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A vida como empregado acaba aos quarenta?

08 de abril de 2003, 0:00

Pela lei da selva, ao chegar perto dos 40 anos o profissional empregado normalmente já acumula um salário mais alto, o que o torna um sério candidato a ser substituído por dois estagiários de 20.

Por Nenhum

José Luis Amâncio

Com os avanços recentes da ciência e tecnologia e a maior conscientização das pessoas sobre temas ligados à saúde, bem estar geral e social, se verificou o aumento substancial da expectativa de vida. Agora o desafio é aumentar a expectativa e rever nossa vida profissional na maturidade.

Conforme pesquisa realizada pelo Grupo Catho, verificou–se que em 1997 os executivos com mais de 41 anos de idade representavam 56,7 % do total. Já em 2001 este percentual passou para 15,2 % do total, ou seja, houve uma redução de 41,5% em apenas quatro anos.

Se pensarmos neste dado como uma tendência, podemos considerar que um sério problema de cunho social e profissional afeta ou afetará a todos nós imediatamente ou num futuro próximo.

Parte desta mudança de perfil gerencial se deve a evoluções que a economia e o mercado de trabalho sofreram, resultado de vários fatores, como economia digital, tecnologia da informação, globalização, downsizing, fusões e aquisições. Profissionais jovens e com excelente formação e conhecimentos de tecnologia tomaram a dianteira nas organizações neste momento delicado de transição para um novo modelo de negócios e trabalho.

O que em parte poderia ser encarado como processo evolutivo normal traz como efeito mais preocupante a total exclusão (muitas vezes por redução de custos) de profissionais com mais de 40 anos, que já demonstraram seu valor várias vezes ao longo de inúmeras crises da economia e do mercado de trabalho.

O mercado de trabalho no passado poderia ainda ter alguma restrição aos profissionais acima de 40 anos, pois nas décadas de 70 e 80 as pessoas tinham talvez menor consciência sobre a própria saúde e poderiam apresentar problemas de saúde, exaustão e redução da capacidade de trabalho.

Porém atualmente as pessoas estão muito atentas à saúde e à qualidade de vida e as pessoas acima de 40 anos estão totalmente em forma sob o ponto de vista familiar, acadêmico, maturidade pessoal e profissional.

(Eu mesmo, executivo de 35 anos com boa formação e experiência, me surpreendi recentemente ao trabalhar com um executivo de 46 anos. Logo percebi que tinha muito a aprender com ele, cujo ritmo de trabalho e grau de inovação não ficavam devendo nada em relação a um profissional 11 anos mais novo.)

Na realidade, empresas e profissionais perdem muito ao deixar de compartilhar a experiência acumulada pelos mais maduros, cuja ausência deixa de enriquecer a vida e a carreira de todos os envolvidos.

Em plena era do conhecimento, devemos nos lembrar que se os profissionais jovens com boa formação acadêmica têm muita informação, o desafio é transformar informações em conhecimento.

É necessário experiência (experiência é um dos itens que os profissionais mais maduros possuem) para saber selecionar e utilizar as informações e gerar o valor agregado das decisões corretas.

O mercado de trabalho é muito grande e há áreas quase que intocadas, entre elas o trabalho de inclusão (social, econômica, profissional…). Há muito a ser feito e as pessoas com grande experiência profissional e de vida podem efetivamente ajudar o país e o mundo a ser um lugar melhor para viver e trabalhar.

Parte da solução está justamente em nossas mãos. Temos, cada um do seu jeito, que fazer a diferença e começar a mudar esta equação, que está apenas subtraindo resultados da economia e da sociedade.

Abaixo há algumas dicas que talvez ajudem a acelerar o processo de mudança desta situação grave que estamos vivendo:

Se você tem menos de 40 anos:

– Reveja seus mapas mentais (a maneira como você interpreta a realidade). A realidade mudou e as pessoas com mais de 40 anos estão com energia e dinamismo muito grande. Quem ignorar isto estará apenas enganando a si mesmo.

– Lembre–se que um dia você também terá mais de 40 anos. A questão é pessoal; não tome uma postura de distanciamento e nem pense que não será afetado.

– Ao contratar alguém, não se preocupe com a idade, mas com o caráter, a experiência e o potencial do profissional (seja justo em suas considerações, pois você é quem sairá ganhando).

– Não se sinta intimidado por profissionais mais velhos e nem desconsidere os mais novos. Todos somos no fundo colegas de trabalho e sempre há o que aprender uns com os outros.

– Se necessário, procure aconselhamento ou consultoria para a aprender a lidar com subordinados mais maduros que você. Demonstre a eles que você tem interesse em se relacionar e resolver eventuais problemas culturais.

– Estimule nas suas equipes o clima de troca de experiências e o relacionamento de igualdade entre os seus colaboradores. Ajude a mostrar que todos sempre ganham com a diversidade.

– Comece a programar sua carreira hoje. Pense no que vai querer fazer após os 40 ou 50 anos e eventualmente aproveite a oportunidade para desenvolver uma segunda carreira ou uma nova fase da mesma carreira que exerce hoje (sempre há oportunidades a serem exploradas).

Se você tem mais de 40 anos:

– Seja criativo, inove, tente aprender algo com as pessoas mais jovens ao redor e também se sinta e faça efetivamente parte do time.

– Lembre–se que sua vida pessoal é a sua carreira mais longa. Invista nela, passe tempo com a família e os amigos, desenvolva bons relacionamentos e seja feliz também fora do trabalho.

– Veja que este pode ser o momento de rever sua carreira. Pense no que quer fazer na segunda metade de sua vida (evoluir sua carreira para um nível diferente, ou até mesmo desenvolver uma nova carreira).

– Também reveja seus mapas mentais (a maneira como você interpreta a realidade). A realidade mudou e você tem ainda muito tempo de trabalho pela frente. Seja pró–ativo e inovador, use a experiência acumulada para visualizar e explorar novas oportunidades.

– Ajude seus colegas e colaboradores a superar eventuais diferenças culturais e a usufruir um clima de grande troca de experiência e aprendizado mútuo.

Boa sorte e sucesso! [Webinsider]

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Comentários

2 pessoas comentaram o artigo "A vida como empregado acaba aos quarenta?"

Cláudia Data: 27/05/2009 às 22:22

Atividade: Acadêmica em administração

Cidade: Fortaleza

Fiquei muito feliz por saber que existem pessoas que se preocupam com a inclusão de pessoas acima de 40 anos.Gostaria de saber como podemos ajudar a mudar esta situação no Brasil. Tenho 43 anos e estou tendo dificuldades de voltar ao mercado de trabalho. Gostaria que fizessem leis de incentivo e outros incentivos para esta categoria. Existe sindicatos para este tipo de empregados?

Eliezer Dirfe Data: 30/07/2009 às 18:17

Atividade:

Cidade:

Algumas reflexões que eu gostaria de provocar nas pessoas: Porque todos pensam em arrumar emprego? Porque não pensam em contruir algo para vocês mesmos? O mundo lá fora é muito maior do que o da sua empresinha e você pode fazer!!! Eu acho que em breve não vai existir emprego para todo mundo e isso já está ocorrendo. Graças a Deus, o homem aos poucos volta a idade da pedra e terá que ele mesmo construir o seu próprio sustento a partir dele e da natureza. A vida dentro de um escritório é vazia perto de uma vida onde você sai e faz acontecer você mesmo sem ter que se inclinar ao seu Senhor Feudal. Todos nós fomos educados para ser empregado de alguém e isso não é certo. Pergunte a si mesmo: se não existisse empresa a partir de amanhã, o que vc faria? Saiam, abram suas cabeças e construam suas obras. Deixem alguma coisa de útil para a humanidade e não para meia dúzia de gente mortal como você.

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