Banda larga cresce rapidamente no Brasil
06 de junho de 2001, 0:00Apesar de expansão, preço do acesso rápido não cairá muito. O brasileiro paga muito mais do que o americano e o custo com o backbone da Embratel é um dos problemas. Novos serviços a caminho.
Por
Alberto Alerigi Jr., da Reuters
O número de conexões domésticas à internet em alta velocidade no país deve crescer cerca de 83% ao ano até 2005, segundo o International Data Corporation (IDC), mas o preço do acesso rápido à rede deve continuar salgado por três motivos: custo da infra–estrutura, falta de aplicações que gerem demanda e desconhecimento das tecnologias pelos possíveis usuários.
O brasileiro paga em média cerca de R$ 130 por mês (cerca de US$ 56 dólares) pelo serviço, enquanto os norte–americano gastam US$ 35.
"O valor ideal para que a internet em alta velocidade se popularizasse no país seria de R$ 50 por mês, disse o analista em telecomunicações do IDC Brasil, Cláudio Almeida, à Reuters.
O analista disse que algumas companhias de TV a cabo ou operadoras de telefonia estão fazendo promoções, mas elas "ainda não são significativas para o usuário residencial". Segundo, Almeida, é difícil prever quando o mercado chegará ao patamar ideal, algo que derivaria de uma grande popularização do acesso em alta velocidade.
Na modalidade ADSL – tecnologia que usa o mesmo fio de telefone para trafegar voz e dados a grandes velocidades – a espanhola Telefónica foi uma das poucas empresas que baixaram os preços este ano.
Em maio, o valor do acesso a 256 kilobits por segundo (Kbps) – que permite assistir vídeos e fazer downloads a uma velocidade cerca de 5,3 vezes maior que uma conexão telefônica comum – do serviço Speedy baixou cerca de 20%, para R$ 49,80 reais por mês, fora as taxas de instalação e provedor.
"Se tivermos espaço para reduzir mais o preço vamos fazê–lo", disse o diretor de negócios da Telefónica, Vladimir Barbieri, cujo produto é líder do acesso rápido à internet no país, com mais de 60 mil assinantes.
O diretor evitou dar detalhes sobre a taxa de crescimento dos assinantes ADSL da empresa, mas disse que a procura pela conexão rápida já era alta antes da redução de preços. O executivo acrescentou que a Telefónica quer ter até o fim do ano 200 mil assinantes do Speedy.
Um dos problemas é o custo Embratel
Para o diretor de operações do provedor @Jato, da operadora de TV por assinatura TVA, Amilton Lucca, o momento não é de redução de preço, mas sim de manutenção, uma vez que "as margens (de lucro) já estão reduzidas" e o retorno dos investimentos em infra–estrutura para expandir o serviço "é de mais de um ano".
Apesar da redução nos custos dos equipamentos de infra–estrutura, um dos problemas que ainda persistem para as empresas que oferecem acesso rápido à internet é o preço cobrado pelos dados que trafegam pelo backbone da Embratel. Backbone é a infra–estrutura que permite a interligação da internet brasileira com a rede mundial e a Embratel é praticamente o único fornecedor nacional.
Segundo Lucca, o custo com o backbone da Embratel é um dos principais fatores limitantes para a queda dos preços para o usuário.
"Chega a ser de oito a 10 vezes o preço cobrado nos Estados Unidos", reclamou. Hoje, a TVA conta com cerca de 13 mil assinantes em São Paulo e no Rio de Janeiro e quer chegar a 30 mil clientes até o fim do ano, enquanto o Virtua, da Globocabo, ocupa a segunda posição do mercado, com 42 mil assinantes.
"Cerca de 50% dos custos do provedor vêm das taxas cobradas pela Embratel", diz o diretor para mercado empresarial e broadband da Telemar, Ricardo Oberlander.
Questionada sobre o assunto, a Embratel não se pronunciou sobre sua política de preços.
Manobras para atrair assinantes
Para popularizar seu produto, a TVA optou por oferecer velocidades de 64 kbps a preços mais baratos que os da linha telefônica comum e apostar em um novo portal para o @Jato, com mais conteúdo.
Lucca acredita que a queda nos preços, conseguida com a popularização, depende de um serviço que faça o público ter vontade de assiná–lo.
A Telemar aposta no conteúdo com parcerias com empresas como Sony, MediaCast e BlockBuster para tentar conseguir uma fatia significativa de 100 mil potenciais usuários de seu produto ADSL, o Velox, até o fim do ano.
O provedor iG, por seu lado, espera uma redução dos preços das operadoras de telefonia para "massificar" o acesso em banda larga quando colocar no ar um portal pago que terá recursos de TV especialmente desenvolvido para altas velocidades de acesso em meados de junho.
Junto com o portal, a empresa lança uma nova configuração do provedor Turbo iG nacionalmente, disse o diretor do serviço Claudio Luis. O produto fornecerá acesso à internet via cabo, ADSL, RDSI (um tipo de linha telefônica digital com velocidade máxima de 128 kbps para usuários domésticos) e satélite, dependendo da disposição da infra–estrutura das operadoras.
O país tem hoje cerca de 157 mil usuários de banda larga, diz o IDC. O instituto acredita que esse número deve chegar a 350 mil até o final do ano, sendo a grande maioria dos assinantes divididos entre conexões via cabo e ADSL.
Tudo isso é pouco frente ao potencial do mercado norte–americano. Nos EUA, número de usuários deve chegar a cerca de 7,5 milhões já neste ano, informou a empresa de pesquisa de mercado Ernest & Young. [web insider]

