Tudo ao mesmo tempo, agora
08 de novembro de 2000, 0:00Uma humilde tentativa de explicar o que afinal de contas aconteceu com a promessa da internet.
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"Oh–oh. A Nasdaq caiu mais quatro pontos. A empresa não vale nem 30% do que valia. O segundo round não vai mais sair, pelo menos não este ano. Precisamos reavaliar nossas metas. Rever os planos de expansão, enxugar pessoal".
Soa familiar? Já ouviu alguma destas expressões nas últimas semanas? Se você trabalha com internet, é impossível não ter escutado.
O fenômeno é claro, estampado em todos os jornais. Do mesmo jeito que estava subindo, agora desce. O grande milagre, a revolução, a Nova Economia se desfazendo diante dos nossos olhos.
Por quê?
Humildemente, apresento a minha teoria. E a frase que resume o problema, para mim seria ‘Tudo ao mesmo tempo, agora’.
Vindo de deus–sabe–onde, de uma hora para outra, fomos todos soterrados pela grande revolução da internet. Uma avalanche de novas idéias, empresas, conceitos, projetos, investimentos, profissionais, teorias, escolas, produtos, revistas, artigos, notícias. Tudo ao mesmo tempo.
Vamos pegar um paralelo.
Na indústria, como regra geral, existem projetos e invenções que ficam engavetados, às vezes por décadas, esperando o momento certo para que sejam lançados ao mercado. Idéias muito boas, tão boas, que lançá–las antes do tempo poderia ser um grande desperdício. O público simplesmente não estaria pronto para entender aquele produto, ou ainda estaria distraído com sua última compra.
O conceito não é difícil de compreender. Quantas vezes você trocou de televisor nos últimos quatro anos? Depois da invenção da TV a cores, qual foi a grande novidade no mercado de TVs? Tela plana, picture–in–picture, e vai parando por ai. Por que? Será que ninguém no planeta teve alguma idéia genial para lançar no mercado de TVs?
O raciocínio é básico: não se lança grandes novidades porque as pessoas só trocam de TV a cada tantos anos. E as pessoas levam tantos anos porque é o tempo que precisam para curtir o que já têm ou assimilarem uma novidade.
Portanto, não importa o quão genial seja uma idéia, lançar no mercado antes do momento pode ser queimar um cartucho. Deu pra sentir um paralelo do que eu estou falando com a internet?
Quantas idéias novas apareceram nos últimos oito meses no mercado de internet? Alguém consegue contar? Novos conceitos, novos produtos, novas idéias, novos sites, e para cada categoria, dezenas de concorrentes. Mas quantas vezes você trocou seu modo de viver nos últimos quatro anos? Quem já está preparado para absorver isso tudo?
A relação para mim não podia ser mais direta: simplesmente, foram lançadas muito, mas muito mais idéias para a internet do que o mercado jamais teria capacidade de consumir, assimilar, conhecer.
É uma questão de ritmo. Por mais genial e incrível que nos pareça ser esta revolução e este novo mundo para o qual estamos caminhando, a velocidade da evolução e da adaptação do homem às novidades, simplesmente não acompanha. Não quer dizer que não vá acompanhar. Não quer dizer que a gente não vá chegar onde quer chegar.
Acredito que esta revolução vá mesmo acontecer. Acredito que vamos mesmo ter uma Nova Economia, novos formatos, novas sociedades. Mas no tempo e no ritmo que o mundo quiser. [web insider]

