Teoria e prática são duas faces da mesma moeda

15 de janeiro de 2008, 16:48

Ensino, aprendizado e conhecimento: a reflexão crítica não deve ficar circunscrita à sala de aula, mas contemplar o universo compreendido pela instituição de ensino, pela comunidade e pela sociedade.

Por Armando Terribili Filho

Os debates entre teoria e prática são infindáveis. Os defensores da prática alegam que a teoria é pouco efetiva, uma vez que sua aplicação é sujeita a condições específicas e particulares. Por outro lado, aqueles que defendem a teoria alegam que os conceitos são as verdadeiras fontes do saber e do conhecimento.

Os argumentos utilizados por quem defende o pragmatismo e os teóricos são fortes, consistentes, providos de lógica e amparados por vivências e valores pessoais ? talvez por isso os posicionamentos se mostrem tão parciais.

As respostas a esses embates podem ser embasadas nos estudos acerca das teorias do filósofo e professor norte-americano John Dewey (1859-1952) e de seu seguidor (orientando em seu doutoramento) Donald Schön (1930-1997) sobre o ?Professor Reflexivo?.

Segundo Dewey, o aprendizado só ocorre quando há uma situação de problema real para se resolver. Com base nos conhecimentos teóricos e na experiência prática é possível solucionar o problema passando por cinco fases: caracterização da situação problemática; desenvolvimento da sugestão, observação e experiência; reelaboração intelectual; e verificação dos resultados.

A fase mais relevante neste processo é a reelaboração intelectual, por se caracterizar pela formulação de novas idéias, cuja riqueza é diretamente proporcional aos conhecimentos, vivência e experiência da pessoa.

O ?Professor Reflexivo? deve efetuar o coaching de seus alunos, auxiliando-os a ?aprender a pensar? a partir de seus conhecimentos e experiências. Para alcançar esse objetivo, pode estimular o raciocínio dos estudantes por meio de perguntas, questionamentos, apresentações de premissas (verdadeiras e falsas), simulações e debate de conclusões.

Neste enfoque, o aluno deixa de ser o ?objeto? de ensino do professor e passa a ser o ?sujeito? de seu aprendizado. Intencionalmente, o termo ?coaching? não foi traduzido para o português porque representa, na língua inglesa, aquele que lidera, treina, ensina, monitora, acompanha, incentiva e encoraja.

Aprender a decidir

De acordo com os pensamentos de Schön, a formação dos profissionais passa por uma prática orientada com um forte componente na reflexão a partir de soluções de problemas reais, possibilitando que o profissional em formação enfrente situações novas e aprenda a tomar decisões.

O conhecimento é demonstrado pelos profissionais quando executam uma ação, mas há três conceitos diferentes de reflexão relacionados a ela:

  • reflexão na ação ? é o pensar o que se faz no decurso da ação sem interrompê-la, provocando reformulação do que está sendo feito, pois o profissional vivencia situações que extrapolam suas experiências prévias, tendo, porém, o conhecimento como base para a ação;
  • reflexão sobre a ação ? reconstrução mental da ação, analisando-a retrospectivamente e incorporando-a ao seu repertório de experiências adquiridas;
  • e, reflexão sobre a reflexão na ação ? é o processo que leva o profissional a progredir no seu desenvolvimento e construir sua forma pessoal de conhecer.

Se, por um lado, a reflexão na ação pode ser considerada um processo mental quase automático, a reflexão sobre a ação é intencional, exigindo da pessoa pré-disposição e vontade.

O conjunto de reflexões sobre a ação é que determina a construção do saber, que pode ser considerada uma conseqüência das reflexões intencionais efetuadas.

Desta forma, o ?Professor Reflexivo? é aquele que estimula e incentiva seus alunos a refletirem, seja na ação, sobre a ação ou na reflexão sobre a ação. Por isso, é imperativo que este profissional seja um ?professor-pesquisador? ? capaz de despertar em seus alunos curiosidade, discussão e interesse pela busca de novas idéias e conceitos ? e tenha uma atitude de estímulo, incentivo, receptividade, responsabilidade e empenho.

A reflexão crítica não deve ficar circunscrita à sala de aula, mas contemplar o universo compreendido pela instituição de ensino, comunidade e sociedade.

Se ?aprender é aprender a pensar?, podemos concluir que ?ensinar é ensinar a pensar?, e este é o papel do ?Professor Reflexivo?. Pelas palavras de Dewey de que ?ninguém é capaz de pensar em alguma coisa sem experiência e informação sobre ela?, voltamos à nossa questão original sobre teoria e prática: se queremos ?pensar? sobre alguma coisa, temos de ter a experiência e a informação sobre ela.

Teoria e prática são, portanto, elementos indissociáveis da mesma moeda: o conhecimento humano. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

<strong>Armando Terribili Filho</strong> é diretor de projetos da Unisys Brasil e professor da Faculdade de Administração da FAAP.

Palavras-chave relacionadas a este texto: [Educação e ensino] [Formação profissional]



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Comentários

11 comentário(s)


Data : 21/04/2012 às 21:35
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[...] se havia um ciclo de retroalimentação entre teoria e prática. Ele propõe, então, o conceito de reflexão na ação, o momento em que você pára de agir mecanicamente, pensa sobre a situação e tenta fazer melhor. [...]

Data : 25/10/2011 às 15:42
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procuro um tema para escrever meu tcc.apesar de estar no 1ºano.me interesso muito sobre o assunto de teoria e pratica.quero fazer um otimo trabalho, se tiver alguma dicapor favor, me envie.
antecipadamente agradeço.
abraços fabiana.

Data : 25/05/2011 às 06:20
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Olá..Gostaria muito de receber isso por e-mail...Esse estudo é realmente muito interessante!
Obrigado..
Até mais pessoal

[ 4º ]
DANYELA

Data : 11/04/2011 às 20:12
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para bem

[ 5º ]
Viaene

Data : 02/12/2009 às 20:34
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Teoria sem pratica e um prato sem comida.

[ 6º ]
Paulo

Data : 04/10/2009 às 00:15
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Por trás de toda prática, há uma teoria. Paulo Freire
Nada podemos fazer sem a teoria. Ela sempre denotará a prática por uma simples razão: a prática é estática. Ela realiza bem o que conhece. Contudo, ela não tem nenhum princípio com que possa lidar no caso do que não conhece... A prática não está adaptada aos rápidos ajustamentos oriundos de mudanças no meio ambiente. A teoria é versátil. Ela adapta-se a mudanças e circunstâncias, descobre novas possibilidades e combinações, perscrutando o futuro. Urwick, 1952.

Data : 23/06/2009 às 14:14
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Gostei muito da materia,estou adorando as aulas de voces,beijos.Maria Neide aluna da FTC Juazeiro Bahia.

[ 8º ]
eliane

Data : 14/04/2009 às 11:16
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Gostei muito da matéria, como vivo em busca do conhecimento.
desde já fico-lhes grata

[ 9º ]
zenaide

Data : 23/02/2009 às 23:08
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gostaria de receber este artigo em meu e-mail

Data : 08/04/2008 às 14:39
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Este material é riquissimo,de suma importância para reflexões com nossos profesores.

Data : 17/01/2008 às 22:16
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Atuo em uma instituição de ensino longe da sala de aula, porém, perto dos alunos que fazem estágios nas agências experimentais. Minha reflexão sobre as atividades dos alunos e a minha também é que o dia a dia profissional nada mais é que a prática exaustiva da reflexão. Difícil, porém, é conter o ímpeto de quem acaba de entrar numa universidade e está ávido por manusear equipamentos e mostrar seus potenciais. Aí a reflexão fica para depois, além disso, a tecnologia cresce tão geometricamente que, para acompanhá-la, os alunos dispensam a reflexão, ideal para momentos de conflito e de decisão que certamente encontrarão na vida profissional. A reflexão, sem dúvida é essencial para formação dos cidadãos no período de estudos, principalmente se for mesclada com a aprendizagem técnica. Difícil, me parece, é ensinar a refletir enquanto os softwares querem nos tirar até mesmo este direito prometendo analisar dados e planilhas excluindo da mente humana o direito de refletir. Vale olhar para frente e pensar no que realmente a sociedade deseja: cidadãos tecnicamente viáveis ou pessoas capazes de argumentar e pensar sobre a própria máquina.


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