09 de agosto de 2012, 21:12
É a essência do design centrado em pessoas e o embasamento teórico está na Ergonomia.
Motivada por uma grande profusão de comentários por aí e de empresas que oferecem “design thinking” como mais um produto de sua prateleira, resolvi me pronunciar um pouco sobre o assunto.
Design thinking, pra quem não sabe, é, literalmente, o pensar do design levado para cadeiras ou profissionais de marketing, administração e gestão. Mas acabou se tornando uma “disciplina” e um processo ao passo que Tim Brown assim a lançou, com metodologia e tudo, em seu livro com este nome. Só que não há novidade quando se entende o processo.
Para quem leu o livro em português e não pescou ou em inglês e desconhece o termo, aqui vai uma explicação: “human factors” é um outro nome para a disciplina Ergonomia, principalmente assim chamada nos Estados Unidos. E “fatores humanos”, como foi traduzido aqui, não é apenas uma expressão no texto, mas uma referência a essa disciplina que estuda o comportamento humano durante a interação com um produto, serviço ou em dada circunstancia e situação.
Tudo se baseia em pesquisa e metodologias como Observação (em caixa alta porque é um dos métodos da Ergonomia), Entrevistas Estruturadas, Análise da Tarefa, Avaliação de Usabilidade, Cenários e Personas, etc.
O grande mérito do fundador da IDEO foi elevar esse pensar do design ao patamar da inovação sob a ótica da responsabilidade social – na saúde, principalmente.
Com a participação de pessoas num processo de criação conjunta (ou co-criação para usar os termos da moda), em uma simulação ou na real situação pesquisada, Tim Brown e sua equipe puderam perceber as reais necessidades das pessoas em dada situação, as circunstâncias envolvidas no momento, suas limitações ou percepções culturais (que levam a modelos mentais específicos) para então fazer a pergunta certa e chegar numa solução que provavelmente não era a do problema percebido mas de outro não percebido, este sim, de fato a causa de todo o desarranjo.
Apenas com esse pensar, afirmou ele e dissemina-se agora, é possível de fato inovar e não apenas aprimorar alguma coisa. Sim, porque olhar para o problema de forma obtusa só faz com que seja possível aparar as arestas.
Mas se temos a chance de observar e entender as pessoas envolvidas com o processo em todo um contexto e histórico que as levam a fazer alguma coisa daquela forma, bem como associar isso à analise de situações semelhantes mas não necessariamente afins, só assim teremos o poder de pensar em algo que realmente faça diferença.
Acho ótimo que esse termo tenha ganho tanto destaque e esteja tão em voga – afinal é a essência do design centrado em pessoas (ou ergodesign, como batizou minha gurua Anamaria de Moraes), forma como enxergo o meu trabalho. Só acho que deve-se referenciar a origem de tudo e o verdadeiro embasamento teórico: a Ergonomia.
Convido a leituras complementares a este post:
Usabilidade não nasceu ontem e tem história
Modelo Mental: conheça algumas definições
Inovação Radical
Uma homenagem pessoal à Anamaria de Moraes: Ergonomia, Fatores Humanos e Divinos
Posicionamento da MaisInterface
[Webinsider]
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Sobre o Autor:
Palavras-chave relacionadas a este texto: [design thinking] [ergonomia] [inovação]
2 comentário(s)
Data : 15/08/2012 às 10:02
Cidade: RJ
Atividade: Fonoaudiologia/Pedagogia
Excelente texto, claríssima a explicação. Busquei este assunto para entender melhor como atuar com alunos com algum tipo de limitação, que ocupam os espaços escolares totalmente sem acessibilidade.Continuo lendo, buscando entender como atender melhor. Parabéns!!!!
Roberto Todesco Sobrinho
Data : 19/08/2012 às 12:50
Cidade: Sorocaba
Atividade: arquiteto e professor
muito boa sua iniciativa. assim teremos um canal de troca de conhecimentos e experiências. grato.