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Para fazer bonito no festival de Cannes 2005

11 de julho de 2004, 0:00

O Brasil ganhou 23 Cyber Lions, sensacional. Mas se fomos tão bem no campo das idéias, há muitas lições a serem aprendidas até o ano que vem em relação ao uso de vídeo e som em sites e campanhas.

Por Nenhum

Cezar Calligaris



O Brasil foi o campeão na categoria Cyber Lions, com vinte e três leões conquistados por dez empresas diferentes. Melhor impossível.

Mas, assim como nos ensinam os esportes, quando se ganha uma competição é preciso pensar na próxima. Apesar da supremacia brasileira, depois de tantas comemorações é preciso colocar o pé no chão e ver realmente quantos centímetros, metros ou quilômetros estamos à frente de nossos concorrentes.

Assim como nas outras categorias do festival, no campo das idéias o Brasil é campeão absoluto. É o famoso “fazer muito com o pouco que se tem”. Imagine uma corrida em que todos os pilotos usam os mesmos carros – o mesmo chassi, o mesmo motor, os mesmos pneus. Vence aquele que realmente é o melhor piloto. Na internet existem condições em que as restrições técnicas (Kbytes, softwares e formatos) igualam as condições de competitividade. É o caso das campanhas online, em que o Brasil foi disparado o melhor. O modo de pensar não convencional dos brasileiros (que os espanhóis demonstraram também ter) está a quilômetros de distância do pensamento lógico de outros competidores.

A história muda, porém, quando se fala em produção. Passando de campanhas para sites, o Brasil levou um show e precisa correr para recuperar o atraso. A diferença na qualidade dos sites premiados é visível e indiscutível.

Os sites de carros, que já se destacaram com BMW e Volvo em edições anteriores, voltaram a mostrar sua força. Em 2004 apresentam recursos de vídeo e produção que dificilmente empresas brasileiras teriam condições de alcançar, tanto técnica quanto financeiramente.

A ameaça à supremacia brasileira é a evolução técnica natural das campanhas online, que se tornam cada vez mais filmes interativos. À medida que a produção começa a dificultar a viabilização das idéias geniais brasileiras, corremos o risco de perder a liderança, como ocorre na categoria Filmes.

No campo técnico, há muitas lições a serem aprendidas e muito trabalho a ser feito, principalmente em relação ao uso de vídeo e som em sites e campanhas. No campo filosófico, devemos lembrar que no Brasil a maioria das pessoas ainda usa a conexão discada e torna o uso de som e vídeo muito difícil. Boa sorte a todos em Cannes 2005. [Webinsider]

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