Privacidade no e-mail é sempre relativa
13 de dezembro de 2000, 0:00Cuidado com o que você escreve: sem você saber, alguém dentro do seu provedor de acesso pode acionar filtros internos de sua caixa postal e drenar informações previamente selecionadas.
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Na matéria anterior (A insegurança do e–mail, veja ao lado), conhecemos o tenebroso redirecionador que pode estar, agora mesmo, em atuação na sua caixa postal. Usando o redirecionador, um funcionário do provedor de acesso também pode criar filtros de forma a canalizar informações previamente selecionadas por ele.
Sejamos práticos. Abra o seu cliente de e–mail (Eudora, Outlook, Pegasus etc) e procure a opção Filtros. Através de um filtro, você pode escolher que determinado remetente seja listado em uma cor diferente, que determinadas mensagens sejam automaticamente reencaminhadas para uma outra pasta… e assim por diante. As opções são diversas.
Igual ao programa de e–mail, o servidor que hospeda suas mensagens também possui filtros, que podem ser configurados internamente em sua caixa postal. Imagine que você receba 500 e–mails por dia. O funcionário – ou qualquer um com maiores acessos dentro do seu provedor – interessado em descobrir uma certa particularidade, pode acionar um filtro que indicará, por exemplo, quando uma palavra específica for escrita.
Há algum tempo dizer isso soaria loucura, mas a melhor saída para quem não quer se preocupar com a privacidade invadida por funcionários intrometidos é o uso de uma conta de e–mail gratuita, dentre as dezenas existentes pela internet, para suas mensagens mais particulares.
Acredite: você está mais inseguro dentro do seu provedor do que em um serviço gratuito, onde quer que o serviço esteja baseado. Quando ocorre um invasão ou uma falha de segurança em um grande serviço de e–mail gratuito, o barulho é grande. Em provedores, não é difícil alguém conseguir entrar no sistema escondido; só que os clientes não ficam sabendo.
Por este ponto de vista, o uso de contas no exterior é funcional e eficiente. Paralelamente, você fica com mais liberdade de olhar e receber e–mails onde quer que esteja, já que a maioria dos serviços atuais possuem opções de checagem via POP3, isto é, por um programa convencional de correio.
Existem, porém, medidas mais técnicas. É o caso do PGP, sigla de Pretty Good Privacy. O PGP é um sistema de criptografia interessante para troca de documentos e mensagens. Bastante seguro, sua maior desvantagem é a inconveniência e falta de praticidade. É impossível implantar PGP em viagem, por exemplo, quando você quer olhar seus e–mails rapidamente e responder os mais importantes. Falaremos mais sobre o PGP em próximas matérias. [web insider]

