Renata Zilse

Interface

Montando aulas

28 de maio de 2009, 11:59

É uma experiência muito mais fascinante para o professor quando os alunos são interessados e estão lá por vontade própria.

Por Renata Zilse

Dar aulas era meu objetivo durante o período do mestrado. Sonhava em fazer parte do corpo docente de uma universidade e ser professora de graduação. Tive essa experiência ao mesmo tempo que fui sendo convidada para aulas de pós-graduação. Hoje afirmo: fico com a segunda.

Não sei se pelo sistema brasileiro de ensino, a graduação é hoje simplesmente – para a maioria dos alunos e nas universidades em que trabalhei (particulares apenas) – uma maneira de se conquistar um diploma para entrar no mercado de trabalho.

Isso ocorre por dois motivos, a meu ver: o Brasil não oferece nenhuma oportunidade para pessoas de nível técnico; talvez por conta do primeiro motivo, o título de graduação é obrigatório!

Isso na verdade está levando a um outro desvio: não basta a graduação. Para se diferenciar no mercado tem que ter um Mestrado(!). Ou seja, não aprender muito na graduação é um ?fato? e para ter um bom currículo é melhor que se faça logo uma pós, de preferência stricto sensu. Visão fatalista de uma cultura que em vez de buscar e exigir mudanças, cria subterfúgios para ?conviver? com os erros do país! Gerando lucros para algumas instituições que, obviamente, querem alunos-reféns…

Mas a verdade é que uma boa pós é cara e o aluno que chega lá está em busca de conhecimento. Porque quer, não porque seus pais (a sociedade) o obrigam. Ele resolveu que quer aprender mais sobre determinado assunto.

É, para o professor, uma experiência muito mais fascinante!

Estou aqui preparando minhas aulas para o próximo curso de pós de Ergodesign de Interfaces: Usabilidade e Arquitetura da Informação na PUC-Rio. Organizando a teoria e elaborando as práticas, pensando em como acontecerão as dinâmicas durante os dois módulos de 9 aulas no total. Passar minha vivência e experiência em desenvolvimento de sistemas interativos e projetos de arquitetura da informação.

Sei que aluninhos ansiosos por receber informações, de ouvidos e cabeça abertos, estarão lá me esperando. E também exigindo mais das minhas aulas. Isso é que me estimula. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

Renata Zilse (renata@maisinterface.com.br) é designer com mestrado em design e arquitetura da informação, dirige a MaisInterface, o site Clickjobs e mantém o blog Interface.

Palavras-chave relacionadas a este texto: [Educação e ensino] [Formação profissional]

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Comentários

8 comentário(s)


[ 1º ]
Fabiano

Data : 14/07/2009 às 10:56
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Esse discurso é o que menos se precisa em educação no Brasil. Todos passam a culpa para o outro. São os estudantes que não prestam, depois é o governo, depois o professor e ai está o ciclo vicioso em que vivemos.

Se cada um não assumir a sua responsabilidade, vai ficar assim. Pessoas com diploma de mestres e doutores discutindo de quem é a culpa.

É deprimente ver que uma pessoa estuda para escrever algo como este seu texto. Chega ser insano. Para dar aula não é só fazer um mestrado ou doutorado, é preciso como em qualquer outra profissão, ter VOCAÇÃO.

O problema é que muitos mestres e doutores estudam detalhes como o nascimento de pêlo nos ratos da Índia. Não enriquece em nada a sociedade, são estudos para encher lingüiça. E pior ainda, não estão preocupados em estudar as teorias relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem. E ai, o mestre para proteger-se de suas próprias fraquezas, coloca a culpa em quem? Claro no processo, na faculdade no estudante. Fácil assim.

Não adianta colocar a culpa no governo do Brasil. É a mesma coisa nos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha...

O que precisa é que cada um assuma a sua parte e FAÇA!

Data : 08/06/2009 às 14:13
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estou fazendo a pos-graduaçao e com certeza aguça a nossa mentalidade e os recursos ideologicos sao outros. parabens e muito obrigado.

[ 3º ]
Leo

Data : 02/06/2009 às 11:53
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Pois é.

Mas será que conseguimos um nível de conhecimento bacana nessas universidades hoje em dia, ou, a maioria dos profissionais capacitados para tal função estão em pós-graduações ou especializações distintas ?

[ 4º ]
Ronaldo

Data : 02/06/2009 às 11:09
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Também assino embaixo o artigo. Quem faz uma pós realmente quer estudar. A Pós abre a mente. Quanto à graduação, muitas vezes ela tem cursos que somos obrigados a fazer porque faz parte do currículo e talvez por isso acabamos por fazer, como você disse, apenas para conquistar um diploma. Ou problema da idade - afinal, estamos falando de um período em que o jovem está saindo da adolescência e muitas vezes não tem certeza do que vai fazer.
Eu fiz graduação em ARTES e pós em DESIGN. Mas atualmente temos várias outras opções de estudo que vai se acordo com os nossos objetivos: MKT, GESTÃO, TECNOLOGIA...

[ 5º ]
Renata Zilse

Data : 02/06/2009 às 10:59
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Réplica: talvez seja radical a afirmação de que o Brasil não ofereça oportunidade para pessoas de nível técnico. Vagas existem e muitas vezes faltam especialistas deste nível. Mas culturalmente somos um país que cobra formação superior de seus cidadãos.

[ 6º ]
Vamoss

Data : 02/06/2009 às 09:44
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Oi, gostaria de fazer está Pós! Aparece na Cobal hoje para conversamors sobre o assunto :)

Eu não dou aula, mas na perspectiva de aluno sei como é duro ser professor as vezes.

Discordo um pouco:
o Brasil não oferece nenhuma oportunidade para pessoas de nível técnico

Acho que o mercado sempre terá espaço para aqueles de conhecimento prático. Mestrado, Pós e até graduação não tem foco prático como um técnico.

Pra mim, a questão central de se estar no mercado, é o quão você o conhece, e o quanto você sabe trabalhar nele. Independente do diploma que carrega.

Abraços.

[ 7º ]
Wellington

Data : 30/05/2009 às 22:25
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Fazer algo por fazer não é a resposta certa, mas por imposição do mercado todos entram nessa mare de faça pós, faça graduação e etc.

Devo fazer faculdade:

http://www.akitaonrails.com/2009/04/17/off-topic-devo-fazer-faculdade

[ 8º ]
Bruno Rodrigues

Data : 28/05/2009 às 18:34
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Renata, assino embaixo - minhas experiências com graduação foram péssimas. Bem diferente das com pós, que sempre são boas.


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