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Coloque o AppleScript no piloto automático

11 de setembro de 2002, 0:00

Designer elogia as vantagens da linguagem de programação da Apple que faz diversos programas atuarem integrados. Preparando tudo direitinho é possível automatizar ao extremo tarefas repetitivas

Por Nenhum

Flavio Rosselli

Sonho para uns, utopia para outros, estou aqui para contar–lhes sobre uma descoberta que fiz há um ano. Trabalho com Macintosh desde 1993, mais precisamente, quando comprei meu PowerMac 7200 rodando system 7.5, eu acho. Máquina que hoje faria parte de um museu. Antes disso, seguia o caminho da maioria dos designers que eu conhecia na época: tinha um PC montado em alguma boca de porco rodando CorelDraw da mais pura safra, que mais me davam dor de cabeça que outra coisa.

Nesses nove anos como designer, tinha em mente algumas perguntas que não queriam calar: “Será que não dá para eu fazer isto de uma maneira mais fácil?”, “É preciso repetir isto mais 50 vezes?”, “Por que não fazem um software completo com este recurso desse software, aquele outro recurso do outro e assim por diante…?” etc…

Na época, o que tínhamos de tecnologia ao alcance de nós, designers? Nada. Photoshop tinha acabado de ganhar seus layers. Comecei a tomar contato com essas facilidades, pseudo–programação, quando softwares gráficos incorporaram recursos como scripts, macros e actions. Muito legal, mas eu ainda não estava contente.

Mais tarde, tive contato com regular expressions, um recurso avançado que alguns softwares têm acoplado ao comando Find/Replace. Minha vida mudou. A manipulação de textos e listas era fantástica. Comecei a sentir que nesta vaca tinha mais leite. Entre 1999 e 2001, dei meus primeiros passos em direção ao AppleScript.

O que é AppleScript? É uma linguagem de programação orientada ao objeto, criada pela Apple no começo dos anos 90, que tem como principal função a intercomunicação de todos os softwares de Macintosh, inclusive o sistema e os sharewares.

O que significa isso? Na época, eu trabalhava com mídia impressa, fazia jornais, revistas, folhetos, embalagens etc… Usava Page Maker, Quark, Illustrator, Freehand e Photoshop. Eu colocava as imagens em uma pasta, os textos em outra e os templates em outra. Com dois cliques seriam diagramadas quantas páginas meu script mandasse. Poderia fazer uma revista inteira com dois cliques. AppleScript é a mão na roda para profissionais de som, vídeo, designers (mídia impressa e eletrônica), administradores de rede e muitos outros. Um dos pontos altos da linguagem é que ela foi escrita com uma sintaxe muito semelhante ao inglês que aprendemos na escola. Um exemplo disto é: open the second file of the first folder of disk “Hard Disk”. Este exemplo é básico e apenas sugere o poder da linguagem.

Como funciona? A linguagem tem um set de comandos básicos que estão disponíveis para todos os softwares. Cada software tem seu dicionário, ou seja, uma lista de comandos que o software reconhece. Se tudo isto ainda não for suficiente, temos Scripting Additions, uma infinidade de extensões, geralmente gratuitas, que adicionam comandos ao AppleScript. Quando um software responde a comandos AppleScript, o chamamos de escriptável (scriptable).

Todas as aplicações de Macintosh são escriptáveis? Não, 90% respondem a todos os comandos AppleScript, 5% só aceitam os comandos básicos como Open, Close, Print etc… Os 5% finais, geralmente freewares, não respondem a nenhum comando. Estou incluindo nessa lista de aplicações analisadas, os sharewares (softwares gratuitos ou com preços inferiores a 30 dólares). Os softwares escriptáveis são divididos em três categorias: Scriptable (responde a comandos AppleScript), Recordable (funciona como um videocassete, basta apertar o Rec e trabalhar; ele escreve tudo o que você fez em linguagem script) e Attachable (você pode personalizar os menus, colocando seus scripts como funções do software).

Como podemos usar AppleScript em nosso dia–a–dia? Separei como exemplo a atualização de um website. A origem de todo o conteúdo que deverá ser atualizado virá por e–mail. Os anexos deste e–mail (imagens e textos) serão editados localmente, e “uploadados” atualizando assim o website. Vale lembrar que o site utiliza recursos de um banco de dados e planilhas eletrônicas.

O script se iniciará logo que você receber um e–mail com um determinado subject contendo algumas imagens e arquivos de texto anexados. Os anexos serão separados em dois grupos (imagens e textos) e salvos em diferentes lugares em seu disco. Os arquivos de cada um dos grupos serão abertos e editados em seus respectivos aplicativos, arquivos de texto em um editor de texto e imagens em um editor de imagens, com exceção dos arquivos que serão usados na planilha eletrônica e no banco de dados.

Do editor de texto retornarão os textos formatados, do editor de imagem, as imagens exportadas em um padrão pré–estabelecido, da planilha, os gráficos e do banco de dados, toda estrutura de endereços e links. Por fim, serão escritos os arquivos HTML com os dados do banco, que junto com os textos, as imagens e os gráficos serão “uploadados”. Está tudo no ar. Podemos fazer isso tudo sem um único clique. No exemplo listei a utilização de editores de texto, de imagens, planilhas e banco de dados, mas como disse anteriormente quase 100% do softwares de Macintosh poderiam ser usados neste script. [Webinsider]

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