12 de novembro de 2010, 14:01
É difícil priorizar e atribuir valor às habilidades de um gerente de projetos. De qualquer modo, a atividade há muito deixou de ser algo amador e intuitivo, pois exige conhecimento, assertividade e profissionalismo.
Os resultados do benchmarking em Gerenciamento de Projetos de 2009, realizado pelos 13 chapters brasileiros do Project Management Institute, estimulam diversas reflexões.
Um dos itens de pesquisa neste benchmarking foi “habilidades valorizadas em um gerente de projetos”. As 300 organizações da amostra mencionaram 12 itens:
Analisando a sequência dos itens e seus percentuais, identifica-se o mind set das organizações brasileiras. É propício debater quatro questões dos resultados.
O item “conhecimento em gerenciamento de projetos”, terceiro da lista com 33%, evidencia que a profissionalização da área já é efetivamente reconhecida pelas organizações no País.
As questões que abraçam a gestão de pessoas (trabalho em equipe e gerenciamento de conflitos) aparecem nas discretas 9ª e 10ª posições, com 18% e 15% de citações.
A gestão de pessoas é da maior importância na execução dos projetos, pois as pessoas são responsáveis pelos “deliveries” no prazo e com a qualidade esperada. Gerir pessoas é desafiador, pois elas têm diferentes interesses, experiência, vivências, origens culturais e background. A gestão de pessoas em projetos compreende a habilidade de incentivar, orientar, dar feedback, integrar e reconhecer o desempenho dos profissionais.
O resultado da habilidade “comunicação” em 2º lugar, assinalada por 41% da amostra, indica consistência com os problemas apresentados pelas organizações neste mesmo benchmarking, quando 76% delas mencionaram o item “comunicação” como a primeira das 18 causas-raiz dos problemas em projetos.
A comunicação em projetos é abrangente, englobando a relação do gerente com a equipe, patrocinador, cliente, usuários, fornecedores, e por vezes, mídia. A comunicação do gerente abrange a realização de reuniões, elaboração de atas concisas, confecção e acompanhamento de planos de ação, divulgação de relatórios de status e progresso do projeto.
A habilidade “organização” foi mencionada por apenas 8% das organizações, aparecendo em uma preocupante 11ª colocação. É inadmissível que um gerente de projeto não tenha um excelente senso de organização!
Organização em projetos é para todos, favorecendo a padronização, o acesso à documentação e à informação, facilitando a evolução das atividades. As Pastas de Projeto, com conteúdos previamente definidos, devem ter documentos atualizados.
Em suma, é difícil priorizar e atribuir valor às habilidades de um gerente de projetos. De qualquer modo, tem-se a certeza de que gerenciar projetos há muito deixou de ser algo amador e intuitivo, pois exige conhecimento, assertividade e profissionalismo. [Webinsider]
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Palavras-chave relacionadas a este texto: [gerência de projetos] [gestão] [Planejamento]
1 comentário(s)
Evandro Temperini
Data : 15/12/2010 às 14:16
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Fica a dúvida: será que todas as empresas que responderam sabem exatamente o que faz (ou o que deveria fazer) um gestor de PROJETOS?
Pra estimular a discussão, deixo duas questões:
1) Quem gere PROJETOS tem a obrigação de manter as pessoas motivadas? Ou isso é papel da empresa e de seu RH ou qualquer outro setor específico?
2) É possível ser assertivo sempre, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado? Onde a política e o "jogo de cintura" deve entrar em campo realmente?
MINHA opinião:
As empresas atiram para todos os lados para manter seus colaboradores motivados justamente por não saberem fazer isso. E por isso, acabam jogando essa responsabilidade, também, em quem deveria focar no controle e monitoramento dos PROJETOS e não das PESSOAS.
E no fim das contas, quando contratam alguém com o perfil que tanto "buscam", acabam por transformá-lo em um político para atender às suas próprias ideologias e necessidades.
Ou seja, sendo curto e grosso: dizem procurar algo que eles mesmo não conseguem sustentar pois com um Gestor de Projetos fazendo realmente seu papel, as falhas no processo, de comunicação e também pessoais, começarão a aparecer... e quando isso tudo chega lá em cima é que a gente vê quanto as empresas estão preparadas para ouvir, compreender e experimentar, se reinventar. E pra isso, quantas estão DE VERDADE?