Dificuldades técnicas ainda atrapalham celular 3G
21 de maio de 2001, 0:00Primeiros celulares 3G tendem a travar, pois novas redes multimídia são sistemas complexos e ainda há muito o que aperfeiçoar. Celulares atuais precisaram de quatro anos para serem estáveis.
Por
Lucas van Grinsven, da Reuters
Engenheiros costumam dizer que as atuais redes de telefonia celular são os sistemas mais complexos já inventados – e que, por isso, não é nenhuma surpresa que a nova geração de telefones portáteis esteja sofrendo uma série de problemas em seu desenvolvimento.
Vários defeitos foram encontrados numa nova linha de celulares high–tech que oferecem acesso permanente à internet assim como serviços de voz. Empresas de telecomunicações vêm sendo obrigadas a fazer o recall de centenas de milhares de aparelhos.
"Levou quatro anos para os atuais celulares se estabilizarem, e essa nova tecnologia vai desestabilizar tudo de novo", afirma Hugh Brogan, executivo chefe do fabricante de celulares britânico Sendo.
No Japão, país pioneiro no acesso à internet via celular, a Sony e a Matsushita se ofereceram para substituir mais de meio milhão de telefones abalados com falhas de software. Esse tipo de complicação obrigou também o grupo japonês NTT DoCoMo a atrasar os planos de lançamento da primeira linha de celulares de terceira geração (3G), que serão capazes navegar a internet a altíssimas velocidades, além de contar com plataforma para serviços multimídia.
Na Europa, onde companhias de telecomunicações já endividadas gastaram 120 bilhões de euros em licenças para operar serviços 3G – e devem gastar a mesma quantia para desenvolver e colocar em funcionamento os novos serviços – as notícias vindas do Japão causam calafrios.
Empresas como a Nokia, maior fabricante de celulares do mundo, já estão remodelando as suas agressivas agendas de lançamentos. Até mesmo a tecnologia GSM, existente desde 1992, ainda enfrenta dificuldades – a operadora sem fio finlandesa Sonera foi a última descobrir isso. A empresa foi obrigada a substituir cerca de 360 mil SIM cards, cartões que identificam o telefone e autorizam o seu uso, porque os telefones estavam congelando por culpa de um software defeituoso no chip.
"De certa forma, isso já era esperado, porque a potência desses telefones está crescendo, e as redes ficando mais complicadas", disse Bob Schukai, diretor na Europa de produtos de terceira geração da Motorola. "O software do celular não é feito apenas para captar os números de telefone de um SIM card, eles agora também precisam decodificar e–mails e calendários."
Outro problemas para os aparelhos 3G é que, além de precisarem distinguir entre dados de voz e dados da internet, eles ainda têm de ser capazes de cair para redes mais lentas, de segunda geração, quando os telefones saem da área de cobertura do sistema 3G – que deve se restringir apenas às grandes cidades.
O celular do futuro deve se tornar um telefone, carteira, diário, banco de dados, walkman, TV e câmera, tudo num só aparelho. E são essas novas funções, acrescentadas apressadamente aos aparelhos, que vêm causando as falhas no Japão.
Nos últimos anos, muitos usuários descobriram que um celular pode dar pau com a mesma facilidade que ocorre com os PCs. Mas embora o futuro dos telefones possa ser tão brilhante quanto o dos computadores, as empresas trabalham para conseguir desenvolver um produto mais confiável que os PCs. [web insider]


