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A profissionalização do cliente

11 de setembro de 2000, 0:00

O que fazer quando o cliente que encomenda um site tem na cabeça uma idéia da qual você discorda e está certo de que é a maior furada?

Por Nenhum

Marcos Veiga

Quem trabalha com algum tipo de mídia e nunca passou por isso? O cliente te procura, cheio de planos, idéias, desejos e anseios. Você o atende da forma mais profissional possível. Faz o briefing de tudo o que ele precisa e, munido desse briefing, parte para o trabalho. Produz, junto a sua equipe, tudo o que foi solicitado, usando ao máximo a experiência e o conhecimento dos profissionais envolvidos.

Com a proposta pronta, você convoca o cliente para apresentar o resultado obtido com todo esse processo. E aí começam todos os seus problemas e, de tabela, os do seu cliente. Quando está quase tudo acertado, o cliente olha para você e diz:"Não era assim que eu estava imaginando". Ele não se identifica com o projeto simplesmente porque oprojeto não está com a "cara" que ele idealizou.

Um dos grandes problemas quando se projeta o design de um site é quando o cliente geralmente já tem na cabeça uma idéia elaborada do que quer. Em geral, uma idéia não muito original, mas já testada, aprovada e, provavelmente, originada nos Estados Unidos. Ele não vai querer arriscar com você e com sua equipe, não é? Afinal, somos somente brasileiros…

Aí não adianta você explicar que focinho de porco não é tomada. Que você tem anos de mercado e conhece razoavelmente o usuário brasileiro. Que este não se comporta como o americano, como duramente aprendeu o megaprovedor AOL em sua difícil estréia no Brasil. Isso quando ele não leu nas revistas que a internet é uma mina de ouro e acredita que vai faturar milhões desenvolvendo um site semelhante a uma daquelas maravilhas da nova economia que borbulham na Nasdaq.

Uma solução, se é que existe, seria a profissionalização do cliente, para que ele realmente entenda a mídia em que está se envolvendo. Mostrar alternativas e argumentar sua proposta até o ponto de não se restar nenhuma dúvida. Provar sempre que o caminho sugerido é o melhor para se atingir as metas pretendidas.

Fazer uma reunião bem detalhada do pré–projeto já é um bom começo. Reuniões abertas e francas, onde se deixe bem claro a relação cliente/empresa. Deixá–lo informado através de newsletters e indicando sites e revistas que realmente tenham informações úteis sobre negócios relacionados ao projeto. Mantê–lo sempre atualizado do andamento e das etapas do site. Ter tudo muito bem especificado em contrato – isso evita que entrem etapas no projeto que não foram solicitadas inicialmente.

Explique para ele tudo de novo. Muitas vezes isso tudo não adianta nada. A carapaça da cabeça do cliente é resistente demais para que ele aceite que não pode, nem deve, estar à frente de um projeto onde ele não entende o desenrolar do processo.

Quando isso acontece, os caminhos seguidos pelos profissionais são diferentes. Uns mais resignados simplesmente recusam o trabalho. Não aceitam fazer um trabalho pouco profissional que comprometa o seu nome e o da sua empresa. Outros aceitam o trabalho, pois precisam acertar as contas no fim do mês e não têm alternativa. Em geral não o assinam o job para manter um pouco da dignidade ferida. E se alguém perguntar se é dele aquele site de gosto duvidoso, ele jura de pés juntos que não. [web insider]

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