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Banda larga precisa ganhar tempero

15 de janeiro de 2001, 0:00

Broadband é muito mais do que rapidez. Logo vamos presenciar o surgimento de uma nova mídia, além da mera adaptação de outras formas de comunicação. Exemplos aqui.

Por Nenhum

Marcelo Albagli

Mal pôs os pés no Brasil, a banda larga já levanta questões importantes sobre o uso das novas possibilidades técnicas na web. O papo parece ser o mesmo de sempre: como será a internet do futuro? Nas agências digitais e naquelas empresas ligadas direta ou indiretamente a meios de comunicação de massa, a expressão da moda é a tal da "convergência de mídias".

Há previsões e cenários para todos os gostos. Canais de televisão ameaçados pelo crescimento da internet; movimentos do underground cinematográfico norte–americano usando a banda larga como meio de distribuição de produções caseiras; rádios do mundo inteiro (mais de duas mil na rede da última vez que li sobre o assunto!) estendendo seu alcance através do IP; e, finalmente, os experimentos dos e–books , e–jornais, e–publishers e por aí vai.

Há algum tempo, assisti a uma demonstração da Real Networks e fiquei impressionado com a qualidade de vídeo que ela está conseguindo alcançar na internet. Um vídeo full–screen com qualidade de DVD precisa de um link de 750Kbps para ser bem visualizado via web. Mesmo sabendo que não vamos chegar a uma velocidade dessas da noite para o dia, o pessoal da Real continua trabalhando para compactar ainda mais os vídeos (com os chamados Codecs). Para ver mais detalhes, dê um pulo em www.real.com.

A gigante Microsoft, claro, não ia assistir a tudo isso parada. A nova versão beta do Windows Media Áudio e Vídeo 8 promete transmitir som de qualidade próxima a CD em um terço do tamanho dos arquivos MP3. Se você só acredita vendo, o download da novidade está no site do Windows Media. Quem quiser "espremer" arquivos multimídia com o novo Codec só precisa baixar o encoder. A briga promete ser boa!

Pelo visto, estamos cada vez mais bem servidos em termos técnicos. De um lado, os vídeos estão cada vez mais enxutos e, de outro, as empresas de telecomunicações correm para oferecer cada vez mais capacidade de transmissão. Mas, quem dera se a questão do broadband se resumisse a desempenho! Temos que começar a pensar uma nova geração de conteúdo para essa nova realidade na internet. Será que trocar a tela da minha televisão pela do meu computador é o grande barato dessa história toda?

Sei, realmente é fantástico acompanhar um jogo de futebol e poder escolher de qual ângulo prefiro assistir à partida – no Brasil, essa idéia já foi testada na TV pela Globosat – mas isso é só o começo do que será a convergência de mídias. Estamos presenciando o surgimento de uma nova mídia, e não a mera adaptação de outras formas de comunicação dentro de uma nova telinha. Mas a internet não vai morrer na praia depois de tantas pequenas revoluções, do hipertexto mais básico ao streaming de vídeo. Estamos prestes a ver (e criar) novidades extraordinárias no campo da banda larga.

É hora de analisar com mais carinho o SMIL (Synchronized Multimedia Integration Language) para se ter uma idéia de como pode ser a web e em um futuro não muito distante. Imagine assistir a uma palestra, com som e vídeo, enquanto você pode bater papo com as outras pessoas presentes, ver uma apresentação em Flash num canto da tela, outra de Power Point no outro e, para completar, deixar todo o papo "anotado" num fórum de discussão online. Ou então clicar nos jogadores de uma partida de futebol interativa para obter suas estatísticas durante o campeonato, ouvir o comentarista e ainda trocar informações com outros torcedores do seu time. Tudo na mesma tela, na mesma hora.

Um programa que está prontinho para esse conceito é o Real Player, da Real Networks. O novo QuickTime, da Apple, já até aceita o SMIL, mas ainda sem muita expressão no mercado.

A tecnologia já está aí, só falta arregaçar as mangas e mostrar criatividade! Se você quiser entender melhor o SMIL e vislumbrar mais possibilidades, visite a página do W3C ou a página da Real Networks .

A banda larga, portanto, será mais do que acesso rápido. A sincronização de vídeo, áudio, texto, chat, imagem e animação no mesmo espaço abrirá a possibilidade de uma nova linguagem que trará mudanças significativas na forma como navegamos hoje, criando o cenário de novas aplicações ainda não inventadas e transformando outras em realidade.[web insider]

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