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Internet é uma aposta (idealista) no escuro

17 de setembro de 2002, 0:00

Há duas correntes na visão de quem produz para a web: uma a considera um braço eletrônico de iniciativas offline, a outra uma entidade com vida própria. Alheio à discussão, o público cresce.

Por Nenhum

Julio Daio Borges

Há mais de um mês, o jornal Meio & Mensagem publicou um especial chamado internet. Ao contrário de grande parte da mídia impressa, propôs–se a levar a sério a chamada World Wide Web. As expectativas são positivas (até porque a maioria dos depoimentos vêm de profissionais do ramo). Em números: 14 milhões de lares conectados (deixando para trás jornais e revistas, e já fazendo frente à tevê); R$ 224,9 milhões de receita publicitária (estimativa para 2002).

O caderno de 20 páginas preparado pela equipe da M&M editora sinaliza, porém, para duas tendências radicalmente opostas. De um lado, os representantes das “velhas mídias”, tentando fazer da internet um mero braço eletrônico para suas iniciativas offline. Na acertada definição de Cassiano Polesi, num dos poucos artigos de opinião do especial, pensam a web como um “meio de comunicação” (um simples canal para algo que já existe) e não como uma mídia independente (portanto com vida própria). Veja ao lado o artigo completo de Cassiano Polesi, também publicado aqui no Webinsider.

Do outro lado, obviamente, aqueles que, como Polesi, tentam entender a internet a partir da própria internet: sem comparações prévias, sem conceitos prontos, mergulhando de cabeça e interpretando a web por dentro.

Algumas conclusões parecem definitivas, independentemente da primazia de qualquer das duas visões. Primeira: a internet não veio para substituir ninguém. Segunda: as décadas de publicidade impressa viciaram as campanhas, que não têm funcionado num espaço onde o olhar é muito mais crítico e seletivo. Terceira: o acesso gratuito (para além das considerações contábeis) colocou o Brasil em posição de vanguarda, fazendo da web uma realidade muito mais palpável até do que, em alguns setores, o dito “mundo real” (vide o boom do atendimento virtual bancário).

Como em qualquer outro universo, na internet a luta continua entre “idealistas” e “utilitaristas”. Que ela permaneça e que a web não seja nunca uma “solução fechada”, um “pacote acabado”, um meio limitado como tantas outras invenções que tiveram no seu nascimento também um futuro brilhante. [Webinsider]

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