Muita tecnologia da informação, pouca qualificação profissional

29 de junho de 2012, 08:57

Apesar do grande crescimento do uso da tecnologia por todas as áreas, há uma escassez crônica de profissionais gabaritados e com a excelência necessária. Por quê?

Por Bruno Chuahy

Em pleno século XXI, quando enfrentamos o boom da tecnologia que vem facilitando muito a vida de todos, s deparamo-nos com um novo e sério problema. Vivemos uma crise em relação aos nossos profissionais. O que vemos é uma grande procura do mercado e, em contrapartida, pouca capacitação dos centros de formação – cursos técnicos, faculdades e universidades.

Dois motivos importantes para a falta de profissionais qualificados são o ensino defasado e o foco na teoria, no qual percebo que as universidades não alinham as reais necessidades do mercado com o que é passado em sala de aula. O mercado hoje busca cada vez mais conhecimento aplicado, enquanto os cursos de formação continuam com foco maior na parte teórica.

Um terceiro motivo é a falta de investimentos em pesquisas, seja por parte do governo ou até mesmo por parte das empresas privadas, pois os investimentos dão abertura a criação de novas tecnologias e abrem portas para o próprio mercado de trabalho. São poucas instituições que recebem esse apoio, apesar de os resultados dessa parceria serem sempre positivos para ambos os lados.

Vale lembrar que o problema com o ensino atinge todas as áreas e não apenas a de TI. O ideal seria que o governo melhorasse os critérios para regulamentação dos cursos superiores – no caso das instituições privadas – e adequar as grades dos cursos, tendo o mercado como principal referência. Esse ponto deveria ser válido tanto para as universidades públicas quanto para as privadas. É importante que os cursos superiores na área de tecnologia existentes sejam adequados na mesma velocidade que o próprio assunto avança. Dessa maneira as instituições contribuiriam para a formação de profissionais qualificados, onde o mercado tenha condições de absorver.

Podemos notar que a maioria das grandes empresas têm vagas abertas na área de TI, pois não conseguem encontrar os profissionais capacitados. O mercado de TI tem um déficit de profissionais, assim como em outras áreas e o fato de sobrarem vagas não significa que elas serão ocupadas por qualquer um. As exigências são grandes e as empresas procuram profissionais cada vez mais completos. É uma área em que se paga bem, mas com uma escassez de profissionais evidente.

A boa notícia é: nem tudo está perdido! Mesmo sem o apoio do governo e das universidades, os profissionais ainda podem correr atrás do prejuízo e se mostrarem qualificados. Mesmo com o mercado nesta situação, perde espaço quem não está atualizado, porém é possível conquistar uma oportunidade nessa área.

A dica que eu dou é observar quais são as tendências do mercado e buscar aprimoramento nas áreas relacionadas. Investir na carreira e na equipe é regra necessária, afinal, profissionais bem preparados sempre têm garantia no mercado. A chave para o sucesso é criar um diferencial, destacar-se no meio da multidão. Seguindo todos os passos com calma, podemos esperar dias melhores para a área de TI e seus profissionais. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

Bruno Chuahy é diretor da Trigital. Empresa especializada em Tecnologia da Informação com foco no mercado privado, produtos e serviços voltados para melhoria da produtividade e redução de custos das empresas.

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Palavras-chave relacionadas a este texto: [Formação profissional] [qualidade profissional] [Tecnologia]

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Comentários

5 comentário(s)


Data : 27/07/2012 às 17:31
Cidade: Brasília
Atividade: Analista de Suporte

Meu caro, também discordo do ponto de vista.
A teoria é muito importante. Não podemos criar equilibristas que se apoiam em cilindros ocos de conhecimento, pois em algum momento podem ruir.
Muitas vezes, os práticos conhecem apenas as ferramentas e não a tecnologia em si. Não podemos ter "progranalistas" que se apoiam em RADs e ter códigos inchados e sem base técnica. "Experts em Rede" que só conhecem os equipamentos da fornecedor mais top e desconhecem o funcionamento de protocolos e como determinadas aplicações se falam.
Concordo com o Sr. Sidney que diz que as faculdades precisam fornecer a parte teórica e as empresas/mercado forneça o modus operandi.
Os alunos podem ser iguais, mas a vivência os molda. Uma pessoa por ter a prática e funcionar bem em uma empresa e não em outra.
Contudo, fico triste com a falta de qualificação. Infelizmente, pela falta de um conselho regional - como, por exemplo, o CREA ou CRA -, qualquer um pode ser um "Analista de Sistemas" sem fazer um curso de Ciência da Computação, Analise de Sistemas ou Processamento de Dados.

Data : 03/07/2012 às 00:09
Cidade: Rio de Janeiro
Atividade:

Caro Bruno, infelizmente discordo da sua opinião. Acredito que as Universidades precisam e devem focar na parte teórica, a parte prática deve ser fornecida pelo mercado. Acho que a quantidade de vagas abertas em TI está mais relacionada a ganância das empresas e ao mundo em que vivemos. Um exemplo : Se eu possuo todas as qualificações que uma empresa exige para eu ser contratado, por quê não abrir a minha empresa?
Uma pergunta : Na sua empresa Trigital vocês valorizam mais o foco na prática do que na teoria?
Pois bem lá vai um aviso, entrei no site da sua empresa e na seção de oportunidades existe a seguinte palavra PRETENÇÃO SALARIAL, quando o correto seria pretensão.

[ 3º ]
Mayara Pereira

Data : 02/07/2012 às 16:43
Cidade: Rio de Janeiro
Atividade: Jornalista

Olá,

Eu sou Mayara Pereira, jornalista do Núcleo de Comunicação e Design (NCD) do Instituto Infnet, responsável pela atualização de notícias no site do TI Master. Gostaria de saber se é possível um entrevista com o autor da matéria para realização de uma notícia sobre esse tema.

Obrigada,

Aguardo resposta,

Mayara Pereira

[ 4º ]
Zélia Oliveira

Data : 29/06/2012 às 19:12
Cidade: Belo Horizonte, MG
Atividade: Consultora de Coaching

Muito bom tema e abordagem. Sucesso! Abraços!

Data : 29/06/2012 às 10:09
Cidade: São Paulo / SP
Atividade: Desenvolvimento de Software

Para um profissional manter-se atualizado requer esforço, tempo e dinheiro. Além disso, o universo de TI é bastante volátil pois novas tecnologias vêm e vão, nem todas se consolidam no mercado mesmo sendo promissoras.
Estes 2 fatores dificultam a escolha das opções de quais caminhos deve-se seguir para se manter atualizado e na vanguarda. O dilema decorrente cria 2 opções básicas para o profissional de TI. A primeira é gastar tempo e recursos na atualização e "contar com a sorte" para que a tecnologia escolhida se consolide no mercado. A segunda é ficar sempre "um degrau atrás" e dedicar os seus recursos somente em tecnologias consolidadas que nem sempre estão na vanguarda.


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