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Carreira - Pequenas empresas

Michel Lent Schwartzman
Web à vista

Os estragadinhos da web

11 de dezembro de 2000, 0:00

Demanda e explosão inflacionada de mercado cria geração de jovens profissionais um tanto problemáticos.

Por Michel Lent Schwartzman

Meu caro colega executivo, o que eu vou lhe falar não é novidade alguma. Hoje aqueles que recrutam e formam equipes para trabalhar dentro do mercado de internet enfrentam freqüentemente um personagem muito conhecido: o estragadinho da web.

Varia o grau de intensidade e as formas de manifestação, mas no final os sintomas são quase sempre os mesmos. Costuma atacar sempre os mais jovens, especialmente aqueles entre 20 e 25 anos. Exacerba a auto–estima, infla o ego, inflaciona a noção salarial e, o mais alarmante em muitos casos, atrofia o talento, a qualidade do trabalho e o desenvolvimento profissional.

É uma cena devastadora.

Depois de peneirar muito dentre as dezenas de currículos pavorosos que te enviaram, você agenda uma tarde de entrevistas para a vaga júnior que abriu no seu departamento e começa a romaria dos horrores.

O ideal é agendar as entrevistas de 30 em 30 minutos para acabar logo com o sofrimento. Porque, a rigor, depois de tanto entrevistar gente, você já tem condições de saber se o candidato presta ou não com seis segundos de papo. O resto é só encheção de lingüiça para a pessoa não achar que foi lá à toa, ou que você é maluco de contratá–la tão rápido.

Independente de você estar contratando web(eca)designer, web(eca)writer, web(eca)producer, web(eca)programador, ou web(eca)seja–lá–o–que–for, situações como esta muitas vezes se repetem.

Você começa a entrevista revendo o currículo da pessoa já procurando uma rápida e sintética conclusão para a conversa. A proposta salarial já está na ponta da língua, o candidato já sabe qual é a função, você só precisa confirmar algumas coisas:

– "Você está se candidatando para a vaga de web(eca)designer que a gente abriu. Vi que você passou por quatro empresas nos últimos seis meses. Imagino que você não deve ter tido experiências boas nestes lugares" – pergunto abrindo a conversa.

– "Eram lugares legais, mas não me davam o devido valor. Achei que precisava encontrar um lugar onde meu talento fosse realmente reconhecido e eu tivesse oportunidade de crescer" – rebate o candidato.

– "Você é designer mas nunca chegou a estudar design. Vi que você está estudando Letras à noite. Qual é ligação?" – e imagino uma linda resposta sobre teorias de linguagem linear x interativa.

– "Ah, eu não preciso estudar design. Já tenho emprego e ganho bem. Estudo Letras por que é de noite e perto da minha casa" – vem o balde de água fria.

Em pouco mais de seis segundos já sabia que o candidato não ia servir. Mas, não sei por que, resolvi passar para o capítulo ‘grana’.

– "Sei. Olha, então vamos falar de grana. Baseado na tua experiência e portfólio, o que eu posso te oferecer para começar são 800 reais, mais os benefícios que a empresa oferece. Acho que é um começo legal" – e realmente achava. Afinal, todo mundo tem direito à possibilidade de crescimento.

– "Ih, 800 é? Sei. Bom, na verdade é o seguinte: essa é a terceira entrevista que eu faço essa semana e nas outras me ofereceram mais de 3 mil. E na realidade, eu já fechei com uma outra empresa" – dispara o candidato para a minha total e estapafúrdia surpresa.

– "Aha. Entendi. Então você já aceitou outra oferta? E por que estamos aqui conversando?" – indago, indignado.

– "Não, é que eu queria ver se você fazia uma oferta melhor e queria vir aqui conhecer o lugar" – fecha o web estragadinho, com chave de ouro.

Este foi apenas mais um episódio de uma novela um tanto triste. Estamos agora convivendo com, e vendo sofrer, uma geração de jovens profissionais em início de carreira com valores muito distorcidos. Muita gente talentosa, com capacidade de crescimento e um futuro brilhante à frente, mas que se encontra completamente perdida.

São vítimas de um mercado muito novo, praticamente sem história e tradição,que já esteve inundado de dinheiro, onde os bons (e os maus) profissionais vinham sendo disputados literalmente a peso de ouro.

Um mercado onde quem tem 22 anos e "mexe" com internet há quatro quer e pode se considerar veterano. Um lugar que não tem executivos do ‘ramo’ e todas as pessoas mais experientes são migradas de outras áreas.

Então, como convencer esse garoto que saca tudo de Fireworks, é disputadíssimo pelo mercado e ganha, muitas vezes, mais do que o pai e a mãe dele juntos, que ele ainda é inexperiente, que ele está em começo de carreira? Como é que um ‘astro’ da web vai respeitar um chefe que nem sabe fazer GIF animado?

O que fazer para alertar estes "web estragadinhos" que o mercado já está mudando e que a oferta de vagas já está diminuindo, junto com os salários? Um artigo como esse, será que ajuda? [web insider]

Sobre o autor

Michel Lent SchwartzmanMichel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é publicitário e especialista em mídias interativas.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: [ formação profissional ]

Comentários

4 pessoas comentaram o artigo "Os estragadinhos da web"

josé andré Data: 08/11/2007 às 10:17 am

Atividade: programador

Cidade: são bernardo do campo

então o artigo tem um cunho meio radical é verdade que existem profissionais com excesso de supervalorização mas também não é legal fazer esse tipo de afirmação sobre o mercado já que se o profissional tem talento merece ser bem remunerado para isso..mas também é o seguinte..o profissional mesmo no inicio de carreira tem que se valorizar..

Tony Ferraz Data: 13/03/2008 às 9:51 am

Atividade: Gerente de Projetos

Cidade:

Bom, compreendo que na sua função de diretor, vc queira pagar pouco para um cara jovem.

Mas se fiz o “link” corretamente, e “estragadinho” tem 4 anos de experiência, vc mesmo disse que ele pode se considerar um veterano, e valhe muito mais que 800 reais.

Seu artigo vai na contra-mão da realidade do mercado, onde faltam (e não transbordam) profissionais qualificados. Onde alguns meses de cursinho na impacta “formam” web designers que barateiam o preço do seu produto cobrando R$ 300,00 por um site, que inunda a internet de lixo… Como vc vai convencer seu cliente que sua campanha vale X, se o sobrinho dele q fez cursinho cobra X/1000?

Vai por mim, valorize o profissional que vc valoriza seu produto na 10 minutos.

No final, o que define o valor de um profissional é sua qualificação. Um cara que não consegue compreender a ligação entre o curso que faz e o seu trabalho, pra mim, não merece muito, mas pra um profissional qualificado, 800 reais é um nada de salário e 3000 está mais do que justo.

Fabio Pimentel Data: 17/05/2009 às 9:31 pm

Atividade: Publicitário

Cidade: São Paulo

Este texto tem quase nove anos e a coisa ainda está uma porcaria, só que hoje, os estragadinhos da web estão no poder, é, eles, os donos de agências que recebem rios de dinheiros por bannerzinhos que lhe custam R$ 120,00 cada. Muita gente trabalhando na área fez o custo do profissional ficar muito baixo, o dono de agências se aproveitam disso, passa o tempo o dono esquece, esquecendo coloca um profissionall sem qualificação para fazer o trabalho do melhor cliente de sua agência, o trabalho sai péssimo e vai para o cliente, o cliente reclama muito e diz que o trabalho da agência ee uma porcaria, o dono da agência bravo vai lá e bota a culpa no diretor de criação que por sua fez despede o profissional, mas para não ficar sem um profissional contrata outro na correria pagando menos ainda e diz ao dono da agência que agora vai, o dono da agência coloca este profissional para fazes o trabalho do segundo melhor cliente da agência, o trabalho sai péssimo e vai para o segundo melhor cliente, o segundo melhor cliente reclama muito e diz que o trabalho da agência ee uma porcaria, o dono da agência bravo vai lá e bota a culpa no diretor de criação e o despede, para não ficar sem profissional, sobe de cargo o seu último profissional contratado pelo diretor de criação despedido, este contrata outro profissional, mas com medo de ser um melhor que ele, se esforça para contratar o pior de todos, contrata e coloca o terceiro melhor cliente da agência, que no momento de tornara o primeiro melhor cliente da agência. Bom, vou parar aqui e dizer que o diretor de criação abriu uma agência e tem como clientes os dois primeiros clientes da agência que trabalhara e está fazendo um trabalho ótimo pagando péssimos salários considerados ótimos para os recém formados por estarem trabalhando com um profissional reconhecido no mercado publicitário.

Carlos Alexandre Data: 21/09/2009 às 4:39 pm

Atividade: Publicitário

Cidade: Ribeirão Preto, SP

Caramba e esse texto ainda é de 2000? Só pode ser pegadinha…

Avisos
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