Webinsider

Criação

Sergio Kulpas
Tevê

Realidade virtual de verdade

24 de novembro de 2000, 0:00

Tele–imersão pode realizar o sonho do videofone.

Por Sergio Kulpas

Depois de tantas décadas de ficção–científica e fracassos no mundo real, a realidade virtual pode estar encontrando seu caminho para entrar no cotidiano das pessoas.

Brinquedos à parte, os sistemas de realidade virtual que realmente "funcionam" hoje são usados por grandes empresas e pelos militares em treinamentos especiais, e custam centenas de milhares ou mesmo milhões de dólares.

O aperfeiçoamento de sistemas mais baratos e mais eficientes pode permitir o surgimento do "escritório virtual": colegas de trabalho situados em cidades diferentes ao redor do mundo poderão se comunicar "face a face" por meio de projeções em tempo real, e assim fazer reuniões e discutir projetos.

Essa parece ser a promessa da "Iniciativa Nacional para Tele–Imersão" (National Tele–Immersion Initiative), uma rede de pesquisas formada por algumas das principais universidades dos Estados Unidos. A NTII reúne pesquisadores e laboratórios da Brown University, da Universidade da Carolina do Norte e da Universidade da Pennsylvania. Há empresas associadas ao projeto, com a empresa de tecnologia Advanced Network & Services, de Nova York.

Os projetos da NTII se dividem em vários grupos de trabalho, que tentam resolver as dificuldades da transmissão de sons e imagens em 3D em tempo real. Câmeras especiais, projetores, sistemas de compressão de áudio e vídeo, até mesmo novos protocolos para o uso da internet estão sendo desenvolvidos.

O objetivo é chegar a sistemas que permitam uma "tele–imersão" completa.A tele–imersão, como o termo sugere, combina essas várias tecnologias digitais de som e imagem para mergulhar o usuário em uma simulação muito convincente.

O sistema de tele–imersão que a NTII está desenvolvendo deve permitir que pessoas espalhadas pelo planeta possam se reunir em um "escritório virtual", um espaço de trabalho onde os participantes se sentirão como se estivessem na mesma sala. O ambiente de "imersão" é coalhado de sensores que detectam a posição dos objetos, os movimentos das pessoas e até a direção do olhar. Os computadores levam todos esses dados em conta e projetam para cada participante imagens que se comportam com realismo tridimensional.

A NTII espera interessar inicialmente as empresas, pela redução de custos em viagens de negócios que um sistema desse pode permitir. Mas existem muitas outras possibilidades para a tele–imersão. Áreas como a medicina, a educação, e a pesquisa científica seriam muito beneficiadas pela disseminação de ambientes imersivos. Basta lembrar que a World Wide Web teve como ponto de partida a difusão de imagens do CERN, um laboratório de física avançada na Suíça.

Arquitetos e engenheiros poderão usar a tele–imersão para discutir projetos e design, combinando a comunicação com modelos gerados em tempo real pelos computadores. O diagnóstico médico poderá ser feito à distância, especialmente em locais de difícil acesso como plataformas de petróleo ou estações orbitais, sem que o especialista precise viajar até o paciente.

Nas experiências feitas pela NTII, os participantes usam capacetes munidos de câmeras, sensores e um visor de lentes polarizadas, para que as imagens que chegam a cada olho sejam ligeiramente diferentes: isso cria a ilusão da imagem tridimensional (como aqueles óculos de lentes coloridas usados para assistir os antigos filmes em 3D).

Os problemas ainda são muitos. A transmissão deve ser feita em velocidade muito alta, senão a imagem e o som ficam truncados, dando "pulos", o que arruina o realismo do ambiente virtual. Atualmente, os cientistas estão conseguindo três atualizações da imagem por segundo, o que faz com que a imagem fique "saltada". O ideal seria que a imagem se atualizasse dez vezes por segundo, para captar todas as mudanças nas expressões faciais.

Por isso é crucial a criação de novos protocolos que para transmitir o ambiente em 3D pela internet. Um desses protocolos em desenvolvimento chama–se "Virtual Reality Transfer Protocol", (protocolo de transferência para realidade virtual, ou VRTP). O VRTP deve permitir servidores e clientes possam gerenciar o fluxo de imagens, sons e outros dados sem perda aparente na qualidade. A documentação detalhada sobre essas pesquisas pode ser vista nesta página.

Outros grupos participantes da NTII estão literalmente reinventando a óptica e a acústica para aumentar o realismo da tele–imersão. Uma equipe formada pelaUniversidade da Carolina do Norte e Universidade de Utah desenvolveu um sistema que usa doze câmeras digitais para fornecer um campo de visão de 360 graus. Cada usuário pode se mover de modo independente na imagem total, e o sistema cria a ilusão de um ponto focal comum nas projeções.

O diretor da NTII é Jaron Lanier, um dos pioneiros mundiais da realidade virtual. Segundo Lanier, a tecnologia deverá ser amplamente usada em telemedicina até 2005. As empresas devem adotar a tele–imersão por volta de 2007, quando o conceito de "escritório virtual" deverá estar amadurecido. As residências só começarão a experimentar a tecnologia na forma de aparelhos de comunicação e entretenimento em 2010. [web insider]

Sobre o autor

Sergio KulpasSergio Kulpas (sergiokulpas@gmail.com) é jornalista e escritor.

Apoio:

  • LayerDev Serviços de Webhosting Profissional

Palavras-chave relacionadas a este texto: Sem Categoria

Comentários

Ninguém comentou o artigo "Realidade virtual de verdade"

Avisos
Os ítens com asterisco ( * ) são campos de preenchimento obrigatório.
Todos os links inseridos nos comentários possuem o atributo rel="nofollow" para impedir com que user agents (como os mecanismos de busca) sigam os links inseridos para desestimular spammers.
Todos devem se identificar através de e-mail válido.
Os e-mails dos usuários não serão divulgados no site.
Comentários:

Preencha os dados abaixo e clique em enviar

Webinsider