[ Carreira ]

Eu e você, controlados (no e-mail da empresa)

09 de agosto de 2002, 00:00

Opinião: o controle que as grandes empresas estão impondo aos funcionários no uso do e–mail e da internet contém certos equívocos. Não há evolução quando existe medo, receio em ousar.

Por Leonardo Oliveira

Ando refletindo a respeito de um tema que, além de propício ao debate, é um desafio às pessoas que utilizam a internet profissionalmente: o controle que as empresas estão, cada vez mais, impondo aos funcionários que utilizam o e–mail e a web no trabalho.

Não são poucas estas empresas, que além de monitorar também demitem pessoas por má conduta na utilização dos recursos tecnológicos. Os motivos são os mais diversos, desde e–mails com conteúdo pornográficos até utilização de programas de bate–papo e sites com chat.

Adianto que não sou contra nem a favor deste controle. Cada empresa tem suas normas, seus regulamentos. Diferentemente do que a maioria acredita, e mesmo as empresas pregam, uma corporação não é uma família.

Aliás, é totalmente o avesso do que seria uma instituição familiar. Ao trocar mensalmente sua força produtiva por uma quantia financeira, pressupõe–se que um trabalhador esteja ciente dos regimentos corporativos e aceite–os. Porém, numa família ninguém é demitido porque mandou um e–mail pornográfico, ou porque contou para uma tia que sua mãe acha o penteado dela horroroso.

O que não acho justo, e o que freqüentemente acontece, é que estão colocando todos os casos num mesmo balaio. Não há distinção entre situações e contextos.

Utilizar a estrutura de uma empresa para proveito próprio não é crime. É sim, e antes de tudo, sinal claro de que há desconforto com a inércia e interesse em evoluir. Eu, como empresário, odiaria ter 5 funcionários padrão. Daqueles que chegam as 8, saem as 5 e fazem tudo o que eu peço. Não fazem nada fora de hora, nada mesmo. Prefiro ter ao meu lado pessoas que pensam, têm projetos e se utilizam dos equipamentos da empresa para o crescimento profissional e pessoal. O tipo de pessoa que não trata a carreira como um suceder de empregos, mas como um negócio.

A este mundo, que exige de todos eficiência ininterrupta e dedicação ao aprendizado contínuo, deixo meu conteste ao paradoxo que é o controle sobre os atos de terceiros em nome do sucesso corporativo. Não haverá evolução se houver medo, receio em ousar.

Acho que as cabeças de cima deveriam se preocupar mais em fazer de sua estrutura fonte contínua para o aprendizado e valorização de sua equipe. Dedicando–se a isto, naturalmente os funcionários desinteressados, esses do e–mail pornográfico, se sentirão deslocados dos colegas e cedo ou tarde aderem a esta filosofia construtiva, ou deixam a empresa, por vontade própria. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

<strong>Leonardo Oliveira</strong> (leonardo.oliveira@ogilvy.com) é gerente de operações da <strong><a href="http://www.ogilvy.com.br" rel="externo">OgilvyOne Brasil</strong></a> e mestre em Jornalismo Digital pela ECA/USP.

Palavras-chave relacionadas a este texto: [Comportamento] [direito] [Segurança]

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Comentários

1 comentário(s)


Data : 11/10/2006 às 16:34
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Sim, eu acho importante que a empresa faça auditorias de qualquer forma nos e-mails de seus funcionários, pois o email da empresa, é uma ferramenta de trabalho, como uma cadeira, computador, enfim, use o computador da empresa para ficar jogando games e veja o resultado. O comentário feito por mim é válido para empresas que possuem um domínio, por exemplo, www.minhaempresa.com.br e o e-mail que deve ser monitorado são os que fazem parte deste domínio, como por exemplo, joaosemnome@minhaempresa.com.br.

Pois já vi em diversas empresas, pessoas usarem 90% do fluxo de e-mails para serviços pessoas e com bagatelas, fazendo mal a si mesmo e a empresa.

Tenho tantos motivos para descrever aqui sobre a opinião de que seja feita a auditoria interna em todos os meios, de e-mail a navegação. Mas acho que já exemplifiquei o suficiente.
Até mais.


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