Eu sou o centro do universo
05 de abril de 2001, 0:00O conceito de comunicação interativa evolui rapidamente e vai transformando a maneira como projetamos.
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Agora, acho que já absorvemos a idéia: o sujeito que está navegando é tão importante no sistema de comunicação interativa quanto as informações que colocamos na rede.
Este conceito que parece tão básico, tão simples, nem é muito novo. Para falar a verdade, sempre esteve em foco desde a mais remota antigüidade dos primeiros sites e multimídias. Então, por que a ficha demorou tanto para cair e por que ainda existem tantos sites difíceis e complicados quando estamos interagindo?
Porque conforme melhor entendemos uma idéia simples, mais complexa ela se torna. E mais exigente nos tornamos, colocando toda nossa sensibilidade centrada na satisfação destas coisas tão simples.
Na medida em que nossa relação com a internet tornou–se mais próxima nestes anos, as expectativas em nossas interações com os ambientes informativos evoluiu. Somos mais chatos, mais impacientes com os caminhos mal desenhados que, por acaso, tomamos todos os dias.
Ao mesmo tempo, estamos mais abertos a experiências melhores definidas, que satisfazem nosso apetite por informação ou oferecem mais eficiência na solução das nossas tarefas. Isto tem um pouco a ver com a mudança na sensação do tempo que estamos vivendo e a internet é um dos maiores agentes deste sistema.
Mas também tem a ver com a maneira que percebemos as coisas todas em nossa volta. Quando sou usuário, quero ser o centro do Universo e pronto. Sem essa de perda de tempo, aborrecimentos e, se possível, que eu seja sempre surpreendido por melhores serviços.
Então, quando sou designer preciso surpreender–me com soluções sempre afinadas com a sofisticação de uma audiência exigente. Cada vez mais o design de comunicação interativa é centrado no usuário e, a partir de ontem, a experiência é cada vez mais personalizada.
Estão pipocando, aqui e ali, soluções de personalização muito interessantes, que no lugar de estarem separadas no canto da página, estão escondidas no meio do site. Como assim? Eu explico: em vez de pedir claramente ao usuário que experimente filtrar o conteúdo selecionando seus interesses em intermináveis formulários, novas abordagens espalham pequenas situações de captura (ou troca) de informações em estratégicas partes do caminho. Pouco a pouco a informação, processada e redesenhada, vai sutilmente transformando o ambiente, tornando a interação mais confortável e atraente.
Tecnologias de personalização gerenciando bases de dados organizadas podem colocar meus interesses no foco da minha experiência de um jeito quase transparente. Assim, fica bem mais fácil transportar partes da experiência para outros meios como os celulares, os painéis dos carros e outras viagens interativas cada vez mais próximas de um usuário único. Interações moldadas especialmente para um comportamento específico.
Aposto que os bancos, por exemplo, estão agora mesmo definindo esta geração de ambientes interativos. Conhecedores da personalização, contando com a confiança dos seus clientes nas tele–transações, mestres do relacionamento remoto, não demora muito eles começam a limpar aquele monte de informações obsoletas que oferecem nos seus portais. Logo param de me bombardear com este excesso e começam a oferecer situações mais interessantes e eficientes, feitas na minha medida, que me acompanhem onde eu estiver. Aposto como já estão nos testes. [web insider]

