Na encruzilhada do teste com usuários
14 de março de 2001, 0:00Uma das práticas mais interessantes no design de um site pode ser frustrante quando mal projetada.
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Os testes com usuários combinam muito bem com comunicação interativa. Empregado em momentos chave no processo criativo, o teste é uma das melhores oportunidades de interação entre os designers e a audiência para quem o site está sendo projetado.
Quase sempre o teste com usuários é revelador: torna dúvidas aparentes, cutuca um termo mal empregado, esquece um link escondido e acaba botando luz em outros detalhes interessantes. As possibilidades de se conseguir boas informações como resultado de um teste são grandes. Quem desenha pensando no usuário sabe que um comentário significativo pode mudar por completo o caminho de um projeto. Mas neste caso, o teste é usado como parte determinante do processo criativo.
Por exemplo, sua equipe tem uma idéia massacrante para virar a linguagem do site de cabeça para baixo. As probabilidades de terem encontrado um ovo de colombo é grande. Ótimo, mas e se não colar? Seu cliente, que empregou alguns milhões na estratégia de internet vai arriscar? Claro que não. Então, antes que alguém argumente que esta idéia é interessante mas inaceitável, use o teste e tente verificar como os usuários reagem. E isto vale para todos os níveis. Sempre que aparecer uma dúvida no projeto, enumerar os pontos positivos e negativos, explorar as possibilidades divergentes e testar, funciona bem. Melhor que tomar um partido e esconder os defeitos debaixo do tapete.
Mas por que tantos designers têm arrepios quando ouvem falar em testes com usuários? Porque na maior parte das vezes são mal planejados e muito pouco inteligentes. Parece que muita gente imagina os testes de uma forma tão primária que acaba criando proposições superficiais, geralmente conduzindo o participante a um jogo onde a regra é encontrar a resposta correta.
Ou seja, induz o participante a confirmar suas decisões, seguro de que encontrou a melhor solução para o projeto. No fundo, inseguro com a possibilidade de alguém revelar um novo problema ou simplesmente trazer à tona velhas discussões deixadas de lado, acaba amarrando o teste de tal forma que este perde totalmente o sentido.
Suponha um site de comércio eletrônico, por exemplo. Acredite, perguntas do tipo: "se você estivesse comprando um CD do Roberto Carlos onde clicaria?" referindo–se a uma interface que não oferece nada além de CDs, onde o nome do artista aparece em destaque, não são nada raras. E ai de quem não encontrar o nome do Roberto Carlos escrito no topo da lista, vai se sentir um idiota. Pior ainda são as conclusões apressadas, que talvez fizessem o designer retomar a página, desta vez com o nome escrito numa fonte maior, talvez em bold e em separado do restante da lista. Alguém já viu este filme?
Os testes armados para confirmar decisões prévias, muito freqüentes, são ótimos para reforçar perante um cliente a idéia de que sua equipe é mesmo esperta. Mas também são meio ingênuos e pessoalmente acho o jogo sem graça. Na realidade, testes deste tipo podem refletir a falta de cuidado no processo todo, mostrando os buracos da metodologia do projeto.
O teste é uma ferramenta poderosa quando bem aplicada no projeto. Mas é claro que um teste não substitui a sensibilidade e o repertório de um designer. Nenhum teste vai consertar um design sem imaginação, sem referências, sem emoção e sem lógica.
Mesmo que os resultados digam que seu projeto é genial, se o design não oferece nada estimulante e o teste foi redundante, tudo não passou de mera formalidade. É claro que naqueles famosos testes com cobaias de laboratórios, onde existem duas celas, uma com queijo e outra vazia, de duas uma, ou o rato vai direto para o queijo ou não tem faro. Agora solte este mesmo bicho de madrugada numa padaria cheia de petiscos e acompanhe a festa. Quem sabe não aparece uma boa idéia? [web insider]

