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Definindo o cruzamento de arte com tecnologia

13 de agosto de 2002, 0:00

Mesa redonda do evento Emoção Art.Ficial discutiu a arte a partir das novas mídias, quando as obras deixam de ser meras exibições de tecnologia e ganham conteúdo crítico.

Por Paulo Rebêlo (reportagem)

Afinal, o que é artemídia? A produção com a ajuda dos recursos proporcionados pelas novas mídias e tecnologias ou um novo conceito de expressão artística? Foram essas as perguntas bases discutidas na primeira mesa redonda do Emoção Art.Ficial, simpósio internacional de arte e tecnologia promovido pelo Itaú Cultural, em São Paulo.

Sem um conceito definitivo, muito menos um consenso entre os artistas, o fato é que a artemídia como expressão apoiada pela tecnologia tem ganho não apenas espaço no mundo artístico, mas também no cotidiano das pessoas.

Arlindo Machado, da PUC–SP, acredita que a artemídia está cada vez mais consistente – “As obras deixaram de ser meras exposições tecnológicas. São peças críticas, bem mais próximas da realidade dos modelos sociais”.

Para uma facção de artistas, sobretudo os alheios às novas tecnologias, ainda há uma barreira razoável entre a arte tradicional e a arte pelas vias tecnológicas. Por outro lado, um bom exemplo que ilustra esse paradoxo é a velha questão: o cinema é obra de arte ou meio de comunicação de massa?

Ambos, talvez – mas sempre haverá quem reflita mais para um lado do que para outro. De acordo com Machado, hoje o universo cultural é muito mais híbrido e a arte é feita com os recursos e a demanda de cada época. Logo, é uma questão de tempo que a tecnologia esteja integrada aos artistas em geral.

“A mídia eletrônica pode vir a ser, amanhã, o principal meio à criação artística. Quando o primeiro livro impresso foi lançado, ninguém acreditava que fosse dar certo. E o livro se tornou a expressão–mor para a literatura”, profetiza Machado.

Cláudia Gianetti, diretora do Mecad (Espanha), acredita em artemídia como o cruzamento de arte, tecnologia e ciência. Um processo recíproco. “Sempre existe a tendência de achar que as máquinas anulem o conteúdo artístico, mas não é sempre assim”, defende Gianetti, que também não se arrisca a colocar uma definição conceitual para artemídia.

A integração de novos recursos usando novas tecnologias é um dos resultados propostos por Gianetti. O Mecad é o único centro cultural de estudos de arte eletrônica na Espanha, pesquisando a produção teórica e acadêmica desde 1998.

Entre os que defendem a imersão da artemídia na vida das pessoas, está Monika Fleischmann, diretora do MARS – grupo de pesquisa fundado em 1997 no Fraunhofer Institute (Alemanha), cujo objetivo é fomentar estratégias para o desenvolvimento de tecnologias específicas para a arte, a cultura e a educação.

De acordo com Fleischmann, as tecnologias digitais afetam não apenas o ambiente de trabalho das pessoas, mas a vida delas. A artemídia é usada tanto na forma de hardware e ferramentas, como também em software e conceitos diversos.

“Os artistas estão procurando meios de interagir com as novas possibilidades, novas linguagens e percepções. A interação é fundir o real com o virtual, causar um impacto emocional no espectador até mesmo a partir do corpo humano em contato com a obra,” explica Fleischmann. [Webinsider]

Sobre o autor

Paulo Rebêlo (rebelo@webinsider.com.br) é subeditor sênior do Webinsider e cronista bissexto na Hipopocaranga.

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