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A usabilidade, o designer e os gurus

28 de junho de 2000, 0:00

Nem todos os gurus de internet são iguais. Jakob Nielsen e Roger Black são escravos demais de regras rígidas, mas Tom Peters dá valor | diferença.

Por Nenhum

Marcos Veiga

Quando lemos um livro sobre usabilidade temos a impressão de que tudo o que há de ruim na web é culpa de um designer. E que este é uma espécie de praga que se alimenta de bytes e figurinhas 3D.

Com a necessidade de oferecer velocidade de acesso e compatibilidade de browser, as empresas se apegam | s regras da usabilidade e da navegação para poder chegar ao usuário na frente da concorrência .

O serviço, a rapidez e a facilidade de uso são as regras mais vigentes nas empresas americanas. A competição do mercado americano pela fidelidade do usuário – que quando não gosta do serviço ou da velocidade do acesso, pula para o concorrente – é a principal responsável por tamanha economia de bytes.

Os ditos "gurus" da internet batem tanto nessa tecla que se esquecem do fato de que o design de um site pode ser o seu diferencial. E que o design tem função além de apenas deixar o site bonitinho.

Jakob Nielsen, em seu livro "Designing Web Usability", coloca que 90% dos designers não seguem ou não querem seguir as normas simples de usabilidade. Fico em dúvida se a afirmação é verdadeira. Afinal, o que ele considera um designer?

Considerar como webdesigner uma pessoa que não conhece ou segue as regras básicas da web, como usabilidade e arquitetura de navegação, é o mesmo que dizer que é um designer gráfico um profissional que não sabe mandar um arquivo para a gráfica. Ele pode ter um belo trabalho estético, mas ainda está incompleto em sua formação profissional.

Um outro dos ditos "gurus" é o designer Roger Black, autor do livro "Web Sites que Funcionam". Ele recomenda o uso de vermelho e preto quase como uma regra para os sites (os flamenguistas iam adorar). O livro não passa de uma auto–propaganda descarada, onde o sujeito dita regras para quem quer fazer design na web.

Ao menos Tom Peters está do lado dos designers. Considerado o guru mais caro em gestão empresarial, fez as seguintes afirmações: "Se você não for distinto será extinto". Outra dele: "Utilize o design como fator de diferenciação, mesmo que isso signifique assumir riscos. Veja os exemplos do iMac e do New Beetle."

Os empreendedores e desenvolvedores brasileiros não encaram a web com tanta racionalidade como as pontocom americanas. O usuário brasileiro já busca, além de um bom serviço, uma qualidade visual confortável, com a qual ele se identifique.

O design deve sim ser o diferencial de um site. Como em uma mídia convencional, a imagem, o texto, a síntese etc. fazem parte do site. ~I lógico que devemos seguir todas as regras de internet, mas o mais apropriado é o bom senso entre a usabilidade e o design, a engenharia e a estética, um como complemento essencial do outro.

Afinal, na internet ainda é tudo tão novo e tão sem referência que as regras se fazem em tempo real com a experiência adquirida após cada trabalho realizado, com possibilidades de novas mudanças e alterações constantes até que se tornem uma verdade. Ou não.[Webinsider]

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