06 de janeiro de 2003, 00:00
A entrada dos protocolos TCP/IP, em 1983, foi um marco que talvez só venha a ser comparado com a entrada comercial da Internet2, a fim de salvar a web de um surto por excesso de conexões.
A idade da internet costuma depender da pessoa a quem você pergunta, porém, é de senso comum que em setembro de 1969 quatro universidades americanas conseguiram se interconectar através de uma rede, batizada de ArpaNet.
Era lenta, complicada, problemática, dava defeito e a comunicação era precária; mas foi o suficiente para fazer com que um computador à distância pudesse se conectar a outro.
Conceito?chave da internet, ela era independente dos computadores interligados: se um desse defeito ou travasse, os outros continuariam conectados. É o que acontece com a internet de hoje, isto é, não existe um servidor central para gerenciar as conexões. Tudo está em todo lugar, todo o tempo.
Com o sucesso, mais e mais universidades foram se chegando, além de centros e agências especializadas. O crescimento da ArpaNet atingiu um ponto onde a comunicação estava se tornando impraticável, devido ao excesso de conexões simultâneas e a demanda cada vez maior.
E naquele início de janeiro de 1983, os 400 computadores interligados via ArpaNet foram transferidos para uma nova dobradinha de protocolos de comunicações: o TCP/IP, utilizado até hoje. Durante a fase ArpaNet, foi usado o NCP (Network Communication Protocol), que permitia uma comunicação direta, porém restritiva.
Com a entrada do TCP/IP, desenvolvido durante anos da década de 70 por programadores entusiasmados, aquele sistema de interconexões conseguiu abrigar um sem?número de computadores (os milhões de hoje), abrir novos horizontes para interfaces gráficas (a WWW, propriamente dita) e compatibilidade com outros protolocos, como é o caso do FTP (File Transfer Protocol) ?? desenvolvido por Bob Braden, que também se envolveu na criação do TCP/IP.
Embora seja comum dizer que a ArpaNet foi a precursora da internet, fato é que ela foi apenas uma das redes que se criou para a comunicação à distância.
Durante a década de 70 surgiram várias outras pequenas redes com o mesmo objetivo. Por exemplo, a Packet Satellite, que controlava os satélites no espaço e se comunicava com os computadores na Terra; e a rede acadêmica BitNet, que por sinal foi a primeira a ter uma ligação no Brasil.
E com tantas redes parecidas para efetuar um trabalho semelhante, criou?se uma mistura de siglas e protocolos parecida com a atual no setor de telefonia móvel. A necessidade de um protocolo padrão, que juntasse todas as outras redes com eficiência, foi apenas uma questão de tempo.
E daí surgiram dois protocolos distintos, mas que funcionariam em conjunto até hoje: o TCP (Transmission Control Protocol) e o IP (Internet Protocol). E essa dupla permitiu a conexão entre milhões de computadores, de forma padronizada, sem provocar um colapso.
O que ninguém sabe é até quando o TCP/IP vai suportar a crescente demanda, sobretudo com os acessos em alta velocidade (banda larga) de tanto computador conectado.
E é nessa dúvida que surgem as discussões da Internet2, operacional ainda em forma embrionária e apenas em grandes universidades e centros de pesquisa ?? e que para alguns especialistas, em poucos anos provocará uma revolução similar a de 1983. [Webinsider]
Sobre o Autor:
Palavras-chave relacionadas a este texto: [Banda Larga]
Ninguém comentou o artigo “Internet faz vinte anos, viva a Internet2”