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Michel Lent Schwartzman
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O túnel do tempo da internet

06 de julho de 2000, 0:00

A chegada do WAP embarca o mundo numa curiosa viagem aos primórdios da Web.

Por Michel Lent Schwartzman

Demorei um pouco a me ligar nesse tal de WAP e confesso que ainda continuo bastante cético quanto ao assunto. Não que não acredite na tecnologia, ou não ache maravilhosa a idéia da internet sem fio e no bolso de cada um no meio da rua. Mas o que tem me chamado | atenção sobre essa história toda de WAP e me pegou de susto quando finalmente consegui navegar de verdade na tela de um celular na semana passada (até então, como a maioria esmagadora dos brasileiros, só conhecia de fotos e reportagens), foi uma curiosa sensação de dejavú.

Não sei quantos nerds de plantão estão lendo este texto, ou mesmo quantos anciãos internautas me escutam agora, mas quem é que se lembra do Gopher, sistema com navegador que usávamos antes da grande revolução da gráfica da Web lá pelos idos de 90?

Para quem não se lembra ou nem sabia que internet existia nessa época, era mais ou menos assim. Para ter acesso | Rede, você precisava estar dentro de uma universidade ou instituição de pesquisa diretamente plugado no backbone, ou acessa–las remotamente via modem. O acesso | Rede era feito quase que exclusivamente através de computadores rodando UNIX, totalmente em modo texto em telas monocromáticas. O acesso remoto começou a ser oferecido pelo Alternex (IBASE), no Rio de Janeiro, a partir de modems de 2400bps (ou para os moderninhos, 9600bps). O uso principal era para e–mails, mas um sistema chamado Gopher te permitia entrar em outras instituições acadêmicas e de pesquisa e olhar informações em modo texto. Não dava para ir muito além de pesquisar os títulos dos livros de uma biblioteca na Califórnia.

Ao começar a usar o WAP, a semelhança com o sistema Gopher me pareceu inevitável. De repente, toda interface gráfica da Web desaparece e estamos de volta a navegar em modo texto e com informações limitadas a velocidade do sistema e ao que o espaço da tela nos permite. Quase 10 anos depois e | beira da revolução da banda larga, nos deparamos com uma tremenda viagem ao túnel do tempo da internet e vemos o pipocar de aparelhos e formas de acessar a internet que são praticamente uma reinvenção da própria Rede, desta vez indo pelo ar.

Não é para dizer que o WAP não vai revolucionar a oferta de serviços e a forma como fazemos negócio. Não é dizer que a internet na mão e na rua não vai mesmo mudar a forma como vivemos. Mas queria aproveitar esse momento em que o WAP ainda é um estranho nas nossas vidas e ainda não foi incorporado ao nosso cotidiano para falar dessa curiosa semelhança e sensação de recomeço.

~I muito engraçado ver a grande sensação que o WAP está causando agora, exatamente como a que a internet pré–histórica causou naquela época. Estamos todos de volta a encarar telas verde e preto e navegação a 9600bps em modo texto, usando basicamente para e–mail e ainda sem saber muito para o que vai servir e achando o máximo.

Bem–vindo ao WAP, o túnel do tempo da internet! [Webinsider]

Sobre o autor

Michel Lent SchwartzmanMichel Lent Schwartzman (michel@lent.com.br) é publicitário e especialista em mídias interativas.

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