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Dias de software livre no Rio de Janeiro

29 de agosto de 2002, 0:00

Imagine um festival sobre software, cultura e liberdade. Sem rock, mas com a filosofia de que criar alternativas que estimulam o conhecimento e o compartilhamento de soluções diminuem o custo dos programas.

Por Nenhum

Helena Nacinovic, GloboNews.com

A primeira edição do FestSoft Cultura e Liberdade, o Festival de Software do Rio de Janeiro, recebeu nesta quarta–feira o americano Robert Chassel, um dos fundadores e diretor da Free Software Foundation (FSF), organização que iniciou o movimento de apoio ao software com código–fonte aberto e deu origem ao sistema operacional GNU–Linux.

Chassel falou do conceito de software livre e da alternativa que a FSF está propondo para a comunidade de desenvolvedores de software e, em um plano mais amplo, para toda a sociedade. O projeto GNU foi criado em 1984 por Chassel juntamente com Richard Stallman e outros renomados desenvolvedores de software americanos, revoltados com as ‘novas’ licenças de programas da década de 80, que proibiam a intervenção de um programador no código–fonte do software.

– Por que o software livre é melhor? A liberdade é melhor. Com o tempo, o software de código livre se torna mais confiável, eficiente e seguro. Além disso, ajuda a criar novas tecnologias – afirmou Chassel.

O código–fonte é a representação do código do programa em linguagem de programação. Ela pode ser estudada e, com freqüência, alterada por um programador que conheça a linguagem usada na criação. Nos primórdios da informática, todos os programas apresentavam o código aberto e qualquer pessoa poderia consultá–lo, alterá–lo, sem que isso implicasse na distribuição gratuita deste software. A idéia era corrigir pequenas falhas, fazer alterações para personalizar o aplicativo ou simplesmente estudar o código em universidades.

O projeto GNU ofereceu, então, uma alternativa ao mercado: programas com um tipo de licença diferente, que permite o uso, a cópia, a modificação, o estudo e a redistribuição. Com as seguintes condições: a nova ‘versão’ deve incluir a mesma licença – que proíbe ao criador patentear o programa – e que seja divulgada para o público, incluindo o código–fonte na nova distribuição. Dessa forma, os programadores impedem que uma empresa pegue seu código e o torne propriedade privada, bloqueando o acesso ao código–fonte.

Apesar de todas as vantagens do novo modelo, o sistema operacional GNU–Linux só está sendo reconhecido como uma alternativa séria nos últimos anos. Chassel afirma que isso é culpa da falta de informação. Segundo ele, não há interesse das grandes corporações em ajudar a divulgar questões polêmicas como a validade da propriedade intelectual, que vai além do direito autoral de programas para computador.

Livre, mas antipirataria. A questão da cópia ilegal está em pauta no mundo inteiro, com foco especial na cópia de CDs de música e filmes. A proposta do projeto GNU é o ‘copyleft’ – trocadilho com copyright –, um método que torna os programas livres e exige que todas as versões modificadas e estendidas do software também sejam livres, usando a legislação de direitos autorais como garantia.

Chassel afirma que, como o mercado é atualmente, as cópias ilegais são inevitáveis. Ele diz que não é possível controlar a velocidade da tecnologia, já que ‘para cada nova tecnologia de bloqueio, existirão pessoas que vão conseguir contornar isso’ e continuar com o uso ilegal de software, música e qualquer outro arquivo digital. O projeto GNU não apóia a pirataria, nem os ataques de hackers. A filosofia da organização é ‘criar alternativas que estimulem o conhecimento, o compartilhamento de soluções e diminuam os custos de software’, revelou o especialista.

Durante a palestra, Chassel frisou a importância da disponibilização do código–fonte para fins educativos, afirmando que o estudo de programas reais ajuda na criação de tecnologias mais avançadas. Ele ressaltou a importância da educação em países, como o Brasil, que precisam se desenvolver tecnologicamente e promover a inclusão digital para competir com igualdade nos mercados internacionais. [Webinsider]

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