Banda larga para as massas
04 de outubro de 2002, 0:00Uma nova internet está chegando em seu PC e sua TV… para quem quiser pagar.
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O fim da internet populista
Uma grande utopia ideológica sustentou o nascimento da web, e de certa forma ecoa fortemente até os dias de hoje – ao menos por enquanto. Uma rede aberta, sem controle hierárquico e com conteúdo gratuito foram as principais pilastras conceituais da web, desde o seu nascimento no mundo acadêmico até a era atual dos grandes portais.
A proliferação estupidamente rápida de usuários desde a metade da década de 90 gerou uma corrida por audiência pelos grandes portais, que oferecem gratuitamente a maioria de seus conteúdos e serviços para atrair público. Ou seja, muito próximo de como as universidades o faziam na pré–história da web. A receita na internet para consumidores ainda vem fundamentalmente de provimento de acesso e algumas poucas operações de varejo com sucesso. Apesar do aumento quantitativo de usuários, no quesito conteúdo a web continua sendo muito mais próxima de um .org do que um .com.
Como vivemos num planeta muito mais para Adam Smith do que para Karl Marx, este modelo populista está inevitavelmente em rota de colisão. As grandes iniciativas de internet precisam fechar suas contas, e a transição para um modelo em que conteúdo e serviços são pagos é mais que uma questão conceitual: é fator de sobrevivência.
O modelo populista da gratuidade cria um cÃrculo vicioso que pode ser mortal. Quanto mais bons conteúdos e serviços gratuitos são oferecidos por um site, mais audiência é gerada, e proporcionalmente mais custos operacionais para a empresa. Ou seja, há que haver uma quebra de paradigma neste modelo, que claramente tende a não se auto–sustentar a longo prazo.
A solução: Banda Larga para as massas
AOL, MSN, Yahoo e outros grandes portais começam a apostar mundialmente em iniciativas de Banda Larga como um novo modelo para criar assinaturas, e conseqüente receita. Até aqui nada de novo, já que ISP – sejam em quantos Kbps – sempre foi uma fonte de receita. A questão está exatamente na transição da percepção de Banda Larga de simplesmente um valor de telecomunicação para um valor mais amplo, que engloba uma experiência mais rica da mÃdia interativa – com conteúdos e serviços muito mais atrativos para o consumidor.
Esta migração de percepção é crucial, pelo simples fato de que pessoas só colocam a mão no bolso se houver um valor explÃcito no retorno da compra. E como agravante, os elementos desta venda (conteúdos e serviços) são tradicionalmente gratuitos, ou seja, não existe um hábito formado de consumo. João “Usuário†da Silva não passará a gastar reais por algo que lhe era dado de bandeja. Esta nova experiência de Banda Larga tem de setar um novo patamar de qualidade, que faça a experiência de Banda Estreita parecer velha e obsoleta na percepção do consumidor. As iniciativas de internet que fizerem este salto perceptual conseguirão adentrar um novo paradigma de consumo, atrair assinantes e tornarem–se potencialmente os lÃderes de mercado a médio prazo.
A ação já começou…
Ao que parece a necessidade deste salto está clara para os grandes portais, até mesmo porque não existe outra alternativa a não ser gerar receita.
O primeiro passo dos portais para disparar a estratégia Banda Larga no mercado americano tem sido a associação com os canais de distribuição: empresas de cabo e telefonia. A intenção é garantir acesso à massa atual de consumidores da infra–estrutura de telecomunicação – e assim acompanhar o crescimento da penetração de Banda Larga na população.
AOL, o maior portal do mundo com 34 milhões de usuários, possui atualmente 3 milhões de usuários Banda Larga, e fez parcerias com a gigante de cabo Comcast (que brevemente vai se unir à AT&T Broadband, o maior provedor de cabo da América). Em paralelo, MSN/Microsoft fez acordos de marketing com Qwest, Verizon e Charter Communications; e o Yahoo com a SBC Communications.
Após garantir que os usuários da infra–estrutura de rede Banda Larga tenham acesso a seus sites atuais (ainda projetados para Banda Estreita), os portais precisam fazer com que os usuários ali permaneçam – e paguem por isso. Este é o segundo passo da estratégia, e consiste em uma série de apostas em soluções de conteúdo e serviços que construam uma nova percepção de valor na experiência Banda Larga.
A AOL aposta nas estações de rádio online e em um serviço de troca e edição de fotos digitais em múltiplos dispositivos. A Microsoft lança o MSN 8 com um pacote de ferramentas com funcionalidades premium que os usuários devem pagar para usar. Já o serviço RealOne da Realnetworks oferece um banco de vÃdeos da ABC, CNN e Fox por US$ 9,95 por mês e já possui 600.000 assinantes nos Estados Unidos – e lança o serviço na Europa com conteúdo da MTV e programas como Big Brother.
Apesar dos belÃssimos press–releases, as estratégias de produtos Banda Larga não estão definitivamente claras em nenhum portal. Todos querem deixar claro para o público e acionistas que estão se movimentando para novas idéias de produtos, mas ninguém sabe exatamente quais e quando – possivelmente nem mesmo as próprias empresas têm tantas certezas.
Cenário inicial via PC
Nesta nova equação Banda Larga que se forma, nota–se a existência de três tipos de players na indústria, que tendem a se associar de alguma forma para conquistar o consumidor:
· Conteúdo (conglomerados de mÃdia, estações de TV, rádio etc.)
· Software (plataformas de browser; ferramentas, aplicações, streaming etc.)
· Telecomunicação (canais de distribuição: cabo, telefonia, satélite).
Este cenário assume como premissa que a entrega da experiência BL de conteúdo e serviços ocorre através do PC, o computador pessoal.
Cenário concorrente via iTV
O interessantÃssimo é que esta mesma experiência BL começa a ser entregue maciçamente pelas Televisões Interativas ( iTV: box acoplado à TV conectado a cabo ou satélite ). De acordo com a Jupiter, na Inglaterra 31% dos de domicÃlios (cerca de 26 milhões) tem Televisão Interativa, e nos EUA, terra natal do PC, ainda apenas 8% dos households.
Os modelos da experiência Banda Larga no PC e TV Interativa ainda diferem somente devido à s diferenças técnicas nas plataformas atuais. Ou seja, o PC entrega muito melhor os serviços e aplicações funcionais, mas ainda distribui vÃdeo e áudio com pouca qualidade. Simetricamente oposta, a TV Interativa transmite vÃdeos em qualidade de “broadcastâ€, mas ainda deixa a desejar nas aplicações e ferramentas relacionadas, que dependem de uma plataforma de software.
Mas esta diferença é possivelmente uma questão de tempo. O PC avança para oferecer também as capacitações de uma TV, e a TV evolui para oferecer a interatividade que o software que hoje roda num PC permite. Os modelos tendem a confluir, e serem muito similares.
Resta saber se no futuro leremos e–mail e assistiremos ao noticiário em somente uma, ou em múltiplas plataformas. Uma coisa é certa: não será de graça. [Webinsider]


1° ROUEN NASCIMENTO Data: 26/07/2007 Ã s 21:35
Atividade:
Cidade:
Infelizmente não tem comentário de provedor de acesso livre ou de para, com essa cobrança dupla (venda casada) pelo mesmo serviço. Ate quando vamos ter que engolir a chamada venda casada. Se paga duas, três ou mais vezes pelo mesmo serviço e vira obrigação.