[ Branding ] [ Design ]

Renata Zilse

Interface

Vamos falar da sua marca?

11 de setembro de 2008, 14:50

Evento Brazil Design Week procurar mostrar aos empreendedores o valor do design.

Por Renata Zilse

Falar de marca hoje tem um nome: branding. Embora mais um termo em inglês sem tradução e que condensa conceitos que certamente já conhecemos, esse deve-se guardar uma especial atenção. É um assunto relacionado a gestão, marketing e design e todas as empresas devem pensar e trabalhar nisso.

Está acontecendo essa semana no MAM (no Rio) o Brazil Design Week, um evento excelente totalmente voltado para o mundo corporativo ? os clientes dos escritórios de design, na verdade ? realizado pela Abedesign, uma associação brasileira de empresas de design. Só uma passadinha pelos stands já vale a visita. São 38 expositores ? entre instituições como a própria Abedesign, a Firjan, o Sebrae e vários escritórios de design ? que mostram a excelência do design brasileiro.

Devemos reconhecer que os estrangeiros perceberam a excelência do design antes de nós. Já está mais do que na hora dos empresários ? infelizmente ainda não tão presentes no evento ? olharem para dentro do próprio país para localizar a empresa de design que melhor se alinhe e atenda suas necessidades relacionadas à marca.

Mas que questões são essas?

Temos sentido nesses últimos dez anos um amadurecimento no mercado brasileiro. Pequenas empresas (ou algumas vezes até grandes, mas pouco conhecidas) alcançam patamares de faturamento e status internacional nunca vistos. Certamente impulsionadas pela economia interna, hoje mais forte e promissora, mas também pela própria necessidade de sobrevivência.

Essa virada se deu através de um trabalho forte de marca: desde processos internos (incluindo pessoas) até a ?experiência? de marca junto ao seu público (não mais tratados como ?consumidores?).

Alguns exemplos foram dados nas palestras de Lincoln Seragini (Seragini/Farné), Luciano Deos (Gad), Ronald Kapaz (Oz) e Ana Couto (Ana Couto Design), de empresas que passaram por esse processo e hoje estão em uma posição garantida no mercado: Bandeirantes Brinquedos, Oi, Claro, Ampla, Alpargatas, Hortifruti e outras. Todas investiram numa coisa: design.

Sim! Falar de marca é falar de design, mas da maneira mais primitiva e conceitual do termo: desenvolvimento de soluções. E design, como todos apontaram, é a profissão (eu diria até o ?negócio?) do século XXI. As empresas podem investir muito em propaganda ? tentando empurrar goela abaixo do seu público coisas vazias ? mas é no investimento em design que está a receita do sucesso. Com desenvolvimento de soluções corretas, adequadas, usáveis, úteis, causadoras de experiências positivas e também bonitas. Aliás, o ?belo? foi tratado por Kapaz como a conjunção de todos esses atributos, aquilo que ?dá forma à alma?.

?Século XX: a propaganda é a alma do negócio. Século XXI: o design é a alma do negócio.? (Seragini)

Segundo Kapaz, ?uma disfunção de identidade causa uma dor estética?. Investir em design é antes de mais nada entender (e na maioria das vezes repensar) a própria empresa. Seu posicionamento estratégico, seus processos, políticas internas, pessoas e motivações, fornecedores, tecnologia, equipamentos, capacitações, capacidades financeiras e logística etc. Enfim, entender a ?dor? da empresa, conversar muito com seus sócios, gerentes e também representantes de todas os níveis hierárquicos. Sentir o seu dia-a-dia. Entender a ?sensação? que sua marca causa nas pessoas que a consomem.

É importante entender que ?marca não é só visual: está em todas as dimensões sensoriais? (Deos) e que uma pesquisa concreta hoje (design innovation) envolve disciplinas como antropologia (Seragini)!

?Produtos são feitos em fábricas. Marcas são feitas e existem apenas na cabeça do consumidor? (Deos).

Pensar a marca da empresa é analisar a fundo toda a sua história, como chegou onde chegou, como funciona atualmente e onde pretende chegar. É determinar suas estratégias de diferenciação ? ainda que sua estratégia não seja inovação (exemplo da Pepsi).

Segundo Luciano Deos, as estratégias de diferenciação podem ser:

  • Tecnologia: envolve esforço e investimento
  • Processos: logística
  • Inovação: ato contínuo
  • Marca: experiência vivida pelas pessoas que a absorvem (para não usar o termo ?consomem?).

?80% do valor de mercado das companhias correspondem aos ativos intangíveis e marca é o ativo intangível de maior valor?. Basta olharmos para Google, Coca-Cola, Nike e outras tantas marcas conhecidas por praticamente todas as pessoas no mundo que mais do que identificarem seu logotipo, percebem e sentem o que elas representam ? cada um a sua maneira (de acordo com cultura, idade, classe social), mas certamente com a sua filosofia como real ?identidade corporativa?. Porque possuem um ?posicionamento único, claro e diferenciado?.

Ronald Kapaz soltou algumas frases para reflexão, que escrevo aqui mas infelizmente não consegui anotar todas as fontes:

?Pensar é desenhar em sua mente?
?Não existem fatos, só interpretações? (Nietzsche)
?Não vemos as coisas como são. Vemos como nós somos.? (Anais Nin)

Se o design é a profissão do momento, que empresas e empresários reconheçam o seu real significado para que um trabalho de marca possa ser construído a partir da sua essência. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

Renata Zilse (renata@maisinterface.com.br) é designer com mestrado em design e arquitetura da informação, dirige a MaisInterface, o site Clickjobs e mantém o blog Interface.

Palavras-chave relacionadas a este texto: [Comunicação corporativa] [Formação profissional] [publicidade]

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Comentários

7 comentário(s)


[ 1º ]
Ana Hissa

Data : 13/10/2008 às 15:36
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Parabéns pela sua visão tão esclarecedora sobre design, todos os empresários deveriam ler este artigo.

[ 2º ]
Monthiel

Data : 24/09/2008 às 11:37
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Olá,

Não sou profissional de design, nem de interação, nem de comunicação, nem de branding e nem mesmo de mercado. Mas, no entanto, tenho que dizer que teu artigo está fabuloso. As empresas que pensarem firmemente em Design, terão suas marcas por todo o globo. Claro, fazendo uma fusão: Design, Marketing e produtos de qualidade.

Forte abraço,
Monthiel

[ 3º ]
Sandro Torres

Data : 22/09/2008 às 13:25
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Concordo com a matéria. O que ainda percebo no mercado é uma briga incoerente entre as ferramentas. Designers dizendo que o poder da embalagem substituirá os anúncios e Agências de Promoção defendendo a Experiência de Marca como principal fator de sucesso é mentira. A mídia sempre será importante no processo de construção de marca / top of mind. O design ajuda demais na otimização do investimento em comunicação, devido ao alinhamento de personalidade / posicionamento de Marca. Porém até um Merchandising aplicado
de forma inteligente (sem interrupção) tem sua importância.

[ 4º ]
Roberto Cooper

Data : 12/09/2008 às 09:42
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Belo artigo. Talvez queira explorar um pouco mais a questão da percepção. Ou, se for ousada, a importância da irracionalidade (simbólico) no processo decisório humano. O modelo cartesiano de pensar não responde mais às questões que lançamos.
Sei que é um blog de designer, mas pode ser que queira se aventurar por um pouco de filosofia aplicada. Filosofia na prática.

Data : 12/09/2008 às 08:53
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Parabéns pelo belo post, certamente as empresas devem dar mais valor aos profissionais da área de design, por que como já foi citado acima no post no século XXI o design é a alma do negócio. E o brasileiro é capaz de fazer trabalhos melhores do que os estrangeiro, pode ser que o povo lá fora descobriu o design primeiro mais quem aperfeiçoou e deu aquele toque brasileiro fomos nós.

Data : 11/09/2008 às 16:56
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Formidável o artigo Vamos falar de sua marca?. A autora passa aos leitores a importancia e o significado da marca no mundo corporativo, exaltando a necessidade de reconhecimento do profissional em design pelo empresariado brasileiro.

Data : 11/09/2008 às 16:46
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Muito bom o texto. Se os empresários vissem dessa forma, com certeza teria muitas empresas dando uma alavancada nos seus negócios.


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