[ Criação ]

Conheça Einstein, um cara como você e eu

29 de novembro de 2002, 00:00

Einstein Apaixonado é um livro sobre os anos de juventude e parte da idade adulta do cientista que começou totalmente desconhecido, escrevendo artigos sobre algo que não parecia ter sentido.

Por Julio Daio Borges

Para qualquer pessoa que ande sobre a Terra, Einstein é praticamente sinônimo de gênio. Mas o que se sabe efetivamente sobre ele? Que foi o pai da relatividade? Que era alemão? Que tocava violino? Einstein apaixonado, de Dennis Overbye, subeditor de ciência do New York Times, lançado pela Globo, veio para preencher essa lacuna.

O livro de quase quinhentas páginas aborda os anos de juventude e parte da idade adulta de Albert Einstein. Alternando seus “insights” em Física com sua vida sentimental; por isso o subtítulo, Um romance científico. Quem espera muito do “romance”, vai encontrar uma boa dose de mergulhos em História da Ciência, que exigem sua cota de raciocínio (embora o autor seja um craque em símiles).

E quem espera muito da parte “científica”, vai ter de lembrar que o livro foi escrito para leigos, sem demonstrações de fórmulas, passeando pelas conquistas amorosas estabanadas e pelas relações problemáticas de Einstein com seus filhos.

Overbye reconstituiu desde os anos de formação de Albert, na Politécnica de Zurique, até sua consagração, com a prova da deflexão da luz, durante um eclipse, no início do século XX. Trechos de cartas completam a sensação de se estar penetrando na intimidade do homem que, desafiando Newton, redefiniu as leis do universo.

É interessante notar como Einstein foi sabotado e combatido, nos primeiros anos. Quando, por exemplo, publicou seu primeiro artigo sobre relatividade, não passava de um desconhecido funcionário de uma firma de patentes.

Não era ligado a nenhuma universidade e suas idéias foram recebidas como as de um arrivista. Overbye também acerta em mostrar que Einstein não estava sozinho em sua corrida. Disputou e discutiu cada passo com a fina flor da comunidade científica, desde Lorentz até Bohr, desde Mach até Plank, desde Poincaré até Hertz.

A leitura de “Einstein apaixonado”, no entanto, não é maçante, embora tome tempo; e também não é “reader friendly”, embora provoque risadas e emocione o maior dos racionalistas. Einstein foi, mais uma vez, celebrado; e Overbye fez por merecer. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

Julio Daio Borges é o editor do Digestivo Cultural.

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