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Design - Usabilidade e AI

Entrevista: Jakob Nielsen, profeta do óbvio

06 de abril de 2001, 0:00

Consultor respeitado, o guru da usabilidade é tão funcional que se pode falar bem e mal dele ao mesmo tempo. Reveja aqui alguns de seus conceitos e seu site ultrasimples.

Por Nenhum

Alberto Alerigi Jr., da Reuters

O que você pensaria de um site produzido por um guru do design de interfaces usuário/máquina? Animações fantásticas? 3D? Vídeos e efeitos sonoros estilo George Lucas? Não sob a ótica de Jakob Nielsen, o "defensor do usuário".

Quem visita o site Useit.com encontra uma página tão simples que chega a pensar que foi parar no endereço errado. Tudo o que se vê é uma singela barra amarela com um campo de busca, uma coluna amarelo–mingau, outra azul–bebê e imagens minúsculas – estáticas.

"Muitos de meus leitores acessam de locais onde as velocidades de conexão são baixas", disse Nielsen à Reuters sobre o modesto useit.com, site que tem 200 mil leitores em todo o mundo.

É um público composto por designers e usuários preocupados em encontrar uma maneira de fazer os visitantes de suas páginas entenderem e aproveitarem ao máximo tudo que está disponível online.

Para os discípulos da praticidade, a página deste ex–engenheiro da Sun Microsystems e PhD da Technical University of Denmark é um achado. Há muito material sobre a importância de um design simples para facilitar a navegação e sobre métodos para a criação de interfaces que atraiam clientes.

"Somente 1% das empresas que estão na web lêem sobre a praticidade de um site", criticou Nielsen. Para ele, quem tem design ruim está fadado a fracassar. Perguntado sobre a falência da loja online européia de roupas Boo.com, no ano passado, Nielsen foi curto e grosso:

"A Boo mereceu morrer. Conseguiu fazer um site com os piores erros possíveis: escondeu seus próprios produtos, dificultou para o usuário entender a mercadoria (usava uma tecnologia de demonstração 3D que não era padrão do mercado) e era um site muito lento por causa do uso excessivo de multimídia".

Já a Amazon.com, maior varejista da rede, é o exemplo de "sites que merecem viver". Para o professor, o site da Amazon, um dos mais bem sucedidos e com prejuízo de US$ 90,4 milhões no último trimestre, tem "o mais alto índice de praticidade de todos os sites de comércio eletrônico da rede". A página cumpre 72% dos 219 princípios de funcionalidade listados no useit.com.

Nielsen, que detém 55 patentes nos Estados Unidos, comentou que os novatos normalmente cometem três erros:

– optam por um design fantástico que acaba não sendo visto porque ninguém tem paciência de esperar carregar;

– adotam uma estrutura organizacional que mais parece a ordem hierárquica da empresa e não reflete as necessidades do usuário;

– exibem informação demais. O que é fácil de ler no papel, online leva o usuário a deslizar pelo texto em vez de ler com cuidado. As telas atuais não chegam perto do conforto de uma revista no aconchegante canto de sofá.

Mas por que depois destas lições de simplicidade e objetividade, muitos textos que estão no site de Nielsen são tão entediantemente longos?

Ele mesmo responde: "Um dos perigos de se conseguir um grau de Ph.D é que você tende a usar muitas palavras. Culpa minha!". [Webinsider]

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [ usuário final ] [ formação profissional ] [ Comunicação corporativa ]

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