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Paulo Rebêlo
Depois de amanhã

Há vida após a morte para o PC obsoleto

20 de fevereiro de 2001, 0:00

Reciclar computadores começa a se tornar uma prática comum nos Estados Unidos. As empresas estão aprendendo a aproveitar o material e a lucrar com o que seria apenas lixo sólido.

Por Paulo Rebêlo

Como foi antecipado pelo [web insider], a reciclagem de computadores começa a ganhar força nos Estados Unidos. Aos poucos, usuários começam a optar pela opção de reciclar em vez de guardar a máquina velha em casa ou tentar fazer uma rede doméstica.

No Estado de Nova Iorque encontra–se o Asset Recovery Center, da IBM. Um nome bonito para especificar um armazém onde centenas de empregados recebem computadores usados para, em seguida, começar a desmontá–los.

O centro de recuperação da IBM é um dos maiores no mundo. A cada ano, cerca de 18 milhões de quilos em computadores são "desmembrados". Grande parte das peças são reaproveitadas para outros fins ou vendidas.

Pesquisas recentes apontam que, em 2007, pelo menos 500 milhões de computadores estarão obsoletos e abandonados somente nos EUA. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental americana, PCs integram a categoria de maior crescimento em lixo sólido.

O lixo em si não é o único problema. As peças, quando jogadas fora ou armazenadas sem uso, podem expelir materiais nocivos à saúde e ao solo. A questão é grave, pois estima–se que apenas 10% das máquinas sejam recicladas. O restante é abandonado ao ar livre ou incinerado – quando ameaça ainda mais o meio ambiente.

Motivo tal levou com que a União Européia obrigasse fabricantes a se tornarem responsáveis pela reciclagem de PCs a partir de 2008. Nos Estados Unidos, empresas como IBM, HP, Sony e outras menores, divulgam programas nacionais de reciclagem e conseguem até mesmo tirar proveito (veja matéria relacionada).

Quanto vale

Um computador velho também pode gerar algum dinheiro para o dono. Grande parte das peças possui circuitos com prata, ouro, cobre e alumínio.

O ouro contido em cada processador, por exemplo, equivale a mais ou menos US$ 1. A placa–mãe, com conectores feitos de prata, cobre e ouro, vale US$ 2. Os cabos que ligam os periféricos são dotados de cobre e chegam a valer US$ 0,09.

O disco rígido tem até 15% de sua arquitetura feita de alumínio, que vale US$ 0,10; o alumínio ou cobre dos dissipadores chegam a US$ 0,40; um monitor velho pode ser reciclado e as peças valeriam US$ 2,50.

Outros componentes, como gabinete e teclado, são reciclados facilmente e diversos utensílios podem ser feitos a partir deles, como porta–lápis, vasilhames etc.

Os chips obsoletos, assim como drives de CD e discos rígidos, muitas vezes ganham nova utilidade em brinquedos e aplicações eletrônicas diversas.

Por enquanto, a resistência por parte dos consumidores é razoável e os lucros gerados pela reciclagem são ínfimos. A tendência é mudar, de forma gradual. Até lá, não é difícil achar computadores velhos e subtilizados em sites de leilões. [web insider]

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Sobre o autor

Paulo RebêloPaulo Rebêlo (rebelo@webinsider.com.br) é subeditor do Webinsider e cronista bissexto na Hipopocaranga.

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