Nem tudo é careta, a internet pulsa nos blogs
08 de junho de 2001, 0:00Os sites pessoais são como os fanzines dos anos 70/80 e revivem um pouco a contracultura, o movimento punk e aquele gostinho de faça você mesmo.
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Como tudo de interessante que surge na rede, os weblogs, ou como são conhecidos carinhosamente, Blogs, começaram devagarinho. Um site aqui, um site ali, um conceito novo sendo lapidado, uma nova funcionalidade, e, de repente, temos uma ferramenta e uma multidão produzindo, escrevendo, vivendo seus weblogs.
O termo é relativamente antigo, tendo sido usado pela primeira vez em 1997, por Jorn Barger para descrever sites pessoais que fossem atualizados freqüentemente e contivessem comentários e links.
Com o tempo surgiram ferramentas específicas e muito fáceis para se criar weblogs. Elas são simples e requerem muito pouco conhecimento para se começar a usar. Praticamente qualquer pessoa pode criar seu weblog, basta usar seu navegador e ir a um site que publique blogs.
Devagarzinho eles também começaram a surgir na mídia, e seguem aparecendo, principalmente agora que um bloggeiro (uma das formas de se chamar um dono de blog) Sergio Faria, descobriu que o discurso de renúncia do ACM era na verdade um plágio. A grande mídia se encarregou de espalhar a notícia, alguns sem creditar a fonte.
Em um mundo de megafusões, soluções padronizadas e com a Microsoft querendo dominar a tudo e a todos, é no mínimo muito bem vinda essa pequena revolução. De novo saímos um pouco de um ciclo de comunicação onde o Grande Irmão espalha a verdade para uma grande comunidade onde vários pequenos irmãos espalham suas verdades, vidas e versões.
É uma volta ao princípio da internet, do compartilhamento de informações, da "vizinhança" (Blog que se preze tem uma lista de Blogs vizinhos), da "Aldeia Global". Quer dizer, não podemos ser ingênuos e achar que os blogs estão acima do bem e do mal e são a salvação da lavoura, quem mantém um Blog é uma pessoa, que pode escrever ali o que quiser.
A diversidade dos weblogs é impressionante, vão desde pessoas sem um espaço para mostrar seus talentos (e pessoas sem talento), até diários pessoais, altares de louvor a algo ou alguém, espaço para reclamar do mundo,das pessoas, desabafar, etc. A lista de temas e motivos segue, quase infinita.
Por enquanto os weblogs estão para a internet tradicional (aquela dos megaportais, do B2B, do B2C, do E–qualquer coisa) como os fanzines estavam para a imprensa nos anos 70/80 (e por que não ainda hoje?). São uma pequena resistência não armada, ou melhor, bem armada, e com o que importa: Palavras e idéias, sonhos e ideais.
Lembra um pouco a contracultura, o movimento punk, aquele gostinho de "faça você mesmo". Se a mídia não nos satisfaz, façamos nossa própria mídia. Se não produz o que queremos ler, produzamos nosso próprio conteúdo. Do it for yourself, eu já estou começando o meu. [web insider]

