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Internet AM vs. internet FM

21 de junho de 2001, 0:00

Aplicar o raciocínio de produção das emissoras de rádio AM pode ser a melhor estratégia para quem não quiser, ou não puder, migrar para a banda larga.

Por Nenhum

Roberto Cassano

Quando nos arriscamos a prever o futuro da mídia digital, projeções, estudos e um certo conhecimento das tendências tecnológicas parecem ser suficientes para traçarmos os rumos e paradigmas que quisermos. Seguindo este raciocínio parece realmente óbvio dizer que, em alguns anos, estará concluída a fusão entre web e televisão, e todo conteúdo na rede (ou seja lá o meio em que seja transmitida a informação) será em banda larga.

Tecnicamente, a banda larga (conexão à internet em alta velocidade) é melhor, mais completa e mais moderna que a banda estreita (a conexão que usa nossos modems e linhas telefônicas, mais lentas). Economicamente, ela também dá de dez na nossa internet–tartaruga, pois as possibilidades de interação e e–commerce são muito maiores, além de ser um modelo mais auto–sustentável. Dificilmente veremos provedores de banda larga gratuitos por aí.

Logo, podemos concluir sem medo que a transição completa para banda larga é uma questão de tempo. Certo? Nem tanto. Temos hoje dezenas, centenas de milhares de produtores de conteúdo para a web, de pessoas que montam suas páginas pessoais e pequenas e médias empresas, até as grandes corporações e grupos de mídia.

Por mais que tente se segregar estes mundos – por critérios mais econômicos do que qualitativos –, não há como negar que a possibilidade de cada um ser um participante ativo na rede foi e é uma das chaves para seu sucesso como promissor canal de mídia.

Todas estas pessoas/empresas estão ou estarão prontas para migrar seus conteúdos para a banda larga? Certamente não, pois hoje, quando falamos em conteúdo multimídia, a primeira coisa que nos vêm à mente é vídeo, televisão, imagens em movimento. E qualquer um que já tentou assistir a um vídeo caseiro de uma viagem ou festa de aniversário sabe que a técnica da produção de vídeo não é coisa para qualquer um.

E não adianta dizer que as ferramentas de edição digitais estão ao alcance de todos, por que não basta talento e software para se produzir vídeo independente; é preciso paciência e algum dinheiro adicional. Ou isso ou o abismo entre o conteúdo independente e o profissional vai se alargar tanto que matará o primeiro.

Qual a saída? Será que toda esta massa de produtores de conteúdo para a web terá que se calar e deixar que só os grandes grupos de mídia produzam para esta nova mídia? Aposto numa opção menos traumática, a criação, aos poucos, de uma internet AM, em banda estreita, que constraste com uma internet FM, em banda larga.

Nas rádios brasileiras, temos as emissoras FM, que se destacam pela programação musical, tirando proveito de sua qualidade de som muito superior. E temos as emissoras AM, de qualidade técnica muito inferior, mas imbatíveis quando se procura notícias, transmissão de jogos de futebol, e outros conteúdos que pouco ou nada perdem com a falta de qualidade echiadeira do rádio AM. E há emissoras AM muito mais lucrativas que as FM.

Há um dial inteiro de aplicações para a internet que simplesmente não precisam de banda larga. Não precisam da velocidade, nem do vídeo, nem das animações, sons ou estripulias digitais da banda larga. E poderão continuar sendo produzidas pela massa de fabricantes de conteúdo de parcos recursos e grande criatividade que serão, em grande parte, excluídos sim da revolução multimídia da banda larga, mas que nem por isso largarão o osso da internet.

Cabe a eles descobrir que nichos são esses e dedicar seus esforços a melhor driblar a falta de recursos, ao invés de empenhar mundos e fundos para colocar o vídeo da festa do cunhado na internet e querer competir com o Jornal Nacional. [web insider]

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