A nossa travessia
30 de dezembro de 2002, 0:00O tempo passa mas não vamos nos esquecer do que não somos.
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Confesse: suas certezas já foram mais sólidas. Depois de tantos altos e baixos, e saltos e quedas não há convicção que saia sem ao menos um risquinho na pintura. Estou me tomando como parâmetro, claro. As usual.
Hoje mesmo estava relendo coisas que escrevi anos atrás, em busca de uma centelha que fosse nessa falta maior de luz. Encontrei o artigo abaixo, que já deve ter seus bons 4 aninhos. E o tÃtulo não poderia ser mais oportuno: you must remember this, as time goes by.
Aqui está ele. Espero que ele te conforte como me confortou.
As time goes by
(you must remember this)
Durante um bom tempo tive um chaveiro em forma de tubarão. Era bonito o chaveiro. Perdi–o, e nem pensei em comprar outro igual. Não queria mal–entendidos. Afinal, ele representava para mim o contrário exato do que podia parecer. Eu tinha um tubarão comigo para lembrar–me sempre do que não somos.
Tubarões são uma estratégia levada ao extremo, ao seu ponto de perfeição. Essa máquina complexa é a tradução em órgãos do verbo caçar. E ponto. Nada nele é supérfluo, nada é desvio. O tubarão é tubarão até as últimas conseqüências, até a ponta de sua cauda. Enquanto o oceano for oceano ele será tubarão, como vem sendo há milhões de anos.
No nosso design o conceito foi outro, revolucionário. Nada de garras ou couraças, mas sim o dom de inventar modos de ser. Falando chinês ou sueco, usando gravata ou quimono, pelados ou de farda, os humanos criaram mundos à sua imagem. Somos plásticos.
Pero no mucho.
Há um mamÃfero muito peculiar dentro de nós. É ele que nos faz criar “tribos”, que nos faz definir e defender territórios e que nos impele a amar. Foi agindo assim que esse animal sobreviveu a tudo, e nos trouxe até aqui. Ele só sabe ser feliz assim. Contrarie esses impulsos e veja nascer uma fera.
A cidade está aà para provar isso. Aguce os ouvidos e ouça bestas rugindo.
Criamos agora um mundo virtual, etéreo, impalpável, incorpóreo. E – ironia máxima – os mamÃferos estão adorando.
Não há porque ser defensivo quando mal se pode falar de territórios. Ninguém é estrangeiro onde todos são estrangeiros. Quando todos têm a mesma força e voz, não há como intimidar. A noção de sujeito implode e o mamÃfero aplaude.
Preste atenção no seu corpo. Você vê garras? Espinhos? Escamas? Não. Sua pele é lisa, fina, suas mãos são hábeis, e seu coração não quer ficar vazio.
Seja mais mamÃfero, mesmo que virtualmente. É o primeiro passo para deixar de ser besta. [Webinsider]
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1° Elisa Kondrasovas Data: 15/02/2008 Ã s 10:23
Atividade: Designer
Cidade: São José dos Campos
Amei seu texto, René! Principalmente quando vc diz Aguce os ouvidos e ouça bestas rugindo
Realmente, reconfortante!
Obrigada