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Canalizando a produção intelectual das empresas

30 de agosto de 2002, 0:00

Livro defende a idéia de que as comunidades online podem muito bem ser a abordagem simples, efetiva e de baixo custo para a implantação da gestão de conhecimento na empresa. Muita coisa já está acontecendo.

Por Nenhum

Carlos Nepomuceno

Tenho um amigo que resolveu criar, há dois anos, uma lista de discussão na internet. Só entram convidados. E os assuntos predominantes são política, saúde e cultura.

Hoje, o fórum tem 29 inscritos. Ali, foram trocados mais de cinco mil e–mails em inglês, português e espanhol, entre pessoas de várias partes do planeta. “É uma forma de manter contato com os amigos que estão cada vez mais dispersos”, comenta o organizador, Jones de Freitas.

Eu criei em 98, um grupo com colegas da Universidade, que hoje tem 11 seletos participantes. Já compartilhamos quase sete mil mensagens.

Na verdade, o internauta enfrenta hoje claramente três barreiras na rotina de atividades online: as dificuldades iniciais de conexão, os primeiros passos em busca de informações e, finalmente, a descoberta de uma tribo para interagir. Precisa, apenas, encontrar ou criar boas e organizadas
comunidades online.

Se isso vale para lista de colegas, se potencializa na troca do conhecimento no trabalho ou estudo.

O livro Comunidades Virtuais, de Jaime Teixeira Filho, lançado mês passado pelo Editora Senac do Rio de Janeiro, serve como alerta para empresas e profissionais sobre essa necessidade vital.

O livro consegue associar o fenômeno da interação virtual do ciberespaço com a gestão do conhecimento, o novo e badalado campo de pesquisa e negócios.

Para o autor, pessoas e empresas não podem mais jogar pela janela o saber acumulado, que precisa estar em constante troca e deve ser agrupado digitalmente para facilitar uma eventual recuperação.

Uma pesquisa da Ernst & Young mostra que 80% da produção intelectual das empresas não é sistematicamente aplicada nos processos de negócios. Jayme comenta que “as comunidades virtuais, na prática, podem funcionar com uma abordagem simples, efetiva e de baixo custo para a implantação da gestão de conhecimento na empresa”.

Ele cita na publicação, ainda, o guru da administração moderna Peter Drucker. “O principal desafio dos gestores é o aumento da produtividade dos trabalhadores do conhecimento. Esse desafio, que dominará a agenda pelas próximas décadas, vai determinar o desempenho das organizações. E ainda mais importante, vai determinar o tecido social e a qualidade de
vida em toda nação industrializada.”

Fornecedores de serviços, inclusive nacionais, começam a atuar nesse segmento, como a Connexis, que oferece software e consultoria para criação de comunidades virtuais.

Ou o Centro de Referência em Inteligência Competitiva, que organiza, inclusive, cursos de pós–graduação, em várias cidades brasileiras.

Enquanto isso, a Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento , criada em maio de 2001, e que já agrupa 350 associados, está organizando o Congresso Anual da entidade e o 3.º Workshop Brasileiro de Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento, em São Paulo, nos dias 16, 17 e 18 de setembro, no Centro de Convenções Rebouças.

Tudo seria festa, não fosse a morte prematura de um jovem entusiasta do assunto no Brasil, Jayme Teixeira Filho (autor do livro citado anteriormente). Ele foi vítima de um assalto no Rio de Janeiro, no mês passado. Dedicamos a ele o artigo. [Webinsider]

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