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Design - Criação

Renata Zilse
Interface

Design: quando o cliente pede um site padrão

05 de abril de 2001, 0:00

Seu cliente encomenda um projeto web e quer "um site padrão". E aí, você abandona seus conceitos de criação e arquitetura e topa assim mesmo?

Por Renata Zilse

O designer sabe como custa desenvolver um produto, seja um site, uma revista, um jornal. Envolve dias de pesquisa e várias conversas com o cliente para entender bem o propósito, a estratégia comercial, o público. Além da façanha de chegar lá com pouco orçamento disponível.

Preparamos então para o cliente a proposta com todo o processo detalhado (não só a "execução das páginas", que é a última etapa, na verdade), mais a especificação do produto (se vamos usar papel couché matte, formato tablóide ou flash). Damos o custo. E a primeira coisa que ouvimos é: "mas eu queria uma coisa assim… padrão"!

Mas o que vem a ser padrão, ora bolas? Uma página default do CorelDraw ou do FrontPage? Para que me contratar então?

Não. Na verdade não é isso. O que ele quer é que seja "desenvolvido" um produto com uma cara bonitinha, mas que poderia ser a mesma de uma revista feminina, um jornal regional ou um site de notícias gerais…

É apenas um site…

Situações deste tipo são comuns entre clientes e designers no mundo web. Uma reprise do filme que tantas vezes assisti nos meus tempos de estúdio gráfico, com os coadjuvantes profissionais amadores que rondam o mercado.

Visite dois ou três sites de empresas de "web"design e você vai encontrar enorme oferta de "pacotes de desenvolvimento de sites", onde pela módica quantia de R$ 450,00 (isso mesmo, colegas de trabalho, 450 pratas!) encomenda–se um site de comércio eletrônico!

Ora, se encontramos isso a rodo, como vou justificar meu preço maior para fazer "apenas um site de notícias"?

Para competir, a primeira coisa que deveria cortar do orçamento seria a tal análise – FUNDAMENTAL no meu processo criativo. Com isso o resultado será – agora entendo! – um site padrão. Me recuso a fazer. Perco o cliente. Vou morrer de fome? Não. Com certeza não. Clientes deste tipo sabem onde encontrar o profissional que procuram e eu encontrarei meu tão desejado cliente perfeito. Tenho encontrado…

Cortando mais o orçamento, teria que eliminar a fase de arquitetura da informação, ponto algumas vezes difícil de "justificar" para o cliente. Mas a arquitetura é também FUNDAMENTAL no desenvolvimento do projeto.

Com os dados na mão – a quem se destina, o produto, o que o cliente espera do site – e o conteúdo organizado em pilhas de e–mails, papéis, CDs e zip drivers, começo a minha triagem e meu trabalho de arquitetura da informação. Vou ligando os pontos.

Todo este trabalho não se aplica a um site padrão. Como o nome já revela, um site padrão não poderá ter diferenças marcantes ou características.

Então, mais uma vez, se tiver que cortar esse trabalho… não faço.

Profissionais web, antes de mais nada, de qualquer prefixo, vocês são DESIGNERS! Não é apenas pegar uma meia folha de papel com o briefing tirado da primeira reunião de 15 minutos com o cliente e ir paro o micro fazer um site bonitinho.

Se for a sério, tem que ter trabalho de campo, de pesquisa, de análise, de desenvolvimento e aí sim, de criação. A fase de "ensinar" ao cliente sobre internet já acabou. Agora temos que convencê–lo de como é importante desenvolver um produto que realmente funcione, coisa que não deveria ser uma novidade…[web insider]

Sobre o autor

Renata ZilseRenata Zilse (renata@dmpbr.com.br) é designer, dirige a dmp.br design, o site Clickjobs, é mestre em design/USIHC e mantém o blog Interface.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ] [ briefing ]

Comentários

1 pessoa comentou o artigo "Design: quando o cliente pede um site padrão"

Gilmax Moreira do Nascimento Data: 16/06/2008 às 1:15 pm

Atividade: Web design

Cidade: Rio de Janeiro

Pow bem interessante esse artigo!!
Gostei!
abriu alguns pontos que nã havia pensado!

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