Mídia de massa é outdoor
22 de novembro de 2000, 0:00Desmassificação da TV e hipersegmentação da mídia ameaçam a Aldeia Global.
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Bons os tempos de "Vale Tudo", com Gal Costa gritando "Brasil, mostra a tua cara". Meus olhos se juntavam aos outros milhões de pares espalhados por esse mundão brasileiro, diariamente no horário nobre estabelecido pela mamãe Globo.
Na mesa do bar, o assunto era figurinha fácil. A megera Fátima brigando com a simpática e pura Raquel, a vendedora de sanduíches da praia carioca, o país ligadão pela estória da TV.
E toma tempo e tecnologia. Progressão geométrica do avanço micro–eletrônico, chip, silício, fibra–ótica, celular, magnético, ressonante, interativo.
No chopp com os amigos, alguns comentam: "legal os novos comerciais do MacDonalds ensinando português!" Que comerciais?
Na revista de TV, como sempre se fez, estampada a cara de mais uma "namoradinha sei lá do que", estrela de maior sucesso da Globo. Que sucesso?
No corre–corre das mudanças e avanços tecnológicos da virada do milênio, a mais profunda das subversões imagináveis começa a tomar o mundo em (quase) silêncio: a desmassificação da TV e a hipersegmentação da mídia.
Tio Mcluhan se chacoalha no caixão e a aldeia global se pulveriza. Cada um vê o que quer, lê o que lhe interessa e se a "cidade grande" já afastava as pessoas nos tempos das grandes redes de TV, o que dirá agora, que a gente começa a não saber em que novela a nossa gostosona favorita está!
Enquanto o broadcast não termina de vez, as TVs vão baixando o nível de sua programação, de olho onde não chegou a fibra nem o satélite. A oferta ainda é pequena, mas seu eu tenho NET e você tem TVA, pelo menos alguns canais a gente tem em comum.
Os últimos grãos escorregam pelo vidro da minha ampulheta, contando os segundos para a fundição da Internet com a TV. Bau–bau senso comum. Nunca mais veremos o mesmo.
Mídia de massa daqui pra frente, só os outdoors da Avenida Brasil. [web insider]
