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Comportamento - Tecnologia

Japoneses preparam robôs para o público

21 de novembro de 2000, 0:00

Fabricantes japoneses acreditam que a próxima década será cheia de robôs humanóides ajudando em tarefas domésticas e de escritório. Eles já enxergam e obedecem comandos de voz.

Por Fabiano Denardin (Oggh)

A Sony anunciou no Japão a criação de um robô com aparência humana que supera amplamente o cachorro Aibo – na verdade, pode até chutar o cãozinho.

O novo robô, o SDR–3X, tem 34 juntas e realiza movimentos básicos como andar, mudar de direção, levantar, balançar a perna, dançar e chutar. Tem 50 centímetros de altura e pesa 5 quilos. Seus movimentos podem ser controlados pela voz, por meio de dois microfones na orelha, e é capaz de reconhecer cerca de 20 palavras pré–gravadas, segundo o fabricante.

O humanóide não tem previsão de preço nem data para ser vendido. Será apresentado na Robodez 2000, exposição de "Robôs companheiros", realizada de 24 a 26 de novembro no Japão, informou a Reuters.

O robô da foto não é o da Sony, mas o da Honda. Sim, também a Honda Motor, segunda montadora de automóveis do Japão, anunciou um robô humanóide mais sofisticado, medindo 1,20 metro e pesando 43 quilos, ainda sem planos de comercialização. É o Asimo, que anda e na foto cumprimenta Hiroyuki Yoshino, o presidente da corporação que o criou.

No princípio da robótica a sua aplicação se restringia a montagens repetitivas e precisas, principalmente na indústria automobilística. Robôs, como imaginamos e como vemos em filmes eram apenas uma possibilidade remota e motivo de chacota. Mas os japoneses nunca desistiram.

No entender de fabricantes como Sony e Honda, as aplicações para as criaturinhas de aço e circuitos eletrônicos são muitas – garçons em restaurantes (o que já existe), office boys e até assessores no trabalho de casa, como a Rose, dos Jetsons.

A Sony, depois dos animais de estimação, tem no singelo e bípede SDR–3 (lembra muito um pequeno astronauta), um salto evolucionário, já que a movimentação em duas pernas era uma grande barreira para a criação de robôs que mimetizem melhor o ser humano.

O SDR–3 utiliza dois processadores RISC para coordenar, dar equilíbrio e possibilitar o movimento. Com capacidade de reconhecimento de voz e imagem, a Sony prepara o terreno para ensinar seu robô a "ver" e "ouvir" – um desafio ainda mais complexo que o do movimento em duas pernas e implica em complexos processamentos em "real time". Aparentemente a inteligência artificial está um pouco distante ainda.

É um passo adiante em um futuro ainda nebuloso. Se dependesse da literatura, principalmente de Isaac Asimov (A Fundação, O Homem Bicentenário) e Philip K. Dick (Blade Runner), já teríamos robôs e replicantes andando entre nós e nos servindo – ou não.

A ciência, ao contrário da literatura, caminha a passos pequenos, mas determinados. Agora o autômato consegue chutar uma bola; no futuro, qual será o limite? Na história e nas lendas os robôs tem sido um mito. A primeira concepção de um autômato provavelmente está ligada à religião católica, com Adão, o homem feito do barro, a imagem e semelhança do seu criador. Por essa ótica o homem seria uma espécie de robô.

Um rabino nos brindou com histórias de Golems, que seriam criaturas incompletas feitas de barro, pedra, ou outras substâncias, animadas graças a palavras de origem divina (nomes de deus) gravadas em sua cabeça ou dentro da sua boca. Esse conto foi uma das bases para a novela, batidíssima, mas referência obrigatória quando se fala em robôs, Frankenstein, de Mary Shelley.

Para apimentar, traduzo um trecho de uma citação apocalíptica de Scholem, estudioso do Misticismo Judaico: "Construir Golems é perigoso, como todas as criações maiores ela põem a perigo a vida do criador. A fonte do perigo, todavia, não é o Golem… mas o próprio homem." [web insider]

Sobre o autor

Fabiano Denardin, o Oggh (fabiano.denardin@gmail.com) é publicitário.

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