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A guerra silenciosa nos subterrâneos da internet

26 de setembro de 2002, 0:00

Opinião: iniciativas de indivíduos em todo o mundo contra a mídia mentirosa e as corporações globalizantes têm um quê de anarquista e esquerdista, mas transparece algo de assustador na sua pregação.

Por Julio Daio Borges

Nos subterrâneos da internet, está sendo travada uma guerra silenciosa. Trata–se das iniciativas, de indivíduos ao redor do mundo, a favor do que chamam de “informação livre” e sem fronteiras. Tudo parece partir de dois princípios básicos. Primeiro: a mídia mente de forma deslavada; é mister, portanto, contrapor suas mentiras à “verdadeira verdade”.

Segundo: do jeito que as coisas andam, no reino da Information Technology (IT), seremos em breve engolidos por corporações planetárias, que – acredita–se – irão impor uma tirania muito maior do que a de governos totalitários; é fundamental, portanto, fornecer alternativas de qualidade a esses lobbies e monopólios.

Partindo agora para dois exemplos práticos: o Centro de Mídia Independente, que num esquema de “democracia direta” supostamente mostra o que “não se vê na tevê”; e o sistema operacional Linux, que por ser “aberto” (open source) e gratuito, virou arma numa cruzada mundial contra o Windows, Bill Gates e a Microsoft.

Tudo isso está num dossiê preparado pela revista Play #5, de setembro de 2002 (que – como se vê – é muito mais que mero “entretenimento eletrônico”, subtítulo da capa). Esse movimento todo (de, certa forma, contra a Globalização e contra as investidas do Quarto Poder) tem um quê de anarquista, outro quê de esquerdista, embora use de infra–estrutura francamente “capitalista” (leia–se tecnologias como a internet) para nascer, crescer e florescer – o que é uma contradição em termos, ainda que “consciente”.

Dentre os seus “ideólogos”, tem gente como: Noam Chomsky (o lingüista do Fórum Mundial Social) e Naomi Klein (a autora canadense que combate as marcas em “No Logo”); numa ala mais “moderada”, Aldous “Admirável Mundo Novo” Huxley e George “1984″ Orwell; e, na linha “Founding Fathers”, tipos como Henry Throreau (”A Desobediência Civil”) e Mikhail Bakunin (”Sobre a Anarquia”).

Apesar da manipulação do noticiário ser fato comprovado e apesar de existirem mesmo empresas com ambições interplanetárias, há algo de assustador na pregação dessas pessoas que vêm do “underground”; será que, uma vez entronizadas no poder (embora neguem que seja esse o seu objetivo), não fariam uso de expedientes muito semelhantes? [Webinsider]

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Sobre o autor

Julio Daio Borges é o editor do Digestivo Cultural.

Apoio:

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Comentários

1 pessoa comentou o artigo "A guerra silenciosa nos subterrâneos da internet"

Juliana Silveira Data: 11/12/2006 às 15:53

Atividade: Linguista

Cidade: Maringá

Parabéns, por levantar a questão. No meu entender muito pertinente. Mesmo que meu comentário esteja com 4 anos de atraso acredito que ainda temos muito o que debater sobre esta questão. Vamos discutir isso novamente agora??? o que acha que mudou nesse cenário???

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