura do Flash, suficiente conhecimento de tecnologias server side, de preferência que trabalhe também com o banco de dados que sua empresa mais usa, e no ambiente de programação server side que esteja de acordo com a infra–estrutura que você possui.
Muita gente ainda pensa que Flash só interage com ASP, ledo engano. A arquitetura do Flash abstrai a interação com o servidor de forma que você possa usá–lo com o servidor web e linguagem de sua preferência.
Voltando ao perfil do profissional, esse é o cara vai ser a ponte entre seus designers, o seu Flasher de front–end e os programadores tradicionais e analistas de sistema de sua empresa.
É muito bom quando você consegue um profissional com bons conhecimentos de Orientação a Objeto e que tenha uma boa metodologia de programação. Ganha–se muito em qualidade quando o candidato preenche todos esses requisitos. Não é difícil achar gente assim nas portas de faculdade por aí, basta dar sorte e saber separar o joio do trigo.
Os profissionais que hoje trabalham com Flash e não querem trabalhar de forma intensiva com programação também estão com ótimas oportunidades. O mercado tem lugar de sobra para os caras do front–end, da animação, das montagens de estruturas animais dos grandes projetos.
Esses caras deixam de ser simplesmente os caras do flash para se tornarem verdadeiros "motion designers", ainda mais próximos das equipes de criação, proporcionando resultados altamente refinados. E os caras do Back–end cuidam do resto. Entendeu agora, o front–end e o back–end? Pois é.
Agora o mercado se prepara para o profissional do vetor poder escolher o seu caminho e se aperfeiçoar dentro da vertente que mais te agrada, tudo isso sem deixar de trabalhar com o Flash. Em breve vai ter menos gente aqui no Brasil babando ao ver os sites em lançamento da WDDG ou os links mais badalados do Linkdup.com. Até porque você e muita gente já sabe o segredo do sucesso dessa galera. [web insider]



