Desenvolvedores a salvo de demissões
11 de janeiro de 2001, 0:00A demanda por especialistas em linguagens de programação é maior do que a oferta.
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As últimas notícias têm sido alarmantes para as indústrias pontocom, deixando alguns desenvolvedores com a pulga atrás da orelha. Uma delas veio através de uma pesquisa feita pela Webmergers e já comentada aqui aqui no site.
Os dados impressionam:
– Pelo menos 210 empresas de internet fecharam as portas no ano 2000;
– Cerca de 60% das falências ocorreram no último quadrimestre do ano;
– As falências em dezembro envolveram pelo menos US$ 1,5 bilhão em investimentos;
– 75% destas companhias atuavam no setor de B2C;
– 55% das falências envolveram companhias que atuavam na área de e–commerce. 30% envolveram empresas de conteúdo.
Todos nós que trabalhamos com desenvolvimento, principalmente para a web, ficamos no mínimo atentos. Mas vamos analisar um pouco mais de perto alguns dos itens acima:
210 empresas de Internet, nos Estados Unidos, representam o quê no total de empresas desta categoria? Chega a 10%, 5%, 1%? Mesmo sem uma informação confiável sobre o total de empresas de internet, com certeza as que fecharam são uma pequena parte. A mesma pesquisa informa que em 2000 mais de 900 empresas de internet nos EUA foram adquiridas.
O número de demissões também não é tão alto se levarmos em conta a quantidade de vagas abertas em todos os Estados Unidos para a área de desenvolvimento. Infelizmente a pesquisa não relaciona o perfil dos funcionários que perderam seus empregos, mas duvido que na lista apareçam muitos desenvolvedores e programadores web.
Vamos dar um pouco mais de ênfase neste item. Posso assegurar que para profissionais Java, onde atuo e conheço um pouco o mercado, a busca por desenvolvedores é cada vez maior.
Só para ilustrar o quanto o mercado está à caça de talentos, a última reunião do Sou java recebeu a visita de uma headhunter da consultoria Catho, em busca de profissionais com experiência em Java.
Visitei o site da empresa em 8 de janeiro e fiz uma busca de vagas por linguagens de desenvolvimento. Os resultados: Visual Basic 162; Delphi 147, Java 136, HTML 94, ASP 76, C/C++ 37 e Perl/PHP 2 vagas.
Apesar de Visual Basic e Delphi aparecerem com mais vagas, o número de candidatos por vaga em Java é bem menor. Ou seja, aqueles que conhecem a plataforma Java estão mais próximos de conseguir uma colocação.
Com pouco mais de cinco anos de vida, Java aparece bem colocada e conta com mais de 1 milhão de desenvolvedores no mundo. Só na última edição do JavaOne, realizado na Califórnia em 2000, compareceram mais de 25 mil desenvolvedores de vários países.
Apesar de não ter um número tão representativo no Brasil, o número de usuários Java vem crescendo a cada dia. Só o Soujava possui mais de 1200 usuários inscritos, com cerca de 600 nas listas de discussões.
A demanda por desenvolvedores Java existe principalmente pela adoção da plataforma na construção de sistemas corporativos. Em todo mundo o número de ofertas de emprego para quem domina a linguagem só vem crescendo. O mesmo para quase todas as linguagens de desenvolvimento web, inclusive ASP, Delphi, JavaScript, Perl, Phyton, PHP e C/C++.
Aqueles que numa empresa internet desenvolvem um trabalho importante para a companhia estão numa posição de estabilidade. O site Clickjobs, mais dentro do perfil de equipes web, continua apresentando diariamente ofertas de trabalho para designers, programadores e desenvolvedores. As ofertas, na verdade, vêm aumentando.
Mas vamos por um pouco o dedo na ferida – quem está com o emprego em risco? Aqueles que são onerosos e têm pouco valor agregado ao serviço correm grande risco de estar na lista de cortes, no próximo mês ou quando aquele investidor der o fora.
Assim como a Nasdaq tinha ações super valorizadas, no mercado internet também há salários totalmente fora da realidade. Quem faz parte deste time deve analisar se o trabalho desenvolvido tem sido importante para o sucesso da companhia.
Ficar explorando os benefícios de uma pontocom pode ser arriscado. Na matéria Os estragadinhos da web o Michel mostra um outro concorrente à demissão. Neste ótimo artigo, ele comenta sobre os novos profissionais que trocam de emprego como trocam de roupa. Por outro lado, aquele que conhece bem o negócio da empresa tem mais chances de escapar ileso das tesouras.
Uma notícia boa para fechar o artigo: as expectativas para o próximo ano são de crescimento, principalmente para as empresas que ainda não estão na internet. Estas devem aumentar o investimento em 2001. Segundo a análise da IDC , a economia online está agora começando a receber os negócios da economia offline dos Estados Unidos. Segundo John Gantz, vice presidente sênior da IDCs e autor de "2001 Predictions", os investimentos mundiais em atividades online durante 2001, incluindo tecnologia e infra–estrutura de negócios, devem chegar a marca de U$ 700 bilhões.
O Brasil tem um certo delay em relação aos Estados Unidos, mas de qualquer forma são previsões otimistas. Todos aqueles que fazem um trabalho honesto e realmente agregam valor à empresa estão numa posição segura. Seja um desenvolvedor Java ou VB, um editor de matérias para uma publicação online ou alguém que dê manutenção nos micros. Um bom profissional sempre estará empregado. [web insider]

