Arquitetura da informação
17 de outubro de 2001, 0:00Organizando o complexo.
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Esta é uma história do sucesso popular de uma idéia. Uma daquelas idéias que apareceram na hora certa e no lugar certo, cuja capacidade de evolução e adaptação sobrepõe–se à precisão e rigidez de suas definições ouà complexidade de suas teses.
Contemporânea da internet comercial, a arquitetura de informações pegou carona em sua expansão, adequou–se perfeitamente à natureza interdisciplinar de sua construção e vai apontando como uma das mais intrigantes e desafiantes profissões atuais.
Se você está entre os curiosos, empolgados ou mutantes profissionais que sentem–se atraídos por esta idéia, vale a pena limpar um pouco o caminho e esclarecer alguns conceitos.
A carreira da AI em direção à fama começou em 1996, quando Richard Saul Wurman, criador das TED Conferences, evento preferido das estrelas do mundo interativo, lançou o livro Information Architects, explicando sua própria abordagem e de mais alguns reconhecidos profissionais. A definição de Wurman, para o arquiteto de informação tem três faces:
1. O indivíduo que organiza padrões inerentes nos dados, tornando o complexo claro.
2. A pessoa que cria a estrutura ou mapa de informação ajudando outros a encontrarem seu próprio caminho para o conhecimento.
3. A ocupação profissional emergente do Século 21 cobrindo as necessidades da era centrada na claridade, entendimento humano, e da ciência da organização da informação.
O termo não se referia, na concepção de Wurman, necessariamente à internet e nem mesmo aos sistemas de tecnologia de informação. Ele mesmo um arquiteto de informações, ficou conhecido pelo projeto dos guias de turismo Access, considerado revolucionário do gênero. O livro cobre da organização de exposições à confecção de mapas e infográficos, sempre focando no desempenho de um profissional.
Mais ou menos pela mesma época, um dos designers publicados no livro de Wurman, Clemont Mok, lançava um outro clássico no assunto: Designing Business, este sim, uma referência para o projeto de peças interativas. Pioneiro do design na cultura digital, candidato a guru desde quando foi diretor de criação na Apple, Mok fundou um dos mais criativos grupos na área, o Studio Archetype, e mais tarde tornou–se sócio da Sapient. Em seu livro oferecia modelos e definições contextualizados para vários termos da indústria recém–nascida, entre eles a arquitetura de informações. Em um gráfico muito interessante expõe sua proposta para a atividade cobrindo desde a criação do conceito à organização dos dados. Mok afirmava que o modelo da arquitetura seria perfeito para os meios digitais porque ocupava–se das relações entre pessoas, tempo e espaço, exatamente os elementos necessários para a modelagem deinformação e seu uso.
Por falta de uma organização disciplinar, não existem escolas de arquitetura de informação. Ao contrário de domínios semelhantes, como o design de interação (interaction design) e o design de interfaces homem–computador (HCI – human computer interface), com raízes nas disciplinas de engenharia e desenho industrial, não existe uma carreira acadêmica para o arquiteto de informação.
Esta é, provavelmente, a origem da dificuldade na constituição de um método de trabalho: as linguagens adotadas são diversas e acaba valendo mesmo a regra da aceitação pelo usoprático. Provavelmente por isso mesmo, muitas empresas e institutos de pesquisa adotaram o estudo das melhores práticas como método de trabalho.
Com o tempo, e neste ponto a velocidade acelerada e o comportamento ansioso da internet colaboraram precisamente, foram elaborados processos muito estáveis para sua execução. Existem métodos bastante eficazes, criados e desenvolvidos por equipes organizadas que vêm gerando resultados surpreendentes.
Portanto, para o exercício da arquitetura de informações neste momento é fundamental a pesquisa de qualquer fonte que tenha conseguido reconhecimento do campo. Mas, afinal, isto não é problema para quem tem sede de informação. [web insider]
